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Monumentos históricos da cidade viram alvo de furtos

Flávio Magalhães

As peças e placas de bronze de diversos monumentos históricos e espaços públicos estão desaparecendo de Mogi Mirim. Notadamente, desde outubro do ano passado, uma série de furtos teve esses itens como alvo. Nem a região central de Mogi Mirim escapou das ações criminosas.

Na principal praça da cidade, foram furtadas as placas dos bustos de Rui Barbosa (que dá nome ao logradouro) e Francisco Cardona, o jornalista consolidador da imprensa mogimiriana e fundador de A COMARCA, além do obelisco em homenagem ao centenário de elevação de Mogi Mirim à cidade, datado de 1949. 

Na fonte, a marca deixada pelos criminosos: a placa que marca a remodelação da Praça Rui Barbosa (na gestão do ex-prefeito Ricardo Brandão, em 1980) foi danificada na tentativa de ser furtada. O que causou a desistência de consumar o furto não se sabe.

A poucos metros dali, na Praça São José, nota-se a ousadia dos ladrões. Em outubro do ano passado, A COMARCA noticiou a primeira onda de furtos. Na ocasião, foi furtada uma peça de bronze no monumento dedicado aos “pracinhas” mogimirianos, no obelisco erguido em 1995, por iniciativa da Câmara Municipal, em alusão aos 50 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, os criminosos retornaram ao local e levaram também as placas que continham o nome dos combatentes.

Ainda no Centro, na Praça da Bandeira, mais uma tentativa frustrada. O símbolo do Rotary Internacional, no monumento em homenagem ao bicentenário de Mogi Mirim (1969), acabou danificado pelos criminosos. Por outro lado, os furtos foram bem sucedidos no Jardim Velho (busto do Coronel João Leite do Canto), na Praça 9 de Julho (monumento ao soldado constitucionalista), no Complexo Esportivo José Geraldo Franco Ortiz, na Praça Ocílio Rótolli (Tucura), na Praça Francisco Alves e na Avenida Juscelino Kubistchek de Oliveira.

O Centro de Documentação Histórica (Cedoch) Joaquim Firmino de Araújo Cunha identificou ao menos 11 furtos, além das duas placas danificadas. A COMARCA verificou ainda uma terceira placa danificada, na Praça Lions. Para a presidente do Cedoch, Carmen Lúcia Bridi, o desrespeito com o patrimônio histórico acontece devido à falta de conhecimento. “Infelizmente, não temos uma educação voltada para a preservação de nossa história. A valorização de nosso patrimônio só acontece quando conhecemos a fundo nossa história e o que ela representa para nós, quando sentimos que fazemos parte dela, que o patrimônio nos pertence e, portanto, faz parte de nossa identidade”, explicou.

Apesar de tantos furtos, o Cedoch acredita que há como repor as placas e símbolos que desapareceram. Inclusive, a entidade sugeriu à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo que utilize materiais que não tenham tanto valor comercial como o bronze, a fim de desencorajar novos crimes. Segundo a Prefeitura, essa solicitação já está em análise pelo secretário Luiz Dalbo.

SEGURANÇA
O furto de placas de bronze é de conhecimento da Administração Municipal, que também contabilizou cerca de dez monumentos que tiveram suas placas de identificação furtadas ao longo do ano passado. Por serem peças à base de cobre, as autoridades de segurança acreditam que criminosos estariam furtando e revendendo essas peças em estabelecimentos de comércio de sucatas (ferro velho, por exemplo). O bronze é um material de fácil derretimento e de razoável valor comercial (atualmente, cerca de R$ 22 o quilo).

Segundo o secretário de Segurança Pública, Luiz Carlos Pinto, diversas ações para combater este tipo de crime já estão em andamento. A Guarda Municipal, a Polícia Civil e a Polícia Militar vêm, desde o início do ano, realizando sucessivas ações em comércios de sucatas para coibir a receptação das peças de cobre.

Tanto a Guarda Civil Municipal quanto a Polícia Civil consideram tais casos como isolados, não se verificando no Município a ação de criminosos especializados neste tipo de furto, exclusivamente. No ano passado, foi colocada ainda a possibilidade de que tal ação exigiria uso de veículos, devido ao tamanho e peso das peças, o que, a princípio, exclui moradores em situação de rua como possíveis suspeitos.

Tanto a Guarda Civil Municipal quanto a Polícia Civil consideram tais casos como isolados (Foto: A COMARCA)


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