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Morre Tonico, ícone do futebol do Mirante

Diego Ortiz

Polêmico, autêntico, irreverente, provocador, divertido, batalhador, líder, apaixonado por futebol e pelo Mirante. Estes são alguns dos adjetivos comuns para definir um ícone mirantense falecido na noite de segunda-feira, aos 57 anos, Antonio Aparecido Ferreira, o Tonico, presidente da Associação Desportiva dos Amigos do Bairro do Mirante (Adabm) e do time de futebol do Mirante. 

O dirigente começou a se sentir mal no meio da semana passada e recebeu atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No final de semana, foi internado na Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim, onde foi intubado e morreu na noite de segunda-feira. A causa da morte foi meningite. 

Por coincidência, a esposa de Tonico, Angela, sua companheira de vida e de trabalho no bar do Estádio José Geraldo Solidário, no Mirante, também havia falecido no mês de maio, há quatro anos, em 2017. Grande companheira, Angela gostava de futebol. Entre namoro e casamento, foram cerca de 35 anos de parceria em um amor que gerou os filhos Giovana, de 30, e Gabriel, de 25.

Dono de uma irreverência peculiar, Tonico adorava fazer provocações seja com amigos ou esportistas em geral, fazendo as pessoas ao redor rirem com suas tiradas atrevidas. Era comum vê-lo com um sorriso juvenil, esbanjando alegria e peraltice, com um cigarro na mão ou degustando uma cerveja. Corintiano, adorava assistir jogos não apenas do Corinthians, mas de qualquer time pela televisão. 

Fora do mundo da bola, Tonico era pintor. Encontrou-se na pintura, depois de trabalhar em inúmeras empresas e ter se cansado da vida de encarar frequentes trocas de turnos em fábricas. A pintura passou de bico a profissão principal aos 32 anos. Livre e líder por natureza, difícil de ser controlado, Tonico se encontrou na função em que tinha a liberdade de definir os próprios horários e trabalhos. 

O primeiro trabalho foi como ajudante geral em uma distribuidora de bebidas, aos 17 anos. Depois, trabalhou na Isma como ajudante de produção e na Monroe, onde conheceu a esposa. Atuou ainda como operador de máquinas na Mahle. Chegou a ter um bar de 1995 a 2003, no Mirante. 

O estabelecimento acabou não prosperando, mas a rotina como comandante de um bar seguiu no estádio. Uma das alegrias de Tonico aos domingos era entoar com os amigos o considerado hino do Mirante, que tem como um dos trechos: “Azul e branco, sinal de guerra, é o Mirante que estremece a terra”.

Dois títulos da Primeira Divisão do Campeonato Amador como jogador 

Embora em aproximadamente duas décadas como dirigente não tenha conquistado a Primeira Divisão do Amador pelo Mirante, como jogador, Tonico vivenciou a alegria de conquistar dois títulos. Em 1985, no time denominado como Adabm (Associação Desportiva dos Amigos do Bairro do Mirante), foi campeão em final contra a Vila Dias em jogo em que foi expulso após mandar uma bola longe para fazer cera. 

Em 1995, venceu a Segunda Divisão pelo Mirante em final contra a Santa Cruz e, em 1996, ganhou a Primeira pelo clube em decisão contra o Colorado. Em seguida, participou da conquista do Rural pelo Pombal, que tinha o mesmo técnico, Carioca, e a mesma base do Mirante campeão do Amador de 1996. Em 1998, foi campeão da Copa Veteranos, então promovida por Paulo Bolinha. 

LATERAL
No futebol amador, Tonico era um lateral atrevido, que fazia no título de 1985 uma perigosa dupla pela direita com o ponta Zé Neguinho. Além de avançar, era duro na marcação, raçudo e teve muitas expulsões até pelo hábito de reclamar. No Veteranos e Cinquentão, atuou como zagueiro.

O início da carreira foi no dente de leite do Colorado, em 1977. Aos 14, brincava no campo da Vila São José sob o comando de Zé Galinha. Foi campeão de futsal no Grêmio Mogimiriano pelo Colorado. Em 1983, pela Adabm, perdeu a final do Amador para o Monte Serrat. 

Tornou-se presidente do Mirante há cerca de 20 anos. Além da atuar no clube, promoveu campeonatos como o Veteranos e Cinquentão. Chegou a compor a Liga de Futebol Amador de Mogi Mirim (Lifamm) e, em 2013, se candidatou à presidência em eleição em que Silvio Capitoni foi eleito presidente.

Sorriso peralta era uma das marcas registradas de Tonico, que se destacava pela autenticidade, irreverência e estilo provocador (Foto: Nelson Victal do Prado Júnior)

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