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Com liberdade, Davi Albano segue os passos do pai

Diego Ortiz

Para quem conhece a origem familiar do garoto de 11 anos, é praticamente impossível não olhar para Davi correndo e deixar de imaginar um futuro esportivo nas trilhas do pai Ivan Albano Júnior, de 46, triatleta, com 29 participações em Ironman e tetracampeão do Ultraman Brasil. O DNA vencedor já parece carregado em suas veias, com títulos de campeão em corridas contra garotos de até 19 anos.

Com liberdade para as próprias escolhas, Davi Albano seguiu para o esporte naturalmente. “Quando eu era patrocinado pela Companhia Athletica, ele era recém-nascido e minha esposa levava ele pra Campinas pra não ficar sozinho. A gente colocava ele na cadeirinha, no carro, e ela levava ele; ele ficava assistindo aos treinos na piscina. Já cresceu nesse meio, conhecendo todos os atletas. Quando tinha um ano, já me acompanhava nas provas. Nas chegadas, eu fazia questão de carregar ele com minha esposa, isso tudo está guardado dentro dele”, descreve Ivan.

Aos três anos, Davi já pedalava em bicicletas sem rodinha. Já participou de escolinha de futebol, pratica tênis de mesa, nada, pedala, faz mountain bike e corre. “Já faz todos esses esportes, sempre sem forçar, sem impor nada”, observa o pai. Questionado sobre o esporte predileto, Davi diz ser o triatlo e já sabe em quem se espelhar. “Gosto muito de ver meu pai competindo e quero ser igual ele”, revela. Porém, Davi ainda não sabe se seguirá carreira. “É muito cedo para pensar, mais pra frente, quem sabe?”, coloca, revelando ainda não ter um sonho no esporte: “Por enquanto, só realizar
(atividades esportivas)”.

Antes da pandemia, Davi se preparava para fazer sua estreia no triatlo, em prova de Pirassununga, que acabou suspensa. O menino já participou de corridas de 8 quilômetros e sagrou-se campeão em duas provas na categoria de 10 a 19 anos. Em Itapira, venceu o Terra X3. A outra vitória foi em Mogi Mirim. O pai considera o atletismo a modalidade em que Davi leva mais jeito. “Ele tem uma facilidade imensa pra correr, uma técnica muito apurada, um estilo, uma mecânica muito boa de corrida. Tem gente que até hoje corre, já mais velho, e não tem essa desenvoltura. Até mesmo considero a mecânica dele muito melhor que a minha principalmente na corrida. Já é um dom dele, nasceu com isso”, avalia.

Em corridas, Davi acompanha Ivan em diversos trechos. “Esse último Ultraman, uma das subidas mais difíceis, quando eu já tinha 60 quilômetros de corrida, ele veio do meu lado e praticamente
subiu a subida inteirinha com quase 20% de inclinação e eu fui o único atleta que subiu correndo, graças a ele, que subiu me puxando, gritando: papai, vai que você vai ser o campeão novamente”, conta. Perguntado se foi difícil acompanhar o pai na subida, Davi negou, com espontaneidade,
para risos orgulhosos do pai.

Além de esportes, Davi gosta de tecnologia, com jogos de videogame e celular. Ivan incentiva o  filho ao esporte, mas também a ter uma vida normal com os amigos.

Aos 11 anos, Davi já conquistou duas corridas de 8 quilômetros na faixa etária até 19 e se preparava para realizar sua primeira prova de triatlo, antes de a competição ser suspensa em virtude da pandemia (Foto: Ricardo Coelho/@doricardo)


'É como se fosse um pedacinho meu ali', sente Albano


Embora trate o esporte com o filho com cautela, sem cobranças e de forma lúdica, Ivan Albano Júnior admite perceber em Davi muito de suas características. “Ele tem uma raça, um instinto de vencedor, lógico, sempre respeitando os limites dele, mas já tem muita disciplina. A gente fala: vamos correr. Ele respeita, acorda cedo, se alimenta muito bem antes, é como se fosse um pedacinho meu ali. Ele vê muito a gente fazendo da maneira correta e vai se espelhando, a gente vai passando os bons exemplos. Vejo um pouquinho do Ivan Albano Júnior nele, sim”, reconhece.

A maioria das pessoas que vêem Ivan e Davi treinando juntos se encanta e incentiva. “E lógico, eu
como professor de Educação Física, sei o que estou fazendo. Às vezes, a pessoa fala: mas pode fazer isso? Lógico, desde que da maneira correta. Pode seu filho ficar comendo bolacha, no videogame, o dia inteiro? Vai fazer mal, o esporte é muito bom, na balança. Tem que ser tudo muito bem orientado e sempre de uma forma lúdica, pra eles pegarem gosto pelo esporte, é o mais importante”, frisa.

Perguntado se um dia pensa em competir na mesma prova que o filho já que tem o desejo de fazer
triatlo até os 100 anos, Ivan respondeu: “O jeito que ele anda é difícil acompanhar ele, mas tenho o sonho de competir com ele, de repente, se ele for fazer triatlo mesmo, seria tudo de bom, lógico, eu já vou estar velhinho, se Deus quiser, mas fazendo, e ele vai puxar o pai dele. Mesmo que ele esteja disputando na categoria profissional, eu vou ali dar um jeito de parar a prova e bater palma pra ele (risos)”.

O sonho de Ivan para o filho é vê-lo, sem deixar de estudar, sempre praticando algum esporte pelos benefícios proporcionados como disciplina, saúde física e mental e bom círculo de amizades. Caso Davi seja um triatleta, deve ter o privilégio de ter Albano como técnico. “Seria uma imensa honra e uma gratidão muito grande ter meu filho seguindo meus passos com eu sendo o treinador dele”, imagina.

INCENTIVO
Assim como incentiva o filho, Ivan Albano Júnior seguiu carreira, chegando a ser profissional por aproximadamente 15 anos, muito pela importância do pai, Ivan Albano. “Meu pai foi fundamental, não só no triatlo, comecei no bicicross, depois, fui pro skate, e ele sempre me incentivou, até no futebol. Quando apareceu o triatlo, ele abraçou, com todo incentivo possível”, rememora Ivan, que brinca que tinha um paitrocínio.

Na época de jovem, o pai de Ivan praticou caratê, futebol, natação, basquete e ciclismo. Como falava sete idiomas, incentivou Ivan a aprender inglês e o enviou a um intercâmbio nos Estados Unidos, onde o filho teve a chance de vivenciar a meca do triatlo, em San Diego. “Ele me acompanhava em todas as competições possíveis, era gerente geral de uma multinacional, ia muito pra outros países e, de repente, quando ia ter uma prova nos EUA, ele aparecia de surpresa pra me assistir”, recorda.

O exemplo do pai é passado para Davi. “Sempre incentivou o esporte e tento fazer o mesmo com meu filho. Em qual ele escolher, sempre vou estar de braços abertos. O mais importante é ter o apoio da família”, salienta.

Davi com Ivan, antes da prova de natação do UB515; caso siga carreira no triatlo, 􀏔ilho deve ter o pai como treinador; “Seria uma imensa honra”, imagina Albano (Foto: Malu Amoêdo Albano)

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