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Mogi Mirim tem mais de mil famílias vivendo em extrema pobreza

Flávio Magalhães

Mais de mil famílias em Mogi Mirim vivem com uma renda per capita inferior a R$ 89 por mês, situação caracterizada como de extrema pobreza. Os dados são do Relatórios de Informações Sociais, do Ministério da Cidadania, referentes ao Cadastro Único (CadÚnico). Outras 472 possuem renda familiar per capita entre R$ 89 e R$ 178.

Segundo estimativa da Secretaria Municipal de Assistência Social, esses números indicam que aproximadamente 4 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza. Os dados do CadÚnico apontam ainda que outras 1.130 famílias vivem com renda per capta entre R$ 178 e R$ 550 (meio salário mínimo).

Essas famílias vivem em uma condição denominada de vulnerabilidade social. É um conceito não apenas econômico, mas também social. Pessoas nessa situação estão à margem da sociedade, com pouco acesso a oportunidades para seu desenvolvimento enquanto cidadãos. Por isso, a necessidade de integrarem programas assistenciais, como o Bolsa Família.

O programa do Governo Federal, aliás, beneficiou 1.474 famílias mogimirianas no mês de março, cobrindo quase 54% da estimativa de famílias pobres no município. O valor médio foi de R$ 167 por família, totalizando uma transferência de R$ 246 mil. O pagamento é condicionado a acompanhamentos da frequência escolar e da saúde dos membros da família.

Para a reportagem de A COMARCA, a secretária municipal de Assistência Social, Cristina Puls, explicou que grande parte dessas famílias moram em regiões específicas de Mogi Mirim. São elas: o Jardim Planalto e o Residencial Floresta (na zona Sul), a região do bairro Santa Luzia e adjacências (na zona Norte) e alguns bairros da zona Leste, como Linda Chaib, Parque das Laranjeiras e CDHU, dentre outros.

AGRAVAMENTO
Cristina explicou ainda que a pandemia da Covid-19 não aumentou expressivamente o número de pessoas enquadradas em situação de pobreza extrema em Mogi Mirim. No entanto, o principal efeito da crise foi a diminuição do poder de compra, que afetou milhares de famílias, de maneira geral, independentemente da renda.

Contudo, entre os mais vulneráveis, esse agravamento traz riscos maiores. A fome, segundo a secretária, deixou de ser um problema crônico no município há anos. Mas a crise causada pela pandemia pode fazer com que as famílias em extrema pobreza passem fome, se nenhuma ação emergencial for tomada pelo Poder Público.

Nesse contexto, se insere a campanha promovida pelo Fundo Social e pela Assistência Social para a distribuição de cestas básicas, além do chamado Auxílio Municipal Emergencial (AME), que prevê um pagamento de R$ 170 por três meses às famílias mais vulneráveis. Também cumpre o papel de estimular que essas famílias consigam cumprir o isolamento social.

Como o próprio nome diz, porém, esse benefício se dá em caráter emergencial. Segundo Cristina, para as famílias em situação de vulnerabilidade, tanto economicamente quanto socialmente, o caminho para o desenvolvimento é o acesso às políticas públicas, nas mais diversas áreas. “É uma construção de um plano para tirar a família da situação em que ela se encontra”, explicou a secretária.

Localizado na zona Leste de Mogi Mirim, o Parque das Laranjeiras é considerado um dos 'bolsões de pobreza' do município (Foto: Silveira Jr./A COMARCA)

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