A Comarca

Santa Casa tem dívida de R$ 33 milhões; provedor expõe crise, admite má gestão e pede ajuda

Por Flávio Magalhães

A dramática situação da Santa Casa de Misericórdia foi exposta nessa semana. O contador Milton Bonatti, 62 anos, assumiu o cargo de provedor do hospital após a saída de Dílson Guarnieri, na sexta-feira da semana passada, e prestou informações aos vereadores numa reunião na manhã da última terça-feira, 04.

Bonatti revelou que a endividamento total do hospital a longo prazo chega a R$ 33 milhões. Destes, R$ 22 milhões são dívidas com bancos. “Precisamos administrar com números, não há nenhuma empresa que vá bem gastando mais do que ganha”, frisou o novo provedor. Hoje, 40% da verba proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS) é usada para pagar empréstimos.

“Realmente, estamos dependentes do Poder Público, a comunidade ajuda muito pouco”, frisou Milton Bonatti. No dia em que foi sabatinado pelos vereadores, o provedor revelou ainda que não tinha condições de honrar a folha de pagamento dos funcionários, que venceu na quinta-feira, 06.

Para reunir fundos, o provedor colocou publicamente à venda o imóvel onde atualmente funciona a parte administrativa da Santa Casa. Na tentativa de auxiliar, a Prefeitura adiantou nessa semana o repasse de R$ 1,5 milhão referente aos serviços prestados pelo hospital no mês de maio.

Outra notícia boa foi a liberação de uma verba estadual exclusiva para aquisição de insumos. Tal repasse será utilizado, em caráter emergencial, para o início da normalização dos atendimentos eletivos, paralisados desde a semana passada. “Trabalhamos arduamente para que, tão logo quanto possível, essa situação seja sanada por completo e os atendimentos eletivos sejam retomados”, afirmou a Santa Casa em nota divulgada na tarde de ontem, 07.

Por ora, os repasses deixam a situação menos desesperadora, mas não menos complicada. Milton Bonatti contou que assumiu a provedoria porque o hospital estava em risco iminente de sofrer uma intervenção judicial, conforme publicou A COMARCA na semana passada. No cargo, uma das primeiras dele foi terceirizar a contabilidade da instituição. Uma auditoria deve ser realizada em breve
.
O contrato com o departamento jurídico também deve ser rompido. Já a empresa terceirizada contratada para realizar a limpeza do hospital rompeu o contrato por falta de pagamento. “Estamos contratando pessoas para que o hospital não pare de uma vez”, revelou o provedor.

Novo provedor Milton Bonatti expôs situação crítica e se emocionou durante reunião com vereadores

MÁ GESTÃO
Questionado sobre como a Santa Casa chegou a tal situação, o novo provedor não conteve a emoção. Com a voz embargada, se limitou a dizer que houve muito gasto com “perfumaria”, a ponto de o hospital pagar atualmente R$ 10 mil por dia de juros de empréstimos. Bonatti foi categórico: o maior problema é de gestão. “Nosso maior cliente é o SUS, o melhor era a Unimed, conseguiram brigar com os dois”.
“A Santa Casa está há muitos anos gastando mais do que ganha”, disse o provedor. Todos os meses, o hospital fecha no vermelho. “Quero fazer agora uma provedoria aberta, falei diretamente com o Carlos Nelson Bueno para colocar alguém da Prefeitura lá dentro”, relatou Bonatti, que acredita que a cogestão é a melhor saída.

DEMISSÕES
O provedor afirmou ainda que a folha de pagamento, altíssima em comparação a outras Santas Casas, é o principal obstáculos e que algumas demissões serão inevitáveis. Para equilibrar a situação, calcula-se que o ideal seria uma “demissão em massa” de aproximadamente 150 dos quase 540 funcionários. O próprio Bonatti, porém, é resistente a essa alternativa.

O SinSaúde, que defende a categoria dos trabalhadores, também vê com preocupação esse cenário. “Vão nascer novos problemas e até mais severos”, previu o advogado do sindicato, Diego Magalhães.

EMERGENCIAL
A Prefeitura tem um plano emergencial, caso a crise da Santa Casa se agrave. O plano inclui um convênio com os municípios vizinhos de Mogi Guaçu e Itapira para o atendimento de mogimirianos e a abertura de contratos emergenciais para suprir a demanda. Essas propostas precisam passar pelas respectivas Câmaras Municipais antes de entrar em vigor.

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Veja mais
Confira mais notícias
Edições semanais
EDITORIAL
Capa Nelson Theodoro

Siga a comarca nas redes sociais

site_mobile_menu

Siga A Comarca

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp