!


Mogimiriano participa de operação que trouxe toneladas de equipamentos ao país

Ana Paula Meneghetti

No mês passado, a Latam Brasil concluiu e fez um balanço da megaoperação de 45 voos China-Brasil para trazer milhões de equipamentos destinados ao combate da Covid-19 no país. De maio a julho, a companhia transportou, de forma inédita, 3,2 mil toneladas de insumos médicos e outras cargas, contando com apoio de 300 profissionais. Entre eles está o mogimiriano Rafael de Freitas Montoya, de 41 anos, copiloto da Latam Airlines Brasil, onde atua há quase 13 anos.

Ao todo, Montoya realizou quatro voos até a China; sempre com escalas em Amsterdã, na Holanda, para descanso antes da etapa final da viagem à Ásia. Em entrevista, por e-mail, o copiloto explicou a complexidade das viagens, cruzando 11 fusos horários e três continentes. “Na verdade, não estamos sozinhos em um voo como este”, completou. A viagem conta com duas tripulações de quatro pilotos em revezamento, além de equipes técnicas de cargas e despacho técnico.

“Importante frisar que, além da satisfação profissional em poder realizar estes voos transoceânicos em que atravessamos diversas fronteiras internacionais, é a sensação de contribuir com o bem-estar da população de nosso Brasil, trazendo ao país insumos e equipamentos médicos para o combate à pandemia, que representa a esperança de nosso povo em superar este imenso desafio mundial”, declarou Montoya, ao ser questionado sobre o fato de viver essa experiência histórica na aviação.

A carreira na Latam começou no final de 2007, como copiloto de voos nacionais nas aeronaves da família Airbus A320, e, desde 2011, é copiloto em voos internacionais, voando o Boeing 777, por vários países na América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia. Antes disso, graduou-se em Ciências Aeronáuticas, foi professor em escolas de aviação em Campinas, instrutor de voo e copiloto na Trip Linhas Aéreas.

Além dos ares, Montoya também está constantemente na estrada, entre a capital e o interior, já que grande parte de sua família reside em Mogi Mirim. “Apesar da profissão de piloto requerer que eu esteja sempre em São Paulo, de onde partem e chegam meus voos, faço questão de estar aqui (na cidade) onde há realmente qualidade para se viver”, contou.

MEGAOPERAÇÃO
Foram 45 voos em parceria com os setores público e privado que, desde maio, transportaram um total 3,2 mil toneladas de carga, envolvendo 250 milhões de máscaras cirúrgicas e N95, monitores, respiradores, outros insumos hospitalares, além do transporte, na ida à China, de diversas toneladas de frutas descarregadas na Europa.

A operação realizada pela Latam Brasil foi a primeira da companhia com destino à China e exigiu trabalho coordenado de diversas áreas para definir a melhor logística. Segundo a empresa, o primeiro voo foi realizado em 3 de maio, na rota Guarulhos-Amsterdã-Xangai e, desde então, 300 colaboradores estiveram envolvidos na operação, entre mecânicos(as), despachantes operacionais, pilotos, copilotos, supervisores, coordenadores, planejadores, funcionários(as) de carga e apoio em solo.

Para auxiliar no enfrentamento à pandemia da Covid-19, o Ministério da Infraestrutura desenvolveu, ainda em março, um plano de logística e distribuição, em apoio ao Ministério da Saúde e aos governos estaduais e municipais. O plano nacional abrangeu ações para viabilizar a chegada do material importado, articulação com órgãos governamentais que atuam nos aeroportos para prioridade no desembaraço aduaneiro e apoio na distribuição dos equipamentos nos estados.

Em abril, após realizar cotação internacional e definir o menor preço, o Ministério da Infraestrutura fechou parceria com a Latam Airlines. A empresa, por sua vez, desenvolveu uma logística especial e passou a voar com destino à China, pela primeira vez na história do grupo, preparando as aeronaves e equipes para essa megaoperação, que cruzou fusos horários diferentes. O primeiro voo com máscaras chegou a Guarulhos em 6 de maio.

OS VOOS
Dos 45 voos da megaoperação, praticamente todos foram realizados em cinco aeronaves de passageiros modelo Boeing 777-300ER, que, além de operarem de forma rotativa, ainda foram totalmente adaptadas para comportar cargas até mesmo dentro da cabine. Somente um voo foi realizado em aeronave modelo Boeing 787. No total, as aeronaves voaram juntas aproximadamente 2.800 horas por dois milhões de quilômetros, passando por 11 fusos horários ao redor do Planeta e utilizando oito destinos para pousos e escalas: Xangai, Guangzhou, Xiamen, Amsterdã, Auckland, Santiago, Rio de Janeiro e São Paulo.

“Podemos dizer com absoluta certeza que esta operação foi um sucesso. Ficamos muito orgulhosos de, mesmo diante de um desafio como este, inédito para a companhia, conseguirmos nos organizar da melhor forma para cumprir todas as entregas. Agradeço aos nossos profissionais que estiveram focados no trabalho e também aos nossos parceiros pela confiança depositada em nós”, afirmou o diretor da Latam Cargo Brasil, Diogo Elias, em nota divulgada à imprensa.

Ao todo, Montoya realizou quatro voos até a China; dos 45 voos da megaoperação, praticamente todos foram realizados em cinco aeronaves de passageiros modelo Boeing 777-300ER (Foto: Arquivo Pessoal)

Nenhum comentário:

Deixe um comentário

Scroll to top