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Patrono da Fatec, Arthur de Azevedo completaria 100 anos neste domingo

Flávio Magalhães

Neste domingo, dia 5, Arthur de Azevedo completaria 100 anos de idade. Uma das maiores personalidades da história de Mogi Mirim, Azevedo é conhecido, principalmente, por ter dirigido o jornal A COMARCA ao longo de três décadas. Sob sua condução, o periódico não foi apenas testemunha do desenvolvimento da cidade, mas também participou ativamente desse processo.

Nascido em 5 de setembro de 1921, na capital paulista, Arthur de Azevedo era filho do português Antônio de Azevedo e de Cordélia Veiga Lima de Azevedo. Fez seus primeiros estudos no Liceu Coração de Jesus, no bairro dos Campos Elísios, onde a família morava.

Chegou a Mogi Mirim, pela primeira vez, em 1945, por conta do trabalho como vendedor, pelas estradas de ferro da Companhia Mogiana. Hospedou-se no Municipal Hotel, onde hoje existe uma agência do Banco do Brasil, bem em frente à Praça Rui Barbosa. Ali conheceu a jovem Maria Conceição, filha do jornalista Francisco Piccolomini, então diretor de A COMARCA, e dona Leonor Scaglioni Piccolomini.

Retornou com mais frequência a Mogi Mirim, não tanto pela posição comercial estratégica do município, mas, sim, pela paixão por Maria Conceição. Casaram-se em 1951 e mudaram-se para São Paulo, época em que Azevedo trabalhou nas Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo. Com o nascimento do primeiro filho, ainda em 1951, veio a decisão de regressar a Mogi Mirim.

A convite do sogro, ingressou em A COMARCA. Começaria, assim, sua trajetória de destaque no município. Já em 1953, assumiu a direção do jornal, que passou a ter outros ares. Planejou novas seções, dinamizou a publicação, aumentou o número de páginas. Criou um estilo próprio e inconfundível de redação. A elegância tornou-se sua marca registrada. Ao longo de dez anos, entre os anos 1960 e 1970, transformou A COMARCA em jornal diário, algo inédito e um feito único até os dias de hoje para o jornalismo local.

A partir de 1959, caminhou rumo a uma consolidação regional ao adquirir a Folha de Itapira e fundar o jornal O Guaçuano, atento ao crescimento e industrialização das vizinhas cidades, principalmente Mogi Guaçu, que recebeu uma unidade da Champion (atual International Paper). Ao mesmo tempo, lançou o Champion Radiojornal, informativo diário com notícias da região, do Brasil e do mundo, através dos telegramas das agências de notícias. 

O programa, que ia ao ar pela Rádio Cultura e, mais tarde, pela Rádio Cidade, sempre às 18h30, alcançou índices avassaladores de audiência. Ao longo dos anos, dividiu a apresentação do radiojornalístico com nomes como Nelson Patelli Filho e Mário Salgado Lima. O Champion Radiojornal não foi sua única incursão nesse veículo de comunicação, uma vez que também conduziu outros programas, como o Matutino Botelho e o Informativo CMG.

Com o passar do tempo, conviveu com diversas autoridades e conquistou prestígio singular. Suas ações não se restringiram ao jornalismo. A implantação do Clube Mogiano foi, talvez, o maior empreendimento do qual participou ativamente. Foi presidente da entidade por mais de uma década e grande incentivador de esportes, como o tênis.

Teve ainda papel fundamental na criação do primeiro estabelecimento de ensino superior em solo mogimiriano, a Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Mogi Mirim (hoje, Faculdades Santa Lúcia). O reconhecimento pela vida dedicada ao município veio através de outra faculdade. Arthur de Azevedo deu nome à Fatec, através de um projeto de lei de iniciativa do deputado Barros Munhoz.

Em vida, Azevedo recebeu o título de cidadão mogimiriano e a Medalha João Theodoro, maior honraria do município. Também foi agraciado com a medalha Cruz de João Ramalho, do Instituto Genealógico Brasileiro e a medalha MMDC, da Sociedade de Veteranos de 1932, dentre outras comendas.

Faleceu aos 80 anos de idade, em 15 de março de 2002, deixando a esposa, os filhos Arthur e Ricardo, noras e notas, e uma cidade enlutada. 

Arthur de Azevedo, ícone do jornalismo regional, imprimia estilo próprio e inconfundível aos seus textos (Foto: Arquivo)


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