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Clínica clandestina é fechada pela Vigilância Sanitária

Na tarde de terça-feira, 21, uma clínica clandestina, localizada nas Chácaras Sol Nascente e que supostamente tratava de dependentes químicos, foi interditada e lacrada pela Vigilância Sanitária (VS), com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM). A ação aconteceu após denúncias anônimas a respeito de maus tratos contra os internos.

Em meio aos 41 residentes do local, havia dois cadeirantes, uma pessoa com sérios problemas neurológicos, dois menores e uma pessoa acamada. A reportagem de A COMARCA conversou com um dos internos, que mostrou marcas de uma possível agressão sofrida por ele. 

Segundo esse relato, as agressões teriam sido causadas por um dos chamados “monitores” que, na verdade, são internos com alguns privilégios na hierarquia da clínica. Segundo as autoridades, havia outras irregularidades. No local, havia 32 leitos para 41 internos e, nesta terça-feira, eram esperados mais cinco novos internos. 

Na geladeira e dispensa, nenhuma comida. No cardápio colado junto à parede da cozinha, há pouca variação nos pratos. Na maioria das vezes, era servido arroz, feijão, legumes, macarronada e polenta. “Quando estava bom, tinha salsicha. Carne mesmo, só iríamos comer no Natal”, denunciou um interno. 

As condições no local surpreenderam os fiscais da Prefeitura, os técnicos da VS, o Conselho Tutelar, assim como policiais civis e guardas civis municipais que participaram da ocorrência. “Eles não têm assistência médica, psicológica e nem possuem um enfermeiro à disposição”, espantou-se uma fiscal. 

A suposta clínica, que pertence a um homem residente em Limeira, também está irregularmente registrada na Prefeitura como sendo um albergue. “Há apenas um técnico em enfermagem e que sequer concluiu o curso”, afirmou uma agente de saúde. 

A gerente da Vigilância em Saúde, Vivian Dellalibera Custódio, fez questão de acompanhar a ação de seus agentes no local. Durante a blitz, foram apreendidos muitos remédios, inclusive alguns com o prazo de validade vencido. A receita era fornecida por uma médica de Limeira. Por outro lado, não havia qualquer autorização ou alvará de funcionamento fornecido pelos órgãos municipais competentes.

DELEGACIA
“Não têm uma licença da Prefeitura, da Secretaria de Saúde, um responsável técnico, muito menos um projeto terapêutico”, apontou Vivian. Para ela, o dono da clínica feriu todos os artigos da lei que regulamenta o funcionamento das comunidades terapêuticas. 

Ainda durante à tarde, peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de Mogi Guaçu estiveram na chácara. Já os responsáveis pela clínica foram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde a delegada de plantão, Raquel Casalli, ouviu-os em depoimento.

Alguns internos também conversaram com a policial. Há informações de que muitos deles vieram de outra clínica, do mesmo dono, fechada em Cordeirópolis. O secretário de Segurança Pública, Luiz Carlos Pinto, que já fez parte do Conselho Tutelar, afirmou que o caso é grave. “Isso aqui, do jeito que está, tem que acabar, ser lacrado”, sentenciou. 

A secretária de Assistência Social, Cristina Puls, foi até a chácara onde funcionava a clínica para saber as condições dos internos e que tipo de ajuda eles necessitam. A maioria será devolvida às famílias e, em caso de necessidade de pernoite, a Assistência Social poderá utilizar o abrigo gerido pela entidade S.O.S. Cristão, na zona Leste.. 

Cristina já estava em contato com as famílias para saber quem têm ou não condições de vir resgatá-los em Mogi. Já os menores, ficarão sob a responsabilidade do Conselho Tutelar até a devolução aos pais ou responsáveis.

No local, havia 32 leitos para 41 pessoas internadas e, nesta terça-feira, eram esperados mais cinco novos internos (Foto: Claudio H. Felício/Portal da Cidade Mogi Mirim)

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