!


Morre Tóride Celegatti, aos 83; relembre biografia do artista plástico e historiador

Morreu na manhã deste sábado, aos 83 anos de idade, o artista plástico e historiador Tóride Sebastião Celegatti. Ele lutava contra um câncer e morreu em decorrência do agravamento de um quadro de pneumonia. 

Considerado um dos principais nomes da Cultura de Mogi Mirim, Tóride é autor de obras que retratam a cidade através de livros históricos, maquetes, produções de instrumentos musicais, esculturas, pinturas, e também de restaurações, como o menino do guarda-chuva de cascata da Praça Floriano Peixoto, o Jardim Velho, além de comerciantes e industriários.

Além disso, era detentor de um acervo histórico completo, formado por livros e fotografias sobre a história do município. Suas maquetes retratam o início de Mogi Mirim, a Estação da Mogiana, ao lado do Espaço Cidadão, a Praça da Bandeira, em frente ao Colégio Imaculada Conceição, a Igreja Nossa Senhora do Carmo e o então Teatro de Tábua, antigo prédio próximo ao Jardim Velho.


Tóride durante exposição de suas obras, organizada pelo Cedoch de Mogi Mirim, em 2016 (Foto: Rogério Manera/Cedoch)

Como forma de homenagem a Tóride, A COMARCA republica uma coluna da pesquisadora Rosana Bronzatto especialmente dedicada ao artista plástico, publicada na edição impressa de 27 de junho, contando sua trajetória e história de vida. Confira:


Um obelisco para a posteridade

Tóride Sebastião Celegatti


Por Rosana Bronzatto


O último dia 22 de junho foi de glória para o artista plástico Tóride Sebastião Celegatti, construtor de maquetes, de instrumentos musicais e de telescópios e autor de valiosas peças de arte, incluindo o obelisco apresentado no ano passado, que marcou os 250 anos de Mogi Mirim. Na ocasião, tomou-se a iniciativa de decidir o local onde será edificado o citado obelisco: a nova área de lazer e espetáculos, ao lado do Centro Cultural “Lauro Monteiro de Carvalho e Silva”, na Avenida Santo Antônio. Em meio à argamassa e aos operários, os amigos de Tóride aplaudiram-no efusivamente, ao apor sua assinatura no marco inicial representativo da peça histórica. Espera-se o fim das obras, daqui a alguns meses, para que a grei mogimiriana conheça mais essa rica obra de arte idealizada pelo artista e professor Tóride, que proporcionará beleza e leveza ao novo espaço para shows e eventos culturais, a ser inaugurado ainda em 2020.

O prefeito Carlos Nelson Bueno e os secretários Beto Amorim, Flávia Rossi e Marquinhos Dias, dignos representantes da Administração Pública, merecem os sinceros cumprimentos da coluna. Desejamos que, em breve, possamos nos reunir novamente para a festa de inauguração do espaço, ocasião propícia para saudar novamente o amigo Tóride e seus familiares.


Eis alguns momentos da manhã de segunda-feira, com Tóride assinando o seu nome artístico no cimento fresco, ao lado de autoridades, da esposa Elza, filhos, netos e de amigos
Não cremos que haja alguém em Mogi Mirim que ainda não tenha ouvido falar do amigo Tóride e suas maquetes. Aliás, mais duas já estão prontas para apresentação ao público: a do Clube Recreativo e a da Igreja Matriz Santa Cruz, cujas fotos serão exibidas, oportunamente. Tóride comparece por aqui com suas “Pinceladas”, para relembrar fatos e fotos, o que muito me honra, porque ele foi um grande incentivador para que eu desse prosseguimento na tarefa de registrar a história da cidade. Sua atitude, autorizando o uso de seu acervo de mais de dez mil fotografias, reflete a humildade e a grandeza em uma só pessoa, a impulsionar e a valorizar meu trabalho voluntário. Obrigada pela amizade!

É hora de ler novamente a biografia desse grande homem. O filho de Benedito e Melaíde nasceu em 8 de fevereiro de 1937 (mas foi registrado em 25 de maio), estudou na Escola “Coronel Venâncio” com as melhores professoras de seu tempo: Maria de Lourdes Vasconcellos Zingra, Regina Maria Tucci, Porfíria Lígia de Araújo Rosas, Melânia de Azevedo Leite Hortêncio e Lourdes Xavier.


Tóride trabalhou desde criança, carregando malas de viajantes, entregando roupas para o tintureiro Sebastião Cortez, lavando vasilhas de barro para Estanislau Krol e consertando sapatos na oficina de Germano, nas tipografias de Adib Chaib e da Casa Cardona. Aprendeu a manusear o torno na Indústria Eletrônica Balestro e na Indústria de Transformadores Marangoni. Passou pelas Mecânica Martini, Cerâmica Martini e Cerâmica Mogi Guaçu. Desejando voltar a trabalhar em Mogi Mirim, foi admitido na Indústria alimentícia Carlos de Brito – Peixe. Passou pela Replan, Tenenge, Chicago Bridge e Sertep, com sede em Paulínia e, de volta a Mogi Mirim, passou pela Maremont, Tropsuco e Baumer. O conjunto de atividades propiciou a Tóride a bagagem que necessitava para abrir o seu próprio negócio.  Com seu cunhado, fundou a oficina mecânica Santa Maria, onde pode desenvolver projetos para várias empresas de tecnologia de ponta, o que o levou a fundar a empresa “Tóride Indústria Mecânica”, onde se aposentou, legando-a a seus filhos, que a mantém em funcionamento até hoje.



Tóride, aos 6 anos, com a mãe Melaíde e o tio Henrique
Tóride Celegatti aos 16 anos de idade

Tóride casou-se com Elza Zeferino em 28 de maio de 1960 e com ela teve os filhos José Eduardo, Paulo Roberto, Tóride Filho e Sandra Regina. É avô de Felipe, Tatiana, Carolina, Gustavo, Gabriela, Manuela, Guilherme, Kamila e Bianca e bisavô de Alice. Em 2010 houve a renovação dos votos de amor e de fidelidade, na cerimônia das Bodas de Ouro, junto aos filhos, noras, netos e bisneta.

28 de maio de 1960 –  O casamento de Tóride e Elza
Seu lado artístico despertou e foi doutrinado pela convivência com os artistas Felipe Defino e Simão Pizza. Tóride desenvolveu o gosto por coleções variadas, que envolvem selos, medalhas, material de demolição de prédios históricos da cidade, instrumentos musicais antigos, dentre outras relíquias. Tóride fabricou um telescópio e desenvolveu projetos interessantes voltados à música, construindo gramofones, violinos, harpas, alaúdes, cítaras, violoncelos e peças musicais utilizadas por antigos, no oriente, além de vitrolas adaptadas. Sua sensibilidade e destreza possibilitou desenvolver uma agulha para que um oftalmologista pudesse operar o amigo Deodoro Maggiotti Filho, o Déo. Ele é o autor de obras que retratam a história da cidade pelas inúmeras aquarelas e livros históricos que publicou.

Teve a oportunidade de fazer o cenário para peças artísticas que eram encenadas no Theatro São José e também para as peças de ballet de Eliana Furno Machado. Retratou com fidelidade, em óleo sobre tela, Francisco Alves, João Mendes de Almeida Júnior, entre outros; a Câmara Municipal recebeu, em 1984, o quadro do presidente da Província João Teodoro Xavier de Matos, e, depois, de Francisco Piccolomini, de Santo Róttoli e de doutor José de Abreu Prado. Algumas de suas produções estão atualmente em galerias ou residências dos EUA, Argentina, Chile, Alemanha, Japão, Canadá, Inglaterra, Bolívia, Itália e França. Suas esculturas foram premiadas no Salão de Artes Plásticas de Mogi Mirim. Ensinou pintura para alunos da Oficina de Artes Plásticas do Centro Cultural. Em 1985, refez o menino do guarda-chuva para a cascata da Praça Floriano Peixoto (Jardim Velho) e os bustos de grandes personalidades de comerciantes e industriários da cidade.

Tóride conhece a arte de restaurar lustres, peças, arte sacra e telas a óleo. Construiu várias maquetes, apresentando com realismo impressionante as ruas, igrejas, teatros e casarios antigos de Mogi Mirim, destaques para a Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e para a Praça da Bandeira, com o “castelinho de força” e de distribuição de energia elétrica. Tóride pintou tetos das capelas de vários sítios, o que lhe valeu o codinome “Michelangelo de Mogi Mirim”. Realizou inúmeras exposições; a última, de outubro de 2016, organizada pelo Centro de Documentação Histórica (Cedoch) “Joaquim Firmino de Araújo Cunha”, recebeu numerosas visitas de pessoas daqui e da região, com projeção em telejornais de Campinas, inclusive.

Maquete da Cia Mogiana de Estradas de Ferro
Maquete da Praça da Bandeira
Foi condecorado com a Medalha João Teodoro, em 1991, a comenda mais importante da cidade. Recebeu, ainda, o “Sapo de Ouro” das mãos de Santo Róttoli e muitas menções honrosas e prêmios por sua participação em eventos e associações culturais. A passarela da rodovia SP 147, km 58, recebeu o seu nome, pela Lei nº 14.039/2010.

A professora Maria Elizabeth Ceregatti Zingra é autora da biografia de Tóride. Em todos os empregos que teve destacou-se pela eficiência e pela criatividade, tendo angariado muitas amizades em todas as empresas por onde passou. Os livros que publicou demonstram seu interesse pela história de Mogi Mirim e Tóride se mostra, sempre, uma pessoa gentil, bem humorada, generosa, solidária e de uma vitalidade muito grande que faz com que nada o impeça de estar em atividade, seja atendendo as solicitações de sua amada família, seja ajudando os amigos ou dedicando-se às suas criações artísticas. O livro de Beth Zingra foi lançado no Clube Recreativo, com grande festa.


Natal de 2004 – Tóride com Pintaca
Finalizamos essa página com Tóride e amigos, em vários eventos culturais da cidade, ao longo dos anos.

Tóride com os amigos: professora Rosana Balbão

Tóride com os amigos: o então presidente da Acimm, Luiz Guarnieri

Tóride com os amigos: com Joaquim (Alemão) Alves Silva e vereador Alexandre Cintra

Tóride com os amigos: minha mãe, Odete Megiatto Bronzatto

1 comentários:

Scroll to top