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Irmandade se prepara para tentar reassumir Santa Casa após a pandemia

Flávio Magalhães

Desde já, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim se prepara para reassumir o hospital, o que pode se concretizar apenas com o final da atual pandemia de Covid-19. O provedor Milton Bonatti conversou com a reportagem de A COMARCA sobre o futuro da Santa Casa, que está sob intervenção judicial desde 2019 e é administrada pela Prefeitura desde então.

O provedor explicou que tem se reunido semanalmente com representantes da Administração Municipal, com o objetivo de formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Futuramente, o instrumento será apresentado à Justiça, como prova de que a Irmandade terá condições de reassumir a gestão do único hospital de Mogi Mirim que realiza atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Houve erros no passado, mas precisamos restaurar a credibilidade da Irmandade”, destacou Bonatti. “E intervenção não resolve o problema”, defendeu, apontando que, em 2019, ano em que a Prefeitura assumiu a gestão dos serviços públicos de Saúde da Santa Casa, o déficit financeiro do hospital ficou em R$ 2,6 milhões. Foi o décimo ano consecutivo que as contas fecharam no vermelho, aliás.

A solução, segundo o provedor, é investir em serviços de Saúde privados. Há dez anos, quando ainda existia a parceria com a Unimed, a Santa Casa chegou a ter uma receita de R$ 10 milhões apenas com convênios. Em 2018, não chegou a R$ 2 milhões. Por isso, voltar a ter uma receita expressiva com convênios particulares e celebrar contratos com a Prefeitura para o funcionamento do Pronto-Socorro e de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) é a receita que a Irmandade pretende seguir para tirar a Santa Casa da crise.

SUFOCO
No cargo de provedor desde 2017, Milton Bonatti acredita que foi “usado” pelo ex-prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB). À reportagem de A COMARCA, lembrou que assumiu a provedoria a pedido do então prefeito, mas que não teve a ajuda que esperava. “O Carlos Nelson me abandonou”, resumiu. 

Bonatti também considerou “abusivas” as fiscalizações e descontos no convênio entre Prefeitura e Santa Casa. Para efeito de comparação, a Santa Casa recebeu em 2017, primeiro ano do terceiro mandato de Carlos Nelson, R$ 2,3 milhões a menos em receitas SUS do que no ano anterior. Na comparação entre 2016 e 2018, a diferença chega a R$ 8 milhões.

CONVITE
Milton Bonatti fez um convite para que os mogimirianos façam parte da Irmandade da Santa Casa, que hoje conta com 29 irmãos. “Somos uma instituição altruísta. A Irmandade é para servir, não temos outros interesses, a não ser a filantropia”, garantiu o provedor. 

Para ser um irmão e integrar a Irmandade, é necessário contribuir com pelo menos R$ 100 mensais e ter a filiação aprovada pela entidade. “O prefeito Paulo Silva se comprometeu a nos ajudar a chegar à marca de mil irmãos”, completou o provedor.

Mesmo aqueles que não desejam se tornar parte da Irmandade podem contribuir com qualquer doação mensal, a partir de R$ 10, descontados na conta de água. Todas as informações estão disponíveis no site santacasamogi.com.br.

‘Precisamos restaurar a credibilidade da Irmandade”, destacou o atual provedor Milton Bonatti (Foto: Arquivo/A COMARCA)

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