Câmara anuncia reforma para sair do Palácio de Cristal

Flávio Magalhães

A Câmara Municipal está efetuando os trâmites burocráticos para a abertura de procedimento licitatório para a reforma de dois prédios na Rua Dr. José Alves, Centro de Mogi Mirim. Um deles é o antigo prédio do Legislativo, onde ainda são realizadas as sessões semanalmente; o outro é onde se localizava o Gabinete do prefeito, cedido pelo Executivo há mais de um ano.

A decisão foi comunicada à imprensa na manhã da última quinta-feira, 14, pela Mesa Diretora da Câmara Municipal, isto é, os vereadores Jorge Setoguchi (PSD), Cristiano Gaioto (PP), Luis Roberto de Souza Leite, o “Chupeta” (PSDB), e Marcos Gaúcho (PSB). O único ausente na ocasião foi Robertinho Tavares (PATRI). O objetivo é deixar o Palácio de Cristal o mais rápido possível, mas sem atropelos.

O que possibilitou a atitude tomada pela Mesa Diretora foi a entrega nesta semana do projeto de reforma, que estava em elaboração pelo setor de Planejamento da Prefeitura. “Eu sempre defendi que a Câmara deveria se mudar com o prédio [da Rua Dr. José Alves] do jeito que está, mas agora seria leviano da minha parte defender isso com o projeto pronto”, justificou Gaioto. “E a maioria dos vereadores é favorável à execução da reforma”, completou o presidente Setoguchi.

A reforma está orçada inicialmente em R$ 389 mil (o valor definitivo dependerá das propostas que serão ofertadas em licitação, prevalecendo o menor preço) e prevê que os setores administrativos da Câmara retornem ao seu lugar de origem, próximos ao plenário. Além disso, a sala da Presidência e mais seis gabinetes parlamentares devem ser instalados ali. No antigo prédio do prefeito, ficarão os outros 11 gabinetes.

O edital de licitação está em fase de elaboração e ainda depende de análise jurídica para ser publicado. A partir daí, espera-se que um vencedor seja homologado em até dois meses. A execução da reforma em si deve levar de três a quatro meses, incluindo a renovação total da parte elétrica do prédio. “Isso já virou questão de segurança”, defendeu “Chupeta”.

Com a reforma encaminhada, os esforços da Mesa Diretora se voltam para o contrato de locação do Palácio de Cristal, que prevê multa de 20% de todos os alugueis remanescentes em caso de rompimento do contrato. Atualmente, isso significa algo em torno de R$ 436 mil. “Dinheiro não é problema, mas a questão é que consideramos a multa abusiva”, explicou Gaioto.

“O contrato de locação foi muito bem amarrado, tanto que nem o Ministério Público conseguiu cancelar”, relembrou o vereador do PP. A Promotoria local conseguiu, na época, reduzir a duração do contrato, de 15 para 10 anos. Faltam ainda mais de sete anos de aluguel. “Pessoalmente, prefiro um acordo para que a Câmara pague o mínimo possível. Caso contrário, vai para a Justiça”, disse “Chupeta”.

Câmara anunciou reforma após conclusão de projeto

DISCUSSÃO
Após completar mil dias de locação, conforme A COMARCA noticiou no sábado passado, 9, e virar alvo de diversas críticas dos vereadores, o Palácio de Cristal voltou a ser assunto na última segunda-feira, em sessão na Câmara Municipal. Isso porque a Mesa Diretora havia revelado a intenção de sair do imóvel espelhado em 60 dias e cancelar a reforma prevista, fazendo apenas o básico para os vereadores se instalassem no antigo prédio da Rua Dr. José Alves.

“Eu não preciso de gabinete com pedra de carrara, se tiver um barraco eu exerço minha função de vereador”, declarou Orivaldo Magalhães (PSD), que na semana anterior havia feito diversas críticas à lentidão da elaboração do projeto de reforma da sede do Legislativo. No entanto, outros vereadores demonstraram descontentamento com a decisão anterior da Mesa.

“Eu sou a favor de se fazer algo muito bem feito, para não ter que pagar dobrado”, advertiu Sônia Módena (PP). Na semana anterior, Maria Helena Scudeler (PSB) já tinha declarado que não gostaria de “atropelos”. E Gerson Rossi Júnior (PPS) seguiu o mesmo caminho ao se manifestar na última segunda-feira, declarando que a Mesa Diretora deveria levar em consideração ao menos a execução da reforma elétrica, por razões de segurança.

Conta de água vai subir 2,76% em julho

A tarifa de fornecimento de água e da coleta de esgoto será reajustada em 2,76%. O índice consta do parecer consolidado da ARES-PCJ, apresentado na terça-feira, 12, na 7ª Reunião Ordinária do Conselho de Regulação e Controle Social. A ARES é a agência reguladora responsável pelo reajuste e revisão dos valores das taxas, tarifas e outras formas de contraprestação dos serviços públicos de saneamento básico nos municípios consorciados e conveniados, como Mogi Mirim.

A reunião foi convocada para discutir o parecer a respeito do reajuste da tarifa de água e esgoto, bem como da tarifa complementar de tratamento de esgotos e demais tarifas dos serviços prestados pelo Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos). Com base no parecer, é emitida uma resolução específica que precisa ser publicada no Jornal Oficial do Município para que o índice seja aplicado, o que deve acontecer neste sábado, 16. Os novos valores serão cobrados apenas após o dia 19 de julho, com vencimentos a partir de 10 de agosto.

O reajuste de 2,76%, segundo o parecer, equivale ao índice acumulado oficial da inflação medido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A metodologia utilizada pela ARES considera todos os custos, obrigações e investimentos do Saae, tanto os realizados nos últimos 12 meses, quanto os projetados para os próximos 12 meses.

Todos os dados de faturamento, dados comerciais e dados contábeis são informados mensalmente pelo Saae à ARES, através de um sistema informatizado, criado especialmente para essa finalidade. Com todos os dados conhecidos, a agência reguladora aplica uma fórmula paramétrica para definir o índice de reajuste necessário.

Entre esses dados, foi apurado que o saldo entre receitas e despesas no exercício de 2017 foi de R$ 699.108,77 e no período de janeiro a abril deste ano, o saldo acumulado foi de R$ 1.387.740,71. Nota-se um aumento nas receitas de 22,11% e nas despesas de 16,21%. Os resultados das receitas e das despesas impactam diretamente nos resultados financeiros do Saae.

Com base nos documentos apresentados, a ARES verificou que no exercício de 2016, a título de comparação, o saldo de disponibilidade financeira de todas as atividades da autarquia era de R$ 5.777.415,34; em 2017, o saldo acumulado foi de R$ 7.623.808,01; e em abril de 2018, os valores chegam a R$ 7.078.718,51. Já a previsão de investimentos para o período de agosto de 2018 a julho de 2019 é de R$ 789.633,50, de recursos próprios.

Os números, segundo parecer, indicam que houve um desequilíbrio no saldo orçamentário e no comparativo entre a Tarifa Média Necessária (TMN) e a Tarifa Média Praticada (TMP). Por conta disso, a ARES propôs o reajuste de 2,76% como forma de assegurar e manter o equilíbrio econômico e financeiro do prestador de serviços de saneamento – neste caso, o Saae. Ou seja, o repasse do índice inflacionário oficial é suficiente para a autarquia cumprir suas obrigações pelos próximos 12 meses.

Com o novo índice, a tarifa residencial para um consumo mínimo de até 10 metros cúbicos de água e esgoto será de R$ 35,17. Para o comércio, a tarifa de consumo mínimo será de R$ 92,38, e para a indústria, será de R$ 155,42. O mesmo índice se aplica a outros serviços, como aferição de hidrômetros, ligação e religação de água e esgoto, apreciação de projeto, visita técnica, reparo de calçada e mudança de cavalete, dentre outros.

Além do reajuste, a agência recomenda ao Saae operacionalizar as medidas apresentadas, como dar continuidade ao Programa de Combate às Perdas, com a substituição de hidrômetros com mais de cinco anos de uso, promovendo a instalação de macromedidores precisos e confiáveis e realizando a substituição de redes antigas, a fim controlar a produção e distribuição da água tratada; capacitar funcionários para detecção de vazamentos nas redes de distribuição de água tratada; e avaliar a eficiência energética nos sistemas de tratamento e abastecimento de água.


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Mogimiriano é executado a tiros em Campinas

O mogimiriano Matheus Vomero, de 38 anos, foi encontrado morto na noite do domingo 10, no Jardim Bela Vista, em Campinas. O local fica nas proximidades do Hotel Solar das Andorinhas, onde existem várias chácaras. A possibilidade de Matheus ter sido vítima de uma briga é investigada pela Polícia Civil.

A Polícia Militar foi acionada pouco antes das 22h30 por populares, sendo informada que na rua Maria Salomé Dias, no Jardim Bela Vista, haveria um veículo supostamente abandonado e uma pessoa em seu interior.

Quando os policiais Zuccherato e Raul chegaram ao local, depararam com o veículo VW Santana e no interior, do lado do passageiro, um homem com vários ferimentos a bala. Equipes do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionados e constataram que a vítima, que não portava qualquer documento, estava morta.

A Perícia Técnica esteve no local e durante os exames preliminares, apurou que havia de três a quatro perfurações na cabeça e mais duas nas costas. Dentro do veículo, foram localizados seis cartuchos deflagrados de pistola 380 e dois aparelhos celulares.

Através dos dados do veículo, que constava como sendo da cidade de Jundiaí, a Polícia Civil chegou à identificação de Matheus, pois no sistema policial, constava que o Santana havia sido vendido e estaria sendo transferido para o nome da vítima.

Foram feitos contatos com familiares de Matheus, que estiveram no IML (Instituto Médico Legal) de Campinas na segunda-feira, 11, onde identificaram o corpo encontrado dentro do veículo como sendo o do mogimiriano.

INVESTIGAÇÕES
O delegado Rui Flavio de Carvalho Pegolo, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), de Campinas, esta à frente das investigações. Ele relatou à reportagem de A COMARCA que ouviu moradores das proximidades de onde foi encontrado o corpo e que Matheus estaria morando há dois meses em um bairro próximo, chamado Recanto Dourados.

Moradores desta localidade teriam informado que a vítima era briguenta, o que leva a polícia a trabalhar com a hipótese mais forte de que o crime tenha sido motivado por brigas.


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Prefeitura interdita minas contaminadas

Flávio Magalhães

A Prefeitura interditou três minas de água na última segunda-feira, 11, após laudos solicitados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente apontarem contaminações na água. A medida afetou as minas localizadas nas ruas João Bonatti (região da Santa Cruz), Manaus (próximo ao Zerão) e Linha da Penha (zona Leste).

Segundo a Vigilância em Saúde de Mogi Mirim, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, a qualidade da água dessas minas está “bem abaixo” do padrão estabelecido para consumo humano. “A interdição é necessária, pois muitas pessoas consomem a água desses locais, sem saber que a ingestão diária pode ocasionar a transferência de bactérias para o organismo humano, resultando em graves problemas de saúde”, afirmou a coordenadora responsável, Joalice Franco.

Em todos os espaços interditados, a Prefeitura instalou placas informativas quanto a proibição do consumo da água. O relatório final apontou que as minas não atendem aos padrões físicos-químicos e microbiológicos por apresentarem presença de bactérias fora do limite permitido pelo Ministério da Saúde. As amostras para os exames foram colidas no dia 22 de maio.

A reportagem de A COMARCA obteve acesso aos exames. Em todas as três minas é constatada uma quantidade excessiva de ferro na água, principalmente na localizada na Linha da Penha, que apresentou um índice de 1,73 mg/L. O limite é 0,3 mg/L. Pesquisas recentes apontam que o ferro, em excesso, se torna mais perigoso que o colesterol para o coração, podendo dobrar as chances de um ataque cardíaco.

Outro fator comum nas três minas examinadas é o baixo pH. Os índices aceitáveis variam de 6 a 9,5. Contudo, os laudos apontam para menos de 5 em todos os casos. Uma água com pH baixo é considerada ácida. No entanto, não há comprovações de que o pH baixo seja prejudicial a saúde, conforme informam boletins do Controle Hídrico de São Paulo (Cohesp).

Além disso, nas minas das ruas João Bonatti e Linha da Penha, foi constatada a presença de coliformes totais e bactérias da família Escherichia Coli (E. Coli). A E. coli é uma bactéria que habita naturalmente no intestino de humanos e de alguns animais, mas que em grandes quantidades pode causar problemas como gastroenterite ou infecção urinária, dependendo se o excesso de bactérias surgiu no intestino ou no trato urinário e acontecendo, principalmente, quando se consome água ou alimentos contaminados.

Em alguns indivíduos, pode levar a complicações mais graves, como um súbito comprometimento renal, que pode causar uma lesão renal permanente. Mas, na maioria dos casos, a E. Coli causa somente uma leve gastroenterite que passa em menos de uma semana. Na mina da Rua Manaus não foi identificada a presença das bactérias E. Coli ou de coliformes totais, cujo aparecimento leva a crer que a água pode ter contato com matéria orgânica em decomposição.

Prefeitura instalou placas, que foram retiradas pela população


DESCRENÇA
Na repercussão nas redes sociais predominaram comentários de descrença sobre a veracidade dos laudos que atestaram a má qualidade da água das três minas. A reportagem de A COMARCA esteve numa delas, a da Rua João Bonatti, no final da tarde de quinta-feira, 14, e constatou que a movimentação em busca daquela água ainda é intensa.

A placa instalada pela Prefeitura dias antes informando a interdição da mina já não estava mais lá. A reportagem conversou com um senhor que busca água no local já há seis anos e afirmou que deixou de ter cólicas de rim após passar a beber daquela mina. Ele estava com três galões grandes e quatro menores. Em seguida, outros três veículos encostaram ali e seus respectivos motoristas desceram com mais galões.

Mogi recebe R$ 2 milhões para investimento em recapeamento

Mogi Mirim conquistou uma verba de R$ 2 milhões para investimentos em infraestrutura. A iniciativa é resultado de um convênio celebrado entre o prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) e o governador Márcio França (PSB), por solicitação do deputado Barros Munhoz (PSB), no último sábado, 9, em Pedreira.

Os recursos serão destinados aos serviços de recapeamento – na região central e nas zonas Norte e Oeste – e priorizarão as vias de intensa movimentação e que estejam com o asfalto em condições mais precárias, ou seja, em ruas onde as atividades de manutenção da Operação Tapa Buracos não possuam mais condições de serem realizadas, em um total de 7,5 km de extensão.

A assinatura do contrato já permite que a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão adote mecanismos para a liberação do crédito ao município. Acompanhado por secretários municipais, o prefeito Carlos Nelson celebrou a conquista. “É a efetivação da parceria entre o município e o estado. Acredito que após essa liberação virão outros e poderemos atender melhor a cidade. Estamos animados com os recursos para o Parque das Laranjeiras”, destacou.

“A gente tem procurado ajudar os prefeitos porque a receita das prefeituras caiu muito e o Governo do Estado pode colaborar”, adiantou Márcio França. “Nós vamos inverter a lógica: o Estado está longe, não consegue governar tudo, e os prefeitos sabem fazer. Então, nós vamos repassar o dinheiro e o prefeito faz a obra. É mais rápido, é mais fácil, é mais prático e é mais econômico. Se tiver recurso, eles se viram e fazem”, completou o governador.

Barros Munhoz, que solicitou a verba atendendo a um pedido de Carlos Nelson, comemorou a conquista. “Sei o quanto essas obras irão melhorar a vida das pessoas, o dia a dia de cada um. É um serviço essencial para o município, a fim de atendermos as demandas pleiteadas pela população. É um trabalho pelo desenvolvimento de Mogi Mirim”, enfatizou.

Serão beneficiadas com o recapeamento as avenidas 22 de Outubro, Adib Chaib, Brasil e Pedro Botesi; e as ruas Humaitá, Padre Roque, Santa Cruz, Amábile Mantovani Guarnieri, Prefeito Antonio Leite do Canto, Biquinha do Conselho e entorno da Praça Rui Barbosa.

Prefeito Carlos Nelson e o governador Márcio França

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Morre a primeira-dama de Itapira, aos 69

Faleceu na tarde desta terça-feira, 12, aos 69 anos de idade, a primeira-dama da cidade de Itapira, Sônia Maria Marques de Oliveira Paganini, presidente do Fundo Social do município vizinho e esposa do prefeito José Natalino Paganini (PSDB).

Sônia foi diagnosticado com câncer há algum tempo e fazia um tratamento contra a doença. Um dos efeitos colaterais desse tipo de procedimento é a queda capilar e, por isso, o prefeito itapirense chegou a raspar os próprios cabelos em duas oportunidades no ano passado.

A primeira-dama de Itapira deixa dois filhos, Júlio César e Juliana. O velório será realizado no Velório da Saudade e o sepultamento deve ocorrer na tarde desta quarta-feira, 13, no Cemitério Municipal.


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Mil dias no Palácio de Cristal

Flávio Magalhães

Nesta quarta-feira, 13, a Câmara Municipal completa mil dias instalada no imóvel anexo da Praça São José, popularmente conhecido como Palácio de Cristal entre os mogimirianos. De lá para cá, foram gastos ao todo mais de R$ 770 mil com o aluguel do prédio espelhado, que custa todo mês aos cofres públicos exatos R$ 25.980,49.

Na semana passada, às vésperas de alcançar o milésimo dia, o Palácio de Cristal virou alvo dos vereadores na sessão de segunda-feira, 4, colocando o presidente Jorge Setoguchi (PSD) e o restante da Mesa Diretora contra a parede. Quem tocou no assunto foi Orivaldo Magalhães, o Magalhães da Potencial (PSD), que criticou a lentidão para o início da reforma do prédio da Rua Dr. José Alves.

“Se eu fosse presidente desta Casa, essa reforma sairia em 120 dias e nós sairíamos daquele prédio, pois é uma questão moral”, disparou Magalhães. A reforma, prometida desde o ano passado, é para adequar o velho prédio da Câmara e o antigo Gabinete do prefeito a fim de abrigar os assessores parlamentares e demais repartições do Poder Legislativo. No entanto, devido a sua tramitação burocrática, ainda nem começou.

Diante da crítica de Magalhães, e com a certeza de que o assunto seria abordado por outros parlamentares, a Mesa Diretora se reuniu durante o intervalo da sessão. Composta por Robertinho Tavares (PATRI), Cristiano Gaioto (PP), Luiz Roberto “Chupeta” Leite (PSDB) e Marcos Gaúcho (PSB), além de Setoguchi, a Mesa é quem decide assuntos de natureza administrativa Legislativo, como a reforma da Câmara e o rompimento do contrato do Palácio de Cristal.

Na reunião, a portas fechadas, houve consenso. A Câmara vai sair do Palácio de Cristal, mas ainda não há uma data. Setoguchi foi à tribuna responder as críticas do colega de partido. “Muito me estranha sua colocação”, disse a Magalhães, acrescentando que via “muita política” em seu discurso. “O projeto de reforma se encontra no [setor de] Planejamento da Prefeitura há algum tempo para sua finalização”, justificou.

“Não é nada pessoal, muito menos politicagem”, garantiu Magalhães, quando retornou à tribuna. “É o dinheiro do povo de Mogi Mirim”, completou, enumerando o que seria possível fazer na Prefeitura com o dinheiro gasto em aluguel, como compra de ambulâncias, por exemplo. “O empresário dono do prédio está na dele, trouxa foi o João Carteiro que assinou”, disse ainda, em referência ao ex-vereador que tomou a decisão de mudar para o Palácio de Cristal.

A expectativa se confirmou e outros vereadores fizeram questão de demonstrar descontentamento. “O voto a presidente da Câmara foi condicionado a sair de lá”, lembrou André Mazon (PTB). Quando os 17 edis foram diplomados, em dezembro de 2016, uma reunião ali mesmo no Clube Mogiano com a presença de quase todos (Orivaldo Magalhães foi a exceção) estabeleceu como meta deixar o Palácio de Cristal. “infelizmente, o Jorge foi eleito e ainda estamos na mesma”, lamentou Mazon.

“Sempre achei e sempre vou achar uma vergonha, dinheiro jogado fora, quase mil reais por dia”, detonou Cinoê Duzo (PSB), que, na empolgação, rasgou o papel que tinha a mão no momento: a pauta do colega Robertinho. Cinoê, assim como sua companheira de partido Maria Helena Scudeler de Barros, não passou nenhum dos mil dias dentro do Palácio de Cristal. “Eu despacho do capô do carro e vou embora” relatou o vereador para A COMARCA.

Maria Helena, que já sofreu até gozação do ex-vereador João Carteiro (ele, ao ver da janela da sala da presidência a vereadora despachando do lado de fora, gritou que ela deveria entrar no prédio), garante que não sabe nem onde fica a sala de sua assessora. “Setoguchi tem uma parcela de culpa, mas muitos ex-edis tem uma parcela de culpa muito grande junto ao Executivo da época”, definiu, fazendo referência ao ex-prefeito Gustavo Stupp (PDT).

A decana do Legislativo mencionou ainda o “Palaciômetro” de A COMARCA, que atualiza semanalmente os números referentes ao Palácio de Cristal. “Aquilo destroça os 17”, afirmou, querendo dizer que a locação do imóvel desmoraliza os parlamentares mogimirianos.

Há a expectativa de que a Mesa Diretora anuncie uma decisão na semana que vem, mas Maria Helena já advertiu: “não venham com atropelos”. Caso se confirme o retorno à velha Câmara, os vereadores encontrariam o prédio exatamente como deixaram em 2014, o que poderia soar como incoerente e atestar que todo o aluguel pago até agora foi absolutamente desnecessário.


Considerado até ‘acerto de campanha’
prédio foi alvo de série de polêmicas

Tudo começou em 2014, quando ganhou força nos corredores da Câmara Municipal o argumento de que o velho prédio da Rua Dr. José Alves, parcialmente tombado como patrimônio histórico de Mogi Mirim, estava pequeno demais. O presidente do Legislativo era Dito da Farmácia (PV) e algumas salas abrigavam até três vereadores. Como não havia espaço para gabinetes individuais, a divisão era por partido ou bancada.

Os demais problemas do prédio também eram apontados com frequência, principalmente por Laércio Pires (PPS), que posteriormente faria parte da Mesa Diretora que avalizou a ida ao Palácio de Cristal. A infiltração da água da chuva e a precária fiação elétrica eram os maiores vilões. Ainda nos primeiros meses daquele ano foi dada a ordem de mudança para um imóvel em frente, em condições questionáveis, com piso de tacos soltando e outras coisas mais.

Ao mesmo tempo, um imóvel que sequer estava concluído ao lado da Igreja Matriz já era apontado como futura sede do Poder Legislativo. O assunto esfriou quando o então prefeito Gustavo Stupp (PDT) resolveu mudar o Gabinete para uma “fortaleza” no bairro Saúde levando suas secretarias de Governo e Comunicação e disponibilizar o prédio ao lado da Câmara para uma reforma e ampliação das dependências do Legislativo.

Stupp, contudo, voltou atrás. Daí a Câmara abriu um chamamento público para alugar um imóvel com mais de 500 metros quadrados, idade aparente de dez anos e um plenário com pelo menos 80 lugares. O Ministério Público viu irregularidades, mas o procedimento foi adequado e levado a cabo por João Carteiro (SD), sucessor de Dito, que assinou o contrato de R$ 4,1 milhões em 13 de janeiro de 2015. A mudança, porém, veio apenas oito meses depois.

Nesse meio tempo, o prazo de locação foi reduzido durante audiência de conciliação na Justiça. Ficou decido que o contrato vale por dez anos, podendo então ser prorrogado por no máximo mais cinco anos. Antes, o contrato previa 15 anos de locação, prorrogáveis por mais 15 anos. A proposta foi do promotor Rogério Filócomo Júnior, que pediu em ação civil pública a suspensão do contrato. A proposta de dez anos é o limite permitido pela Lei de Licitações, legislação na qual o acordo foi baseado. O empresário Nilson Higino, representante do proprietário do imóvel, Felipe Higino (seu próprio filho), aceitou a proposta, apesar de se mostrar resistente em um primeiro momento.

Higino, o pai, era membro do PDT à época da eleição de Stupp e investiu na campanha do ex-prefeito, o que levou a vereadora Maria Helena Scudeler de Barros e concluir que o aluguel do Palácio de Cristal não passava de um “acerto de campanha” entre o empresário e o prefeito da época. Higino acionou Maria Helena na Justiça, mas a imunidade parlamentar da vereadora prevaleceu. O Palácio de Cristal também. Aliás, o apelido irônico foi dado por A COMARCA, através de seu ex-diretor e ex-colunista Ricardo Piccolomini de Azevedo, em razão da aparência do imóvel espelhado.

Quando foi finalmente inaugurado em setembro de 2015, de maneira compulsória por João Carteiro, transferindo os móveis dos gabinetes à força para o novo imóvel, descobriu-se que o “Palácio” não fazia jus ao apelido. Sem janelas em quase todas as salas (apenas a presidência dispõe de algumas), o entupimento do banheiro e a infiltração da água da chuva foram problemas identificados logo de cara. Neste ano, uma luminária despencou na sala do vereador Alexandre Cintra (PSDB).

E assim, o enredo do Palácio de Cristal ganhou ares de “tragédia anunciada”. Ainda mais pelo fato dos vereadores Maria Helena, Cinoê Duzo (PSB), Jorge Setoguchi (PSD) e Robertinho Tavares (PATRI), além dos ex-vereadores Luiza Cristina (sem partido), Luiz Guarnieri (PSB), Dayane Amaro Costa (AVANTE), Leonardo Zaniboni (SD) e Osvaldo Quaglio (PSDB) terem denunciado irregularidades na contratação do imóvel.

Irregularidades essas confirmadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que julgou a dispensa de licitação, o contrato e os termos aditivos celebrados entre a Câmara Municipal de Mogi Mirim e o proprietário do Palácio de Cristal para a locação do imóvel espelhado como sede dos gabinetes legislativos. A decisão alcançou João Carteiro, multado em outubro passado em pouco mais de R$ 4 mil.
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