!


Paróquia São José completa 270 anos de fundação

Nesta segunda-feira, dia 1º de novembro, a Paróquia São José completa 270 anos de fundação. A data faz referência ao dia em que Mogi Mirim tornou-se uma freguesia autônoma, se desmembrando da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Mogi do Campo (que daria origem ao município de Mogi Guaçu).

Segundo pesquisa do professor Sérgio Romanello Campos, a primitiva Igreja de São José ainda não estava totalmente concluída quando tornou-se sede da paróquia. Ainda assim, o templo foi benzido e inaugurado pelo padre Mateus Lourenço de Carvalho, Arcediago do Cabido de São Paulo e Governador do Bispado. Foi nomeado como primeiro pároco o padre Antonio Dâmazo da Silva.

A origem do templo, em si, remonta a tempos ainda mais antigos. Registros do padre Antonio Xavier de Matos, segundo vigário de Mogi Mirim, dão conta que a construção da igreja se iniciou em 1747, quando, por ordem do primeiro bispo de São Paulo, Dom Bernardo Rodrigues Nogueira, foram assentados os primeiros alicerces, ainda sob a jurisdição paroquial de Mogi do Campo. 

A igreja foi construída em paredes de taipa de pilão. Romanello estima que trabalharam nas obras de 10 a 15 homens livres e outro tanto de escravos, sempre em esquema de mutirão. Tal obra era realizada de dois a três dias por semana, uma vez que, nos demais dias, os habitantes do arraial mogimiriano voltavam aos seus afazeres habituais. 

Os registros do padre Xavier de Matos dão mais detalhes da época: “A Igreja desta Freguesia é da invocação do Senhor São José, cuja festividade, por ordem de S. Exa. Revma., o Sr. D. Frei Antonio da Madre de Deus, segundo bispo de São Paulo, se celebra na terceira dominga de outubro, dia do Patrocínio do mesmo Santo. Tem, no presente, um só altar, que é o da capela-mor. É feita de parede pilão, e o seu teto acha-se ainda por forrar. E serve-lhe de sacristia interinamente um dos corredores, que fica ao lado da mesma capela-mor. Ainda não possui sacrário nem lâmpada, mais que uma de latão, pequena, proporcionada só para oratórios, a qual foi dada de esmola. Tem dois sinos: um pequeno, de arroba, e outro maior, de dez, o qual foi artificiado e fundido nesta mesma freguesia. Acha-se com pia batismal, que é feita de pau, conforme a capacidade da terra”.

Segundo Romanello, “parede pilão” era o nome dado à parede feita de taipa de pilão, com quase meio metro de espessura. A humilde pia batismal era feita de madeira, pois a comunidade não tinha recursos. O padre Xavier de Matos, inclusive, usa um eufemismo para isso, ao relatar “a capacidade da terra”.

MATRIZ NOVA
Após quase 180 anos de fundação da paróquia, a antiga Igreja Matriz foi demolida, uma vez que o velho templo já não era compatível com o progresso da cidade. Havia a necessidade de que fosse construída outra maior, nos parâmetros da moderna técnica arquitetônica. 

Segundo pesquisa de Rosana Bronzatto, o Monsenhor Moysés Nora chamou o construtor Luís Belotto Baggio e o pôs em contato com o engenheiro Rogério Vieira Tucci, com a missão de construir a nova igreja. 

O terreno onde está a atual Matriz, que não é o mesmo da anterior, foi permutado com a Prefeitura em fevereiro de 1928, conforme registram as notas do 1º Tabelião. Após analisar o novo projeto, o bispo Dom Francisco de Campos Barreto autorizou a demolição da velha igreja e se comprometeu a abençoar a pedra fundamental em 28 de outubro de 1928.

Várias campanhas foram feitas para a construção da nova Matriz de São José, cuja planta original externava duas torres laterais. Houve um grande movimento encabeçado por Albertino Leite e foi aberta uma lista de subscrição pública para angariar fundos. O coronel João Leite de Canto fez o primeiro donativo, na ordem de Cr$ 300 mil para custear a primeira das cinco fases. 

Rogério Vieira Tucci ficou responsável pela supervisão da construção e, durante um quarto de século, 150 operários passaram pela obra. A primeira comissão de obras foi composta por Lúcio Cintra do Prado (presidente), Benedito Vaz (vice-presidente), Lauro Monteiro de Carvalho e Silva (1º tesoureiro), Edgard Netto de Araújo (2º tesoureiro), e Albertino Leite (secretário). Além disso, nomearam-se Vogais e uma Comissão de Senhoras.

Em sua pesquisa, Rosana registrou que o filho do engenheiro Rogério Vieira Tucci, o Dr. Rogério Lauria Tucci, deixou escrito: “É preciso se patentear, de vez para sempre, que cada tijolo, cada minúcia de nossa Igreja Matriz é fruto de um pequeno sacrifício de cada alma mogimiriana ou amiga de nossa terra, pequenos sacrifícios que erigiram um monumento de fé e de Esperança em pleno coração de Mogi Mirim. Monumento de Fé que diz bem do fervor religioso de um povo e Monumento de Esperança no surto maiúsculo de progresso que se afigura como certo para Mogi Mirim”.

JUBILEU
O atual pároco da Igreja Matriz de São José, padre Ademir Bernardelli, é o 41º sacerdote diferente a ocupar a função. A missa de posse aconteceu em 2 de fevereiro de 2020, com a participação do bispo de Amparo, Dom Luiz Gonzaga Fechio, e de diversos religiosos da diocese.

Bernardelli tem uma trajetória bastante diversificada em suas atribuições sacerdotais. É dono de um italiano fluente, resultado de sua passagem pelo continente europeu quando estudou na Itália. Antes de ser designado para Mogi Mirim, ocupou por sete anos a titularidade da Paróquia São Benedito, em Itapira.

Agora, padre Bernardelli tem a responsabilidade de conduzir a Paróquia de São José nas comemorações do Jubileu de 270 anos. A missa que marca a data ocorre nesta segunda-feira, dia 1º, a partir das 19h30, com a presença das demais paróquias da cidade e do bispo de Amparo. Também será celebrado o 150º aniversário de São José como Patrono Universal da Igreja.

Para A COMARCA, Bernardelli contou que está preparando a comunidade para o Jubileu desde o ano passado, com celebrações especiais no dia 19 de cada mês. E a paróquia tem um motivo a mais para celebrar, já que o Papa Francisco convocou, até 8 de dezembro de 2021, o “Ano de São José”.
O pároco ainda destacou o trabalho diferenciado realizado pela paróquia mais antiga da cidade. Por ser uma igreja central, acaba acolhendo pessoas de todas as demais comunidades da cidade.

Igreja Matriz de São José terá missa para marcar os 270 anos de fundação da paróquia (Foto: Nelson Victal do Prado Júnior)

Nenhum comentário:

Deixe um comentário

Scroll to top