!


Abraçados pela arte

Ana Paula Meneghetti

Já que não podemos abraçar, a arte nos abraça, forte. E ela tem feito isso brilhantemente, das mais variadas formas, no mundo todo. Em terra de isolamento social, fazer e compartilhar arte nunca foi tão essencial. Se antes, era colocada em segundo, ou até terceiro, plano, agora, no chamado “novo normal”, virou alimento da alma e combustível para o corpo. Isso porque essa manifestação humana, que começou a se desenvolver lá na Antiguidade, tem funcionado nesses tempos como uma válvula de escape para muitas pessoas, tanto para quem produz quanto para quem consome.

No período Pré-Histórico, por exemplo, os homens utilizavam a arte rupestre para gravar nas paredes das cavernas fatos marcantes da existência. A história da humanidade e da arte, desde sempre, estiveram entrelaçadas. “Quem faz, consegue expressar seus sentimentos, colocar seu ponto de vista em superfícies e quem consome pode ter novas ideias, inspirações e novos olhares e reflexões. Ou até mesmo se divertir. O objetivo ao verem as artes expostas é que também se motivem a fazer algo”, explicou a professora de História e Arte, e também jornalista, Ludmila Fontoura.

A partir desse contexto de distanciamento, após notar que muitos amigos passaram igualmente a se dedicar aos trabalhos artísticos como forma de manterem a saúde mental em dia, a professora se reuniu, virtualmente, com a cantora e compositora Adriana Teixeira e o fotógrafo da Um pouco mais de IS0, Danilo Cunha, e apresentou a ideia da página Pensamentos em Isolamento, no Facebook, um espaço de artes e humanidades.

A página, que hoje já conta com mais de 200 seguidores, foi criada no dia 21 de março, para reunir os trabalhos dos “arteiros”, artistas e inspirados para um mundo melhor nesse período de isolamento. A iniciativa nasceu em Mogi Mirim, mas é aberta a todos. “O começo do isolamento social no Estado de São Paulo gerou uma grande ansiedade nas pessoas e eu também me senti assim. Numa semana, estava cheia de compromissos e aulas e, na metade da outra (semana do dia 17 de março), tudo paralisado e a cabeça totalmente confusa. Uma das saídas que arrumei para tentar me ocupar foi voltar a praticar arte, com mais afinco ainda”, contou Ludmila.

Segundo a professora, a intenção era ter onde postar seus trabalhos e dos colegas, funcionando como uma espécie de exposição virtual; um local que reunisse tudo e aberto para outras pessoas participarem. A página engloba diversas expressões artísticas, como fotografia, pinturas em telas, papel, em guardanapo, flores artesanais, vasos, esculturas, música, aulas de teatro on-line (em vídeo), poesias autorais, poemas narrados por grupos e contação de estórias. “Além disso, tem até uma postagem de uma horta, que é para incentivar todo o trabalho relacionado com as mãos também”, completou Ludmila.

Mogi Guaçu, São Paulo, Itapira, Campinas, Conchal e Santo Antônio de Posse são outras cidades envolvidas na iniciativa, que conta até com uma participante dos Estados Unidos, com familiares residentes em Mogi Mirim. O público majoritário da página são pessoas com idade entre 25 e 45 anos, mas há colaboradores que têm a partir de 13 e mais de 65 anos.

Ainda que distantes fisicamente, a tecnologia tem sido uma aliada na manutenção das relações sociais. “Tem pessoas que enviaram materiais, mas eu nunca vi pessoalmente. Um foi convidando o outro... E era essa a ideia mesmo. Também foi uma forma da gente se aproximar e colocar o papo em dia, mesmo que pela internet, e de mais pessoas conhecerem uns os trabalhos dos outros”, destacou a professora.

Perfil de Mulher, de Nicole S. Favareto, Mogi Guaçu, papel A4 e aquarela (Foto obra: Pensamentos em Isolamento)

O MASP EM CASA
Mesmo fechado, o Museu de Artes de São Paulo (Masp) Assis Chateaubriand preparou alguns conteúdos digitais para continuar levando arte e a programação do museu para os lares do Brasil. Todas as terças-feiras, o perfil do @masp no Instagram indica uma obra do acervo do museu que servirá de inspiração para crianças e adultos desenharem. Aqueles que quiserem participar do desafio deverão publicar seus desenhos até 23h59 de domingo na mesma rede social marcando o @masp e usando #maspdesenhosemcasa.

Na segunda-feira, o museu publica alguns desenhos selecionados em seu Instagram e os autores receberão um vale Amigo Masp grátis. Às quartas, 16h, o museu promove, também no Instagram, um encontro virtual do projeto Diálogos no acervo. Nele, seguidores são apresentados a obras da coleção do museu por meio de elementos que compõem cada trabalho, como biografia do artista, técnica e contexto histórico.

O programa, que apresenta a obras da coleção do museu por meio de elementos que compõem cada trabalho, como biografia do artista, técnica e contexto histórico, foi adaptado para o ambiente digital durante a quarentena. A Live semanal do Masp acontece às quintas-feiras, no Instagram do @masp, com conversas entre curadores do museu e convidados. 

Além dos conteúdos habituais nas mídias digitais do museu (como os #TBTs que resgatam momentos históricos), a nova série masp [curadoria] em casa leva ao Instagram, Facebook e Twitter comentários de curadoras e curadores sobre uma imagem relacionada ao museu a partir de uma perspectiva pessoal. Pode ser uma obra, um detalhe da arquitetura, uma exposição, uma atividade, uma palestra ou um seminário, do passado recente ou remoto. Outro novo projeto de conteúdo é o masp [colaboradores] em casa, que leva aos perfis das mídias sociais as memórias dos colaboradores através do olhar particular daqueles que constroem os bastidores.do museu.

O Masp Áudios, aplicativo gratuito disponível para download, reúne cerca de 170 comentários feitos por curadores artistas, professores, pesquisadores e crianças sobre as obras mais icônicas do acervo. Está disponível para download na App Store e no Google Play. O canal do YouTube traz os vídeos de seminários e palestras, entrevistas com os artistas e outros detalhes sobre algumas exposições. No Google Arts & Culture ainda é possível fazer um tour virtual e explorar a exposição permanente do Masp, o Acervo em Transformação.

Como participar e enviar os trabalhos?
Qualquer pessoa que quiser compartilhar sua arte pode participar. Para isso, basta entrar em contato pela própria página no Facebook. “Tem algumas regrinhas que criamos para as postagens, como não ser conteúdo de ódio, por exemplo. Nos chame no inbox com suas ideias! Juntos podemos amenizar, criar e inspirar. Se cada um só postar na sua página, o conteúdo pode ser visto apenas pelos seus contatos. A ideia é termos uma grande rede com boas energias!”, detalhou a professora. As regras são as seguintes:

1 - Mande sua ação pelo inbox;
2 - Nossos administradores irão avaliar, pois só serão aceitas as ideias inspiradoras, com motivação e conscientização;
3 - Se for para comentar com tragédias, o conteúdo será excluído (sabemos do período em que vivemos, mas o grupo é justamente para ter o espaço do "ufa").

Nenhum comentário:

Deixe um comentário

Scroll to top