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Mogi Mirim tem mais de 400 queimadas em 6 meses

 Ana Paula Meneghetti

Os números são alarmantes e crescentes. Mogi Mirim já registrou mais de 400 incêndios em apenas seis meses. Setembro pode bater o recorde de queimadas. Em 17 dias, foram 73 ocorrências, ou seja, o equivalente a mais de quatro incêndios por dia. Se o mês mantiver essa média, e a estiagem persistir, o numero poderá chegar em 130 casos, superando agosto, com 80.

Para efeito de comparação, em janeiro, foram somente oito registros de queimadas. Os meses com as maiores altas foram maio e agosto. Os dados são do Corpo de Bombeiros de Mogi Mirim. Segundo o comandante da corporação, o bombeiro Luis Roberto Di Martini, as ocorrências abrangem tanto áreas verdes quanto áreas de mata nativa.

Recentemente, uma mata de reserva, localizada no bairro Murayama 4, região da zona Norte da cidade, ficou em chamas. Após o combate ao incêndio, foi possível observar uma vegetação praticamente acinzentada, destruída, na paisagem. Em um outro caso, relatado pelo bombeiro, o fogo começou em um bambuzal e acabou consumindo um veículo. “Chegamos a trabalhar de uma hora até quatro horas, depende muito do local e tipo de terreno”, explicou Di Martini.

Causar incêndio é crime sujeito à reclusão, como prevê o Código Penal Brasileiro, inclusive, em lavouras, pastagens, matas ou florestas. Além disso, a legislação federal classifica como crime ambiental causar poluição que resulte em danos à saúde, a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora, sob pena de reclusão e multa. Para o comandante dos Bombeiros, quase que a totalidade dos casos de queimadas é de origem criminosa, além do clima favorável: altas temperaturas e tempo seco. 

A fumaça, o calor e a baixa umidade exigem que a população redobre os cuidados com a saúde, especialmente em época de pandemia da Covid-19, uma vez que esses fatores podem aumentar os problemas respiratórios. Por isso, é recomendado que as pessoas bebam bastante água, deem preferência a alimentos saudáveis, pouco gordurosos, lavem narinas e olhos com soro fisiológico, utilizem umidificadores, se necessário, e evitem atividades físicas durante as horas mais quentes do dia.

Durante a ocorrência de fogo em mato, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193 ou a Defesa Civil, no 199. Também estão disponíveis os telefones fixos 3862-9474 (Bombeiro) e 3862-6796 (Defesa Civil).

PIORA
De acordo com a reportagem do site Agência Brasil, publicada na terça-feira, 15, as queimadas no estado de São Paulo já acumulam um aumento de 60% em relação ao período de janeiro a setembro de 2019. Mesmo antes do fim deste mês de setembro, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o estado registrou 4.264 focos de incêndio de janeiro até dia 14, enquanto nos primeiros nove meses de 2019, foram registrados 2.666. 

Os incêndios registrados até o momento já superam todos os focos de queimadas do ano passado (3.074) e nos quatro anos anteriores. Em 2014, os satélites do Inpe identificaram 4.490 pontos de incêndio no estado ao longo de todo o ano. No mês de setembro, as 1.520 queimadas ocorridas nos primeiros 14 dias superam as ocorrências no mês inteiro em 2018 e 2019. Em setembro de 2017 foram identificados 1.930 focos de incêndio.

Em São João da Boa Vista, um incêndio também atingiu a mata da região da Serra da Mantiqueira. A área, que pegou fogo no dia 5 de setembro, segue monitorada pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, embora as chamas já tenham sido controladas. A Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo (Sima) informou que a falta de chuvas e as altas temperaturas são as principais causas dos incêndios no estado. E um programa que integra vários órgãos, a secretaria disse que amplia a fiscalização contra queimadas nessa época do ano. O trabalho foi reforçado, segundo a pasta, com 152 novas viaturas para a Polícia Militar, além de 18 drones.

Na terça, o secretário nacional da Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves, disse que, na semana passada, se reuniu com os secretários de todos os estados para discutir as queimadas em cada região. Ele destacou a preocupação com a situação de São Paulo e Minas Gerais, além da gravidade dos incêndios enfrentados no Pantanal, considerada a maior planície inundável do mundo. Esse já é o maior incêndio registrado na região pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde que o monitoramento começou a ser feito, em 1998.

Mata de reserva no bairro Murayama 4 ficou em chamas e foi destruída parcialmente pelo fogo (Foto: Alexandre Salzani /Corpo de Bombeiros de Mogi Mirim)


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