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Fusca, o carro que não envelhece

Flávio Magalhães

Esta quarta-feira, 20 de janeiro, é uma data reservada para celebrar um ícone da indústria automobilística: é o Dia Nacional do Fusca. A história conta que, em 3 de janeiro de 1959, a Volkswagen deu início à produção do veículo em solo brasileiro. Foram mais de 3,3 milhões de unidades produzidas no país.

Em 1986, o Fusca deixou de ser fabricado no Brasil. Retornaria, porém, sete anos mais tarde, a pedido do então presidente da República, Itamar Franco. O final definitivo ocorreu em 28 de junho de 1996, com a produção de 1,5 mil unidades da série Ouro. O sucesso se espalhou pelo globo e o Fusca é considerado um dos carros mais vendidos de todos os tempos.

Fusca foi sucesso no Brasil e no mundo; 20 de janeiro é a data para celebrar o carro no Brasil (Foto: Arquivo/Lucas Bonatti)

Fora de linha há quase 25 anos, o Fusca não envelheceu. Dezembro passado, por exemplo, foram quase 7 mil unidades vendidas, movimentando o mercado de carros usados. Desempenho melhor que o do Honda HR-V, por exemplo, no mesmo mês. Ao longo de todo o ano de 2020, foram comercializados mais de 57 mil Fuscas, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

E uma parcela significativa desse número certamente é representada pelos mais jovens. Uma geração que só teve idade para ter uma carteira de habilitação muitos anos depois do último Fusca ter saído da linha de produção da Volkswagen. São motoristas que, em plena era da direção hidráulica e do computador de bordo, fazem questão de dirigir um Fusca.

É o caso de Carol Pulcinelli, de 25 anos, diretora de relações institucionais do cursinho Sanquim&Ica e orgulhosa proprietária de um Fusca branco, ano 1974. A paixão pelo modelo começou quando o tio, proprietário de três Fuscas, decidiu guardar um deles na casa da avó de Carol. “Um dia, uns quatro anos atrás, decidi andar com o Fusca, por curiosidade. No fim, percebi que, todos os finais de semana, estava pedindo para poder andar com o Fusca”, relembrou, em conversa com A COMARCA.

Um ano depois, decidiu ter seu próprio Fusca. “E ele faz muito sucesso, principalmente entre minhas amigas, que amam tirar foto, sempre querem fazer foto com meu Fusca. Isso quando não pedem para dar uma volta, porque é uma delícia andar com ele”, garantiu. O modelo, aliás, é utilizado apenas para passeios, principalmente aos finais de semana. E os passeios não se restringem a Mogi Mirim. “Sempre vou para Holambra, Serra Negra e Águas de Lindóia com ele, nunca me deixou na mão”, destacou. 

Perguntada sobre os motivos que mantém o Fusca popular ainda nos dias de hoje, Carol cita a mecânica simples e não tem dúvidas de que o clássico não ficará ultrapassado. “E também cada Fusca tem um ‘eu’ próprio”, afirmou. “Posso personalizar do meu jeito, o Fusca é a minha personalidade”, salientou. A paixão é tanta que o Fusca foi eternizado por Carol em uma tatuagem.

Carol Pulcinelli é a orgulhosa proprietária de um Fusca branco, 1974 (Foto: Arquivo Pessoal)


De pai para filho...

A presença cada vez maior de jovens nos encontros de carros antigos também é percebida pelo presidente do Clube do Fusca de Mogi Mirim, Ruy Montes. “O interessante é que eles vêm para ver um Fusca e trazem consigo alguma história sobre o carro, às vezes do avô, pai, irmão ou dele mesmo. É muito bom ver que eles se envolvem e continuam essa história”, relatou para A COMARCA.

“A paixão pelo Fusca vem de geração para geração”, avaliou a vice-presidente da Associação Brasileira Veículos Automotores Antigos (Abravaa), Cidoca Mendonça. “Há algum tempo, já tenho notado os jovens gostando e admirando nosso querido Fusca. Isso é passado de pai para filho, até porque quem tem de herança dificilmente abandona, segue o caminho”, afirmou.

E o que mantém viva essa admiração pelo Fusca até os dias de hoje? A pedido de Ruy Montes, alguns membros do Clube do Fusca de Mogi Mirim deram suas respostas. “Ele é especial, o carro parece que conversa com o dono”, justificou Lucas De Bruin. “Dentro dele, as paisagens da estrada são diferentes e você consegue observar coisas que, andando com um carro novo, passariam despercebidas, sem falar nas amizades que o Fusquinha proporciona”, comentou.

“Essa paixão é permanente, pois, em cada geração, o Fusca consegue ganhar novos admiradores, por isso, acredito que ele jamais será esquecido”, continuou Lucas. “Tenho duas filhas, Ana Julia, de 15 anos, e Amanda, de 11 anos, que adoram os passeios dentro dele. E já têm planos para o primeiro Fusca quando tiverem habilitação”, garantiu. “A paixão passa por gerações e, mesmo quem não cresceu com um Fusca na família, mas é apresentado a ele depois de certa idade, acaba se encantando. Bom, não conheço ninguém que não tenha simpatia pelo Fusquinha”, disse ainda.

Também membro do Clube do Fusca, Edson Gotti também enalteceu as qualidades do clássico. “É um carro que, pode passar os anos que forem, com certeza nunca irá sair da moda”, sentenciou. “O fato do Fusca ser um carro querido até hoje se deve ao seu estilo, sua personalidade própria, o carro de todas as épocas, de todos os gostos, de várias cores, de seu dono escolher como personalizá-lo de acordo com a suas características”, enumerou. 

Ruy, obviamente, também dá seu testemunho. “Eu amo Fusca e tenho uma esposa que me acompanha e ama estar nos eventos. Meus filhos, o Alexandre, de 6 anos, e a Rúbia, a ‘fusqueirinha’ de apenas 7 meses, amam quando estão dentro deste lindo carrinho”, enfatizou. “O amor por carros transcende nossos limites lógicos. E quando se trata do carro mais popular do Brasil, esse amor é multiplicado”, definiu o presidente do Clube do Fusca.

'O amor por carros transcende nossos limites lógicos', diz Ruy Montes, presidente do Clube do Fusca de Mogi Mirim (Foto: Arquivo Pessoal)


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