Construindo uma escola melhor

Construindo uma escola melhor

Flávio Magalhães –

Quando se fala em estrutura das escolas públicas, Mogi Mirim não fica para trás. Segundo dados do Censo Escolar de 2013, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a média de escolas da cidade que conta com itens de infraestrutura e tecnologia é similiar à média do estado de São Paulo e do país.

Como exemplo, 70% das escolas públicas do município possuem laboratório de informática, enquando a média do estado é de 59%, e no Brasil 63%. Equipamentos como aparelho de DVD, televisão e impressora também estão disponíveis em praticamente 100% da rede de ensino. Um item que fica aquém da média ainda é a internet banda larga. Apenas 65% das escolas de Mogi dispõem dessa ferramenta, enquanto 80% das instituições em todo o estado já usam o serviço.

Nesse sentido, a Escola Técnica Estadual (Etec) “Pedro Ferreira Alves” é uma das privilegiadas. Sua estrutura conta com internet banda larga, laboratórios de informática com 151 computadores para os alunos, outros 40 computadores para uso administrativo, aparelho de DVD, televisão, impressora, retroprojetor, sala de leitura e um recém-inaugurado laboratório de Biologia.

Mais importante do que conseguir toda essa estrutura, é mantê-la funcionando regularmente. Pensando nisso, um grupo de estudantes do curso técnico de Informática Para Internet desenvolveu como trabalho de conclusão de curso um sistema em qualquer aluno pode reportar à direção da Etec problemas na estrutura da escola. O projeto, chamado de Manutec, foi apresentado na última Expoete, a feira de exposições do colégio.

Funciona assim: através da intranet da escola, sem a necessidade de instalar nenhum software, o aluno entra no sistema Manutec e preenche um formulário relatando o problema. Esse pedido vai à diretoria de serviços e fica disponível no sistema para outros alunos, que podem “curtir” o pedido, reforçando sua importância. A direção, então, responde ao formulário, informando se o problema foi resolvido ou quando será resolvido, ou até mesmo se não tem solução.

A ideia é fazer com que o sistema rode na escola toda, inclusive em celulares. No entanto, a iniciativa esbarra em um problema. “Não houve apoio da direção”, afirma o orientador do trabalho, o professor João Rubens Marchete. “São vários projetos que já morreram aqui”, relata. De acordo com Marchete, o sistema Manutec precisa de alguns ajustes para ser totalmente funcional.

Esses ajustes poderiam ser feitos por professores da própria Etec, desde que a direção envie ao Centro Paula Souza um projeto que autorize os docentes a dedicarem algumas horas de trabalho na implantação do sistema. “Mas não tem esse apoio”, ressalta Marchete, que também destaca que trabalhos do tipo, além de não apresentarem custos à escola, ainda incentivam outros alunos.

“A gente ainda teve vontade de fazer, vai saber se daqui pra frente outros alunos terão essa vontade”, afirma a aluna Lorena Zambaldi, analista de banco de dados do Manutec. O projeto também contou com os estudantes Sérgio Frasseto (programador e desenvolvedor), Júlia Machado (gerente geral), Gleicielen De Grava (designer), Lavínia Valentim (designer) e Otávio Julietti (programador).

Segundo o grupo, a direção da Etec se mostrou interessada no sistema durante as apresentações da Expoete. Mas até agora, nenhum sinal de que o projeto pode ser implantado de fato. “Não sei qual o futuro disso aqui”, admite Marchete.

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