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Avós usam tecnologia para tentar amenizar saudades dos netos

Ana Paula Meneghetti

“A saudade é muito grande”, expressou a viúva Regina Helena Manco Guarnieri, de 68 anos, e avó de quatro netos. A palavra só existe na Língua Portuguesa, mas gera um sentimento universal e, certamente, compartilhado entre muitas famílias, principalmente entre os avós, que estão em  isolamento social, imposto desde março, devido à pandemia do novo coronavírus.

Só ao tocar nesse assunto, durante a entrevista, Regina revelou, ao telefone, que seu “coração já estava apertado”. Por estar cuidando da mãe, de 89 anos, ela tem visto os netos; dois meninos, de 16 e  13 anos, e duas meninas, de 8 e 5, apenas por vídeos. Neste dia dedicado aos avós, as lembranças dos momentos juntos, fisicamente, se fazem mais presentes, contudo, o momento deve ser celebrado à distância.

Nesse ponto, a tecnologia é uma ferramenta que tem ajudado bastante. Para suprir a falta, ela também entra no Facebook e revê as fotos tiradas com as crianças ou recorre ao grupo da família, criado no WhatsApp. “É o que salva”, garantiu a vovó. Por outro lado, Regina concorda que nada possa substituir, e ser melhor, do que o carinho de um contato físico.

“Tudo fica difícil. No começo, eu fiquei depressiva. Não estava bem; meu coração começava a acelerar e precisei buscar ajuda médica”, contou a viúva. A mudança de vida na pandemia foi drástica e, por isso, Regina sentiu as consequências no próprio corpo. A rotina passou da correria à monotonia. “Fazia tudo. Eu não acho falta de ir ao banco. A única coisa que acho falta é dos meus filhos comigo e netos”, afirmou, ao recordar os tradicionais almoços, aos domingos ou em comemorações.

De personalidade amorosa e acolhedora, ainda em abril, ela não deixou a data “passar em branco” e conseguiu fazer 78 ovos de Páscoa para compartilhar entre seus familiares e pessoas conhecidas.  Daqui alguns meses, Regina disse que estuda uma maneira para poder ver os netos, com segurança.  "Talvez, usar uma capa de chuva, além da máscara, para poder abraçá-los”, cogitou.

O confinamento de Maria Aparecida Silveira Abbiati, de 76 anos, começou no dia 14 de março. Ela  também vê os netos, dois adolescentes de 13 e 17 anos, por meio de vídeos no celular, já que os meninos moram com os pais em Piracicaba-SP. Além da idade, ela é asmática, tem pressão alta e diabetes. Por isso, todo cuidado é imprescindível durante uma visita. Quando os netos vêm para Mogi Mirim, usam máscara e respeitam o distanciamento social. Sem sair há mais de 100 dias, os afazeres do dia a dia, na rua, ficam por conta do outro filho, que reside na mesma casa.

No Brasil e em Portugal, o Dia dos Avós é comemorado dia 26 de julho. Por ocasião da data, em que a Igreja celebra Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus, os bispos portugueses
divulgaram uma mensagem especial, em reportagem do jornal vaticano L’Osservatore Romano: "os avós são um tesouro. No tempo em que vivemos, devemos dizê-lo claramente", porque "aquele
que foi curado será capaz de cuidar, aquele que aprendeu poderá ensinar, aquele que foi protegido será capaz de proteger, aquele que foi amado saberá amar".

Regina Helena Manco Guarnieri, de 68 anos, revela "aperto no coração" só ao tocar no assunto, durante entrevista para o jornal (Arquivo pessoal)


Guia do coronavírus para idosos – como se proteger


1 - FIQUE EM CASA
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com mais de 60 anos permaneçam em casa. É indicado, ainda, que o idoso fique apenas na companhia de pessoas que também estejam isoladas, para evitar a possibilidade de contaminação.

2 - CRIANÇAS E IDOSOS NÃO DEVEM MANTER CONTATO
Por causa da transmissão comunitária no país (quando não é mais possível saber a origem da infecção por já ter se alastrado aleatoriamente), crianças que não estiverem em isolamento não devem ter contato com idosos. Mesmo se não houver sinais da doença, já que cerca de 30% das crianças que contraem o novo coronavírus são assintomáticas.

3 - PREFIRA A VACINAÇÃO EM DOMICÍLIO
Desde 23 de março, a vacina contra a Influenza está disponível nos postos de saúde de todo
o país. Pessoas com mais de 60 anos precisam se vacinar, mas devem escolher horários de pouco movimento ou pedir a vacinação em domicílio. Alguns municípios terão vacinação em farmácias especificamente para esse público. Importante frisar: a vacina contra influenza não previne o coronavírus.

4 - NOS ASILOS
Idosos que vivem em instituições de longa permanência não devem receber visitas, pois são mais fragilizados e têm maior possibilidade de complicações. As equipes de saúde dessas instituições devem, inclusive, redobrar a atenção com sua higiene pessoal e com o uso de máscaras.

5 - CUIDADORES BEM CUIDADOS
A indicação é que cuidadores aumentem seus turnos, permanecendo por mais tempo no domicílio do idoso, evitando assim os traslados. Quando isso não for possível, o profissional precisa ter maior atenção com a higiene. O cuidador deve tirar os sapatos e trocar de roupa quando chegar da rua. Ele também deve higienizar as mãos antes e depois de ter contato físico com o idoso. Se esse cuidador apresentar qualquer sintoma de gripe ou resfriado, deve ser afastado imediatamente.

6 - ABANDONE O LENÇO DE PANO
Após um espirro, o vírus pode ficar por muito tempo no pano. Então, caso o lenço vá para o bolso, as mãos podem ser contaminadas mais tarde. O idoso deve dar preferência a lenços de papel descartáveis e cobrir nariz e boca com o braço ao tossir ou espirrar.

7 - NÃO COMPARTILHE UTENSÍLIOS
Copos, talheres, pratos e garrafas não devem ser compartilhados. O mesmo vale para vestimentas, lençóis e fronhas.

8 - HIGIENE COM AS COMPRAS
É preciso ter cuidado também com as embalagens de alimentos. Há duas maneiras de se fazer isso: sempre limparas mãos depois do manuseio ou higienizar as embalagens com álcool 70. Na falta do álcool,pode-se usar água e sabão.

9 - MENOS AR-CONDICIONADO
Em casa, o idoso deve ligar menos o ar-condicionado, dando preferência por deixar as janelas abertas para ventilação natural. É importante, também, evitar ambientes fechados com ar-condicionado, como shoppings, ônibus ou carros.

10 - SAÚDE EM DIA
Deve-se fazer atividade física ou se movimentar bem em casa. Uma boa alimentação, beber muita água e um bom sono também são essenciais. A ida ao médico deve ser realizada apenas em situações
de emergência. Consultas de rotina, neste momento, não são recomendadas.

Fonte: Maísa Kairalla, geriatra e presidente da Comissão de Imunização da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).




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