Crise ameaça disputas de atletas do Projeto Águia

Diego Ortiz

Mais do que um estreitamento do calendário de campeonatos e de um prejuízo aos atletas pela carência de treinamentos, a crise provocada pela pandemia de Covid-19 ameaça a participação de atletas do Projeto Águia em diversas competições de taekwondo na temporada de 2020 pelo fator econômico. O técnico Fábio Cristian de Oliveira prevê que será necessário descartar algumas competições.  

“Essa pandemia não vai trazer só problemas para os treinos, fisicamente falando, de rendimento e desenvolvimento. Vai trazer um problema também financeiro. Alguns pais foram dispensados, alguns pais estão em casa, sem poder trabalhar, tem outros autônomos, desempregados. Pra competir tem um custo. Infelizmente, essa pandemia tem causado um problema econômico enorme. Se tiver 10 campeonatos, não vou poder disputar os 10”, explicou Oliveira, lembrando que realiza um trabalho voluntário. “Eu não tenho recursos financeiros para poder ajudar, eu gostaria de ter, mas infelizmente não tenho, condições para ir em todos os campeonatos”, lamentou, revelando, porém, que está em busca de patrocinadores. “Por enquanto é só sonho, logo em breve, sonho pode se tornar realidade, porque a gente não desiste”, frisa. 

Em 2019, Oliveira teve a ajuda da Prefeitura para custeio do transporte, o que espera ter em 2020, mas há gastos com taxas de inscrições de cada campeonato, alimentação e hospedagem dependendo do local da competição.
   
A equipe do Centro de Treinamento de Taekwondo ICA/Projeto Águia, fruto de uma parceria do projeto de Fábio e a Instituição de Incentivo à Criança e ao Adolescente (ICA), se preparava para o Campeonato Paulista, que iria começar em abril, mas foi suspenso. A competição estadual apresenta três etapas. Duas das alunas da equipe também estavam se preparando para a Copa América, cuja expectativa é de ocorrer em setembro.

Já o trabalho iniciado pelo Projeto Águia no Centro de Treinamento inaugurado em março pela Prefeitura no Estádio José Geraldo Solidário, no Mirante, está em fase inicial de preparação para deixar os alunos aptos a competições.

Para representar Mogi Mirim nos Jogos Regionais, Oliveira pretende montar uma seleção envolvendo alunos do ICA e do Mirante. “Nem sei se vai ter os Jogos Regionais, não sei como vai ser. Mas quando liberarem, para a gente voltar aos treinos, vou montar uma seleçãozinha”, contou.

Em 2020, o Projeto Águia ainda não havia disputado competição alguma. 

SAUDADES
Fábio admite estar com saudades das atividades e contato com alunos. “São quatro anos de caminhada, vivendo junto com eles muitas situações adversas, boas, situações que levam a gente chorar, a rir, a se abraçar, mas agora, a gente precisou estacionar tudo. Os treinos estão todos parados e não tem uma previsão concreta de quando vamos voltar. A gente fica um pouquinho travado”, reconhece.

Fábio está em contato permanente com os atletas pelas redes sociais. “Sempre falo com eles, muitos mandam mensagem falando: que saudades, vontade de treinar. Eu falo: vamos ficar em casa. Mas eu tenho falado: treina em casa, pega sua corda, vamos lá. Faz um treino de corda, de movimento, de resistência. Ainda estando em casa”, indica. 

Por outro lado, admite que a parada irá prejudicar o desempenho dos atletas. “Vai prejudicar muito o lado atleta de cada um, desde a criança até o adulto. Porque a gente faz um incentivo a eles a treinar em casa, mas não é a mesma coisa de estar na academia. É a mesma coisa da escola: estudar online é legal, mas estar na sala de aula é diferente”, compara.



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