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Cheques de repasses à Lifamm percorrem 3 cidades e voltam

Diego Ortiz

Dois dos cheques devolvidos da conta do Termo de Colaboração da Liga de Futebol Amador de Mogi Mirim (Lifamm) com a Prefeitura, ambos no valor de R$ 1,8 mil, totalizando R$ 3,6 mil, percorreram três empresas de cidades diferentes, foram depositados, devolvidos e retornaram para a cidade de Mogi Mirim. Recentemente, em agosto, quando a conta já estava com recursos relativos a movimentações irregulares devolvidos pela Lifamm, os cheques voltaram a ser depositados, no último dia 3 de agosto, mas não houve êxito na compensação. No dia 5 de agosto, ambos foram devolvidos novamente.

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Nas últimas semanas, a reportagem de A COMARCA acompanhou o trânsito dos cheques e conversou com integrantes das três empresas por onde eles passaram, mas não houve explicação sobre qual o produto adquirido pela Liga com os pagamentos, que, caso caíssem, resultariam em mais débitos da entidade em uma conta onde obrigatoriamente deveriam ser movimentados apenas os recursos públicos destinados ao Plano de Trabalho relacionado a organizações de competições de futebol e somente poderiam ocorrer transações eletrônicas.

A COMARCA questionou a integrante de uma empresa de sistema de segurança e alarmes de Artur Nogueira, a primeira a receber os cheques sobre qual serviço havia sido contratado ou produto adquirido, mas ela não quis abordar o assunto e disse ter recebido as folhas de terceiros, indicando que o tema deveria ser abordado diretamente com a Liga.

O responsável pela passagem dos cheques da Liga para a empresa foi o ex-técnico do Martim Francisco na Copa Rural, Júnior, que atua no ramo de segurança. Em contato com A COMARCA, em julho, Júnior disse à reportagem que estava com as duas folhas novamente. Os cheques retornaram para Júnior após atravessar três cidades. Porém, Júnior, que estava tentando receber o valor devido pela entidade, não respondeu sobre qual o serviço contratado ou produto adquirido pela Liga.

A primeira empresa para onde o cheque foi destinado depois de deixar a Liga, via Júnior, foi a empresa de sistema de segurança, de Artur Nogueira. Posteriormente, esta empresa repassou os cheques a uma empresa de automação e segurança eletrônica, de Campinas. Em seguida, houve a transferência dos mesmos para uma indústria e comércio de Automatizadores, de Garça-SP, que efetuou os depósitos e os cheques foram devolvidos.

Em seguida, os cheques refizeram todo o caminho e retornaram para as mãos de Júnior, em agosto. Foram, então, depositados novamente, mas, outra vez, houve a devolução.

EMPRESAS
Procurada por A COMARCA, uma representante da empresa de Campinas, designada para abordar o tema com o jornal, disse não saber por qual motivo chegou um cheque de uma Liga de Futebol para a empresa de Artur Nogueira. Mas contou, em julho, que os cheques já haviam retornado de Garça e enviados para Artur, novamente. Ela explicou que teve que fazer o pagamento para a empresa de Garça enviar os cheques para ela, então, encaminhar para a de Artur Nogueira.

A integrante da indústria de automatizadores de Garça, que depositou as folhas em abril e maio, explicou ser uma fábrica que vende seus produtos para distribuidores, recebendo em boletos ou cheques. Então, recebeu as folhas de seu cliente, a empresa de Campinas de automação e segurança eletrônica. Nos casos dos cheques voltarem, explicou que faz a cobrança para o distribuidor, que fazendo o pagamento, devolve as folhas. Foi justamente o que aconteceu e, em 8 de julho, os cheques foram devolvidos de Garça para Campinas, voltando, em seguida para Artur Nogueira.

SUELI
Procurada por A COMARCA para abordar os cheques, a presidente da Lifamm, Sueli Mantellato, se recusou a conversar com a reportagem. A COMARCA questionou o diretor financeiro, Nawan Silva, que disse não ter participação em questões ligadas a cheques, por ser algo relativo ao tesoureiro e apontou que quem poderia falar sobre o assunto seria Sueli. A reportagem procurou o tesoureiro Felipe Sales, que disse ter essa função apenas no papel, mas não exercê-la. Apontou que quem exerce na prática essa função é Sueli.



Devoluções envolvem quatro motivos diferentes

As devoluções dos dois cheques em nome da Liga de Futebol Amador de Mogi Mirim (Lifamm) que passaram por três cidades diferentes envolveram, na soma das cinco tentativas de depósito, quatro motivações diferentes: falta de fundos, divergência/insuficiência de assinatura, sustação ou revogação e cheque devolvido anteriormente por outros motivos. 

A COMARCA teve acesso a imagens desses cheques e, em função da Lei de Acesso à Informação, a documentos relativos a movimentações realizadas na conta do repasse. Os dois cheques contam com assinatura da presidente Sueli Mantellato e têm data de 31 de janeiro de 2020, ambos no valor de R$ 1,8 mil. Um deles foi pré-datado para 12 de abril e outro para 12 de maio.

Um dos cheques foi depositado no dia 13 de abril e voltou no dia 14, pelo motivo de falta de fundos. Esta movimentação gerou uma taxa de devolução de R$ 0,35. No dia 15, o cheque voltou a ser depositado. No dia 17, voltou novamente, desta vez, pelo motivo de divergência/insuficiência de assinatura. Esta devolução gerou uma taxa de R$ 1,05. Em 3 agosto, o cheque foi novamente depositado e, no dia 5, voltou, desta vez, pela motivação de já ter sido devolvido anteriormente por outros motivos, não sendo passível de reapresentação em virtude de persistir o motivo da devolução. 

O outro cheque foi depositado no dia 12 de maio. No dia 13, foi devolvido, pelo motivo de impedimento de pagamento por ter sido sustado ou revogado. Esta devolução gerou uma tarifa de R$ 0,35. Em 3 de agosto, voltou a ser depositado e no dia 5, retornou, novamente, por sustação ou revogação.

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