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Mel, Amora e Hana: de volta para casa

Ana Paula Meneghetti

A relação entre os homens e os cães é antiga. Quase sempre, é possível ler, ouvir ou assistir a histórias que envolvem essa forte cumplicidade: o cão à espera do dono em alguma porta da cidade ou o dono que não perde a esperança de reencontrar o seu cão. Na semana passada, três famílias mogimirianas viveram, na própria pele, essas histórias, que, muitas vezes, parecem até “coisa de filme”, como se costuma dizer.

O desfecho do roubo de um carro de pet shop, que transportava três cachorros, foi feliz. Após quase dois dias de angústia e de intensa busca, que mobilizou policiais e a Guarda Civil Municipal (GCM), Mel, Amora e Hana voltaram para casa. Toda a ação contou ainda com a ajuda de protetores, de outros pets shops e da própria população, compartilhando a postagem do caso nas redes sociais, além das denúncias, que foram fundamentais para a descoberta do paradeiro dos cães.

“No dia 27 de agosto, uma quinta-feira, por volta das 16h, passamos por um momento muito triste quando soubemos que a Amora (uma Shih Tzu de 1 ano e 8 meses) havia sido levada junto com o carro do pet. Foram momentos angustiantes. Foi um desafio contar para minhas filhas que ela tinha sido roubada", contou a professora Amanda Claudia de Oliveira Vicente.

O mesmo sentimento foi compartilhado pela família de Tatieli Aparecida Sales Cariati, dona da Mel, uma Yorkshire que ganhou de presente há 3 anos. “Foi um desespero. Ela foi pega na rua da minha casa. Ia para o pet tomar banho”, afirmou a dona de casa. O roubo ocorreu à Estrada Francisco Antonio Vômero, também conhecida como Estrada do Bairrinho, no Alto do Mirante. Segundo Tatieli, a funcionária do pet desceu do veículo, onde já estavam Mel, Amora e Hana, para pegar uma outra cachorra, de uma ONG. Porém, quando ela voltou em direção ao carro, acabou abordada por dois homens. Eles tomaram a chave, levando o automóvel do pet shop com animais.

Assim como Amanda, Tatieli têm crianças. É mãe de um casal de gêmeos, de 6 anos, bastante ligado à Mel. Ela foi a última cachorrinha a ser encontrada, no sábado, dia 29, à noite. De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela GCM, perto das 19h, a investigadora e vereadora Sônia Módena, que atua na causa animal na cidade, recebeu uma denúncia anônima sobre o paradeiro da Mel, localizando-a, então, na Rua 14 do Parque das Laranjeiras, região da zona Leste de Mogi Mirim. “Ela estava bem. Não estava machucada, estava limpa e de lacinho”, recordou Tatieli. A proprietária acredita que a cachorrinha já seria vendida para outra pessoa.

Horas mais cedo, entre 14h e 15h do mesmo dia 29, outra denúncia levou a GCM até Amora e Hana. Ambas foram resgatadas, ainda mantidas nas gaiolas do pet shop, também no bairro Laranjeiras, nos fundos de uma residência, na Rua 30. Dessa vez, a operação foi acompanhada pelo GCM e também presidente da Câmara Municipal, Manoel Palomino. Mané é outro parlamentar à frente da proteção animal.

Inicialmente, a Guarda tinha sido informada que as gaiolas foram localizadas jogadas em um matagal, às margens da Rodovia Elzio Mariotoni. Contudo, a equipe descobriu que um veículo Chevette havia levado os três cachorros, deixando-os para venda na Rua Francisco Ferreti (Rua 30).

“Foi emocionante o momento em que descobrimos que ela havia sido encontrada, pois passamos momentos muito tristes em busca dela. Minha filha tem 7 anos, se chama Rebeca, e as duas são muito apegadas. Estamos muito gratos a Deus, ao pet shop Bicho Mimado, que nos deu muito apoio, à Sônia Módena e aos policiais, que fizeram um trabalho maravilhoso, e a todos que, de alguma forma, compartilharam para que a nossa Amora voltasse para casa. Rebeca e toda a nossa família está muito feliz pelo reencontro!”, declarou a professora, em mensagem enviada à reportagem.

REENCONTRO MARAVILHOSO
A aposentada Maria Nunes Barboza, de 65 anos, também viu seu mundo desabar ao saber do roubo dos animais. Isso porque Hana veio para a casa de Maria apenas com 20 dias de vida. “Eu ganhei da filha do meu marido”, disse. A cachorrinha, mistura das raças Poodle e Shih Tzu, tem 8 meses, é porte pequeno e bem amorosa. “O reencontro foi maravilhoso porque eu já estava depressiva. Mas, a hora que ela chegou para nós, ela não queria nem olhar na nossa cara. Como se eu fosse a culpada”, relatou a aposentada, sobre a reação do animal.

Maria ficou ainda mais preocupada porque Hana tem uma alimentação diferenciada e não dorme para fora de casa. “A minha cachorra não come qualquer coisa. Não come ração. É peito de frango desfiado com arroz e vegetais crus. Ela não dorme no frio. Dorme dentro de casa, com cobertinha. É mimada. Sai de carro para passear”, reforçou.

Logo após o roubo do veículo, abandonado sem os animais pelos criminosos, Maria e sua família passaram a percorrer o Laranjeiras durante dia e noite. “Eu quase morri. Fiquei doente; não conseguia fazer as coisas de casa, não tinha fome. Me deu um desespero. Achava que ela estava morta, por aí. Eu perdi o chão. E o que eu mais temia: ela passando fome e sede”, lembrou.
Segundo a aposentada, diferente da Mel, Hana estava cheia de carrapatos, suja e mais abatida. Por isso, a cachorrinha deve passar por uma nova consulta veterinária para a realização de exames. “A gente ama demais. É a nossa bebê”, completou Maria.


Tatieli com a Mel, a última das três cachorrinhas a ser resgatada pela Guarda Civil Municipal (Foto: Arquivo Pessoal)

'Foi emocionante o momento em que descobrimos que a Amora havia sido encontrada', contou a professora Amanda Vicente (Foto: Arquivo Pessoal)

O roubo de Hana deixou a dona sem chão; felizmente, ela foi localizada no mesmo dia que Amora: 'é a nossa bebê' (Foto: Arquivo Pessoal)



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