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Bispo é cauteloso sobre ‘padre exorcista’ para a Diocese

Um assunto controverso vem ganhando espaço em grandes veículos de comunicação desde que foi dada publicidade a uma assertiva do Papa Francisco, no início de seu pontificado, quando teria dito que “quem não reza a Deus, reza ao Diabo”, interpretada pelos católicos como um recado de que, se o Diabo existe, deve ser combatido.

Ainda conforme o divulgado pela imprensa internacional, existe uma orientação do próprio Vaticano para que dioceses do mundo todo ofereçam treinamento para que padres possam fazer o chamado exorcismo, isto é, a expulsão de demônios.

Em sua mais recente passagem pela cidade, quando veio participar de uma cerimônia no Colégio Imaculada, o Bispo de Amparo, Dom Luiz Gonzaga Fechio, foi ouvido por A COMARCA a respeito do assunto e se mostrou muito cauteloso. Garantiu que, pelo menos por enquanto, não está preocupado em dotar a diocese pela qual responde com alguém que tenha este tipo de atribuição.

Dom Luiz exibiu uma série de argumentos demonstrando que o tema não é assim tão simples de ser tratado. “Em primeiro lugar devemos nos ater ao fato de que nunca tivemos este tipo de necessidade mais pontual, apresentada por algum padre, o que não significa que não possa aparecer”, ponderou.

Além disso, ele exibiu comedimento ao afirmar que o assunto dá margens para muitos tipos de questionamentos e interpretações e como tal deve ser tratado sempre com muita moderação. “Eu entendo que a preparação de um sacerdote para atuar especificamente neste tipo de situação seja algo que deva ser muito bem conduzida. Esta pessoa tem que possuir um preparo espiritual muito elevado e também ter profundo conhecimento a respeito de fenômenos, como por exemplo patologias clínicas que podem ser facilmente confundidas com algum tipo de possessão. Existe uma linha muito tênue que separa o desequilíbrio psicológico de fatos concretos e muito raros com os quais a Igreja já lidou quando se trata de possessão demoníaca”, contextualizou.

Dom Luiz deixou implícito que considera que uma abordagem equivocada a respeito do assunto possa encaminhá-lo a um processo de banalização que iria, na sua opinião, contra aquilo que o próprio Santo Padre quis alertar quando falou a respeito do assunto. “Este é um tema que, conforme as circunstâncias exigirem, poderá ter um encaminhamento não exclusivamente pelo bispo, e sim, com um grupo de padres que o assessora, existente em toda diocese, chamado Conselho Presbiteral”, reforçou.

INTERNET
O Bispo de Amparo salientou ainda, por outro lado, que a preocupação da Igreja com o assunto é legítima, dada a forma com que pessoas se esforçam para a propagação do chamado satanismo, mencionando a Internet como uma ferramenta que tem sido usada para este tipo de finalidade. “Mas ainda sim temos que ter muito cuidado porque existe gente que gosta de enxergar o Diabo em tudo, não assumindo seu papel de sujeito no combate do Mal, atribuindo a solução a algo que parece refletir um pensamento um tanto quanto ‘mágico’”, finalizou.

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