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‘Sofro perseguição política’, diz Samuel Cavalcante

Flávio Magalhães

O vereador Samuel Cavalcante (PL) quebrou o silêncio. Na última quinta-feira, dia 28, ele conversou com jornalistas por aproximadamente uma hora. Na ocasião, contestou as provas apresentadas na denúncia que sofreu por suposta prática de “rachadinha”, criticou os vereadores responsáveis pela investigação, bem como os denunciantes e até rivais políticos.

O parlamentar não tem dúvidas de que sofre uma “violenta perseguição política”. Só ficou em silêncio nos últimos meses porque queria preservar seus pais, ambos em idade avançada, “de todas as maneiras”. Agora, após a Comissão Processante que o investigava ser paralisada por ordem judicial e caducar sem conclusão, conforme noticiou A COMARCA no último sábado, 23, Samuel julgou que é hora de falar. E falou.

Primeiramente, desqualificou seus denunciantes: Adauto Donizeti Sebastião e Emanuel Axel Lucena da Silva. O primeiro foi assessor parlamentar de Samuel na Câmara Municipal. O outro, segundo o próprio vereador explicou, prestou alguns poucos serviços na criação de artes visuais para mídias sociais, de forma esporádica.

“Exonerei o Adauto porque ele não correspondia às minhas expectativas de trabalho”, explicou o vereador, que credita a isso a motivação das denúncias de seu ex-assessor. “É muito difícil perder um cargo bem remunerado desses”, apontou. Após a demissão, Adauto teria se associado a Emanuel para dar início às denúncias.

Sobre Emanuel, afirmou que o seu denunciante mente o currículo que apresenta em redes sociais. “Mal terminou a oitava série”, garantiu. Além disso, declarou que o jovem frequentemente pedia dinheiro nas dependências da Câmara Municipal para comer. “Quando ele me denunciou, estava usando as roupas que eu mesmo dei de presente a ele”, disse ainda o vereador. “Evitei falar dele antes porque é um coitado”, resumiu.

COMISSÃO
Samuel frisou que não teve o seu direito de defesa respeitado pela Comissão de Ética. “Eu implorei para que parassem e me ouvissem, mas Tiago Costa e Maria Helena foram irredutíveis”, explicou. “Feriram o devido processo legal, fecharam o relatório sem o meu depoimento. Nem ouviram minhas testemunhas”, completou o vereador, que atualmente estuda Direito em Engenheiro Coelho.

De acordo com o parlamentar, os problemas continuaram na Comissão Processante. “Também não fui ouvido. O presidente Jorge Setoguchi não tinha autoridade, parecia um servo da Maria Helena”, disparou. Para Samuel, isso demonstra a existência de “interesses escusos, partidários, políticos e covardes”.

PROVAS
O vereador minimizou as provas apresentadas pelo seu ex-assessor, dizendo que os recibos em poder de Adauto são referentes a pensões alimentícias que Samuel paga à ex-esposa. O parlamentar explicou que era comum delegar ao seu então funcionário atividades de confiança relacionadas à sua vida particular.

Além disso, disse que pediu a quebra de sigilo bancário de Adauto à Comissão de Ética e fez questão de entregar os seus próprios extratos bancários referentes aos últimos dois anos. Samuel afirmou que a fragilidade das provas é tanta que o Ministério Público sequer abriu um inquérito civil mediante a denúncia. A COMARCA apurou que, de fato, não há inquérito sobre a suposta “rachadinha”, mas o MP ainda investiga o caso. Os prazos estão suspensos em razão da pandemia de Covid-19.

MOTIVAÇÕES
Samuel acredita que seus denunciantes foram usados por outros nomes do meio político. Um deles, citado pelo vereador, seria o pré-candidato a prefeito Elias Ajub (Republicanos). A justificativa seria o fato de Samuel articular a pré-candidatura de Juliana Mestriner (PL) no meio protestante, setor em que Ajub também busca apoio majoritário. “Se a Juliana crescesse, o Elias cairia”, explicou.

Afirmou ainda que Maria Helena Scudeler de Barros (MDB) quis usar o caso como palanque político e que Moacir Genuário (MDB) é movido à vingança, por ter sido derrotado nas eleições municipais de 2012, ao lado de Flávia Rossi (PSDB), pelo grupo político de Gustavo Stupp, o qual Samuel fazia parte. Disse também que Tiago Costa (MDB) é marionete de ambos.

OUTRO LADO
A COMARCA procurou as pessoas citadas nominalmente por Samuel durante a coletiva. Adauto disse que não é verdadeiro o fato de que o vereador estaria descontente com seu trabalho como assessor, na época em que foi exonerado. E afirmou que conheceu Emanuel por intermédio de Samuel. Disse, inclusive, que o dinheiro proveniente da “rachadinha” era o que pagava os serviços de Emanuel e a pensão alimentícia da ex-esposa de Samuel.

Já Emanuel afirmou que as declarações do vereador são uma tentativa de humilhação. “Como um pedinte morava no Jardim Brasília e tinha carro próprio?”, questionou. Para A COMARCA, ele reafirmou seu currículo em “várias câmaras”, além de ter exercido cargos de chefia de gabinete e de tabelião substituto. Alegou também que seu serviço ao vereador não se limitava a artes visuais, mas era, na verdade, uma assessoria. “O que fosse relativo ao mandato dele, eu fazia”, garantiu.

O vereador Jorge Setoguchi (PSD) se disse surpreso com as declarações de Samuel. “Justamente no dia em que íamos ouvi-lo, foi dado o mandado de segurança interrompendo os nossos trabalhos”, relembrou. “Primeiro ouvimos os denunciantes, como manda a lei, depois o denunciado”, frisou. Setoguchi também rebateu as críticas de que não tinha autoridade dentro da comissão. “Não sou centralizador, essa é a minha forma de trabalhar, inclusive quando fui presidente da Câmara Municipal”, pontuou.

Moacir Genuário negou que seja movido à vingança contra Samuel. “Não vivo de passado. E perder faz parte do jogo, sempre soube perder e ganhar”, afirmou. “O que eu quero é que essa denúncia seja averiguada. Se ele [Samuel] se ofendeu, é porque a verdade dói”, concluiu. 

Tiago Costa, por sua vez, garantiu que Samuel teve direito à defesa na Comissão de Ética. Tanto que entregou sua defesa por escrito. “Não foi no atropelo”, ressaltou. Rebateu ainda as críticas de que seria uma “marionete” de seus colegas de partido. “Caminho com minhas próprias pernas, ao contrário da escola dele, que é a escola de Gustavo Stupp. Se tem alguma marionete, não sou eu”, disse.

Maria Helena disse acreditar que as declarações de Samuel são uma tentativa de “intimidar” a Câmara Municipal. “Ele se defende acusando. São sinais de desespero”, classificou. A reportagem de A COMARCA não conseguiu contato com o Elias Ajub até o fechamento desta edição.

O vereador minimizou as provas apresentadas e teceu críticas a colegas da Câmara (Foto: Arquivo/A COMARCA)


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