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Maria Helena anuncia que não vai disputar reeleição em 2020

 Flávio Magalhães

Com cinco mandatos no currículo, entre 1997 e 2020, e após vencer todas as eleições que disputou para o Poder Legislativo nos últimos 24 anos, a vereadora Maria Helena Scudeler de Barros (MDB) anunciou que não vai concorrer a uma nova reeleição neste ano. A confirmação foi dada durante uma entrevista exclusiva para a reportagem de A COMARCA.

“Foi uma decisão tomada com calma. Só se efetivou quando o partido tomou uma posição que eu não esperava”, justificou a vereadora. Maria Helena preferiu não entrar em detalhes, mas seu apoio à candidatura do ex-prefeito Paulo Silva (PDT) já havia se tornado público quando o MDB decidiu apoiar oficialmente André Mazon (PTB) ao Executivo mogimiriano.

Desde então, a parlamentar não compareceu a nenhum evento público ao lado do candidato petebista, o que já alimentava especulações sobre seu futuro político. Na semana passada, em coletiva de imprensa ao lado de Mazon, o presidente do MDB, Moacir Genuário, abriu o jogo. Disse que Maria Helena não concorreria à reeleição e que respeitaria a decisão da colega vereadora, mesmo que ela deixe o partido.

E a vereadora confirmou, nesta semana, que deixará a Câmara Municipal em dezembro, com o fim do atual mandato. Será o desfecho de uma trajetória que se iniciou em 1996, pelo PSDB. Naquela ocasião, foi a última a ser eleita, dentre os 17 parlamentares. Quatro anos mais tarde, foi reeleita com votação recorde e, consequentemente, o prestígio político a levou à presidência da Câmara Municipal de Mogi Mirim no biênio 2001/2002.

Foram oito anos marcantes, com uma parceria improvável com o então prefeito Paulo Silva, à época no PSB. As diferenças ideológicas, porém, ficaram de lado. “Foram as necessidades da cidade que nos uniram”, avaliou Maria Helena. Tanto que, juntos, eram figuras frequentes no Palácio dos Bandeirantes, primeiro com Mário Covas (morto em 2001), depois com Geraldo Alckmin (PSDB), levando as demandas de Mogi Mirim ao Governo do Estado, juntamente com deputados tucanos como Silvio Torres e Carlos Sampaio.

Naturalmente, o amadurecimento e o capital políticos adquiridos em duas legislaturas credenciaram Maria Helena como a candidata governista nas eleições de 2004. Recebeu 13 mil votos, o que não foi suficiente para superar o principal nome da oposição, Carlos Nelson Bueno, eleito pelo PDT para seu primeiro mandato em Mogi Mirim. Hoje, olhando para o passado, acredita que não conduziu bem a campanha para prefeita, o que implicou na derrota.

No entanto, quatro anos depois, voltaria ao Legislativo mogimiriano, sendo reeleita em 2012 e 2016. Nos últimos 12 anos, conviveu com dois prefeitos diferentes: Carlos Nelson (PSDB) e Gustavo Stupp (sem partido). A comparação é inevitável. “Paulo Silva era um prefeito sempre disposto a ouvir. Carlos Nelson, não”, disse. “Gustavo Stupp era um prefeito dominado”, completou.

Maria Helena, aliás, foi durante quatro anos colega de Câmara Municipal de Stupp. E garante que já sabia que, se ele fosse eleito prefeito, não faria um bom mandato. “Pelo próprio comportamento dele nas sessões. Posições que ele tinha a portas fechadas não eram as mesmas que tinha em público”, lembrou. E, mesmo sendo minoria diante de uma “Bancada do Amém” stuppiana, Maria Helena não se deixou abalar pelas derrotas políticas nem por ameaças sofridas.

IDAS E VINDAS
Um episódio recente e, aparentemente, controverso foi a indicação de Maria Helena como líder do governo Carlos Nelson Bueno na Câmara Municipal, em 2018. A vereadora acredita que o convite do prefeito partiu após o julgamento das contas municipais de 2012 no Legislativo, oportunidade em que ocupava a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento.

“Não teve perseguição, agi corretamente”, lembrou Maria Helena, que defendeu a aprovação das contas, mas foi voto vencido. Por outro lado, o rompimento definitivo ocorreu na eleição da Mesa Diretora para o biênio 2019/2020. A vereadora era pré-candidata à presidência da Câmara naquela ocasião, mas alegou interferência política do Executivo na votação que elegeu Manoel Palomino (DEM). “Ele [Carlos Nelson] disse que não se envolveu, mas se envolveu”, frisou.

ENTUSIASMO
O entusiasmo de Maria Helena com a vida pública é notável, seja entre seus colegas de Legislativo ou para quem acompanha mais de perto a rotina da Casa de Leis. Esse engajamento vem desde antes de sua eleição, quando acompanhava o marido, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Albino “Bino” Barros, e presidia o Lar Aninha. Em 1989, por exemplo, foi uma das fundadoras do PSDB de Mogi Mirim.

Mas isso não significa que tenha sido fácil passar por cinco mandatos. “Ser mulher e, mais que isso, ser mulher parlamentar é um ato de coragem. Porque o Parlamento é feito para homens”, ressaltou Maria Helena. “Fico contente de poder ter contribuído para quer mais mulheres participassem da política”, disse ainda. “Deixo a Casa de Leis agradecendo a população pela confiança de poder representa-los por 20 anos. Obrigada, Mogi Mirim”, encerrou. 

'Ser mulher e, mais que isso, ser mulher parlamentar é um ato de coragem', afirmou Maria Helena (Foto: Arquivo/A COMARCA)


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