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Mogi registra mais uma morte por suspeita de febre maculosa

Mais uma morte por suspeita de febre maculosa foi registrada em Mogi Mirim. Trata-se de um funcionário dos Correios, de 55 anos, morador de São Carlos e que, segundo informações, visitou Mogi Mirim e esteve no Complexo Esportivo José Geraldo Franco Ortiz, o Zerão. 

Ele esteve no município a trabalho, no final de novembro, e ficou hospedado em um hotel nas proximidades do Zerão. No local, também há muitas capivaras, animal que costumam carregar o carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa.

Após retornar para São Carlos, o funcionário dos Correios apresentou um quadro febril persistente e chegou a ser internado, primeiramente, na Santa Casa daquela cidade, onde chegou a ter alta. Contudo, como os sintomas retornaram, ele foi transferido para o Hospital da Unimed, onde veio a falecer no dia 1º de dezembro. 

Uma parente dele afirmou à reportagem de A COMARCA que no atestado de óbito fornecido pelo Hospital da Unimed consta que a vítima morreu de febre maculosa. Este é o segundo óbito por suspeita de febre maculosa em Mogi Mirim. No dia 29 de novembro, uma criança, moradora em Sumaré e que também esteve no Zerão, morreu com suspeita de febre maculosa. Além disso, já houve a confirmação de uma morte por febre maculosa no município. A vítima foi um homem de 50 anos, morador da zona Leste, que faleceu no dia 21 de outubro. Ainda não se sabe qual foi o hospedeiro do carrapato responsável pela infecção, embora as investigações tenham descoberto que o homem era criador de cavalos.

A família do funcionário dos Correios está revoltada. Um parente chegou a entrar em contato com a Vigilância em Saúde (VS) e cobrou providências. A chefe da VS, Vivian Delalibera, por sua vez, informou à reportagem de A COMARCA que, em contato com a Vigilância Epidemiológica (VE) de São Carlos, foi informada que realmente há um óbito por febre maculosa em investigação, mas a confirmação ainda não chegou. 

A VE também está realizando uma investigação epidemiológica a fim de verificar quais os locais e municípios frequentados pelo paciente para ver qual o local provável de infecção, já que as informações que eles possuíam ainda estavam muito desencontradas. 

SAÚDE
Na segunda-feira, 6, a própria secretária de Saúde, Clara Alice de Almeida Carvalho, foi até a Câmara Municipal prestar esclarecimentos sobre o problema aos vereadores. Segundo ela, não adianta simplesmente retirar as capivaras do Zerão, pois os carrapatos vão continuar no local. 

Essa informação foi endossada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Oberdan Quaglio, que acompanhou Clara ao Legislativo. Ele ressaltou que o carrapato-estrela também é comum em animais domésticos (cães e gatos), cavalos, bois, vacas dentre outros mamíferos. 

O prefeito Paulo Silva (PDT) disse que a remoção das capivaras também depende de autorização de órgãos federais, um processo extremamente burocrático, demorado e que pode não resolver o problema. “Por enquanto, a melhor solução é cercar aquele local com alambrado”, afirmou, mas sem dar uma data para o início dessa obra. 

Segundo apurou A COMARCA, o Município não tem competência para legislar sobre o assunto, uma vez que compete ao Estado esta atividade, através do Departamento de Fauna (DeFau), do Sistema Integrado de Gestão de Fauna Silvestre. Trata-se de um animal de vida livre silvestre, protegido por lei e que qualquer intervenção para manejo compete aos órgãos do Estado, sendo proibido manipulá-lo, capturá-lo ou transladá-lo sem autorização prévia.

REVOLTA
Mas para a família do funcionário dos Correios, essas explicações não bastam. “Quantas pessoas terão que morrer para que sejam tomadas algumas providências?”, questionou outro parente da vítima, que ainda se queixa da falta de sensibilidade da Prefeitura, que, de acordo com ele, sequer ligou para a família.  

“Estou fazendo esse desabafo para que outras famílias não passem pelo que estamos passando. Essa morte despedaçou nossa família”, acrescentou. Para essa pessoa, placas com advertência não resolverão o problema.

A DOENÇA
A Secretaria de Saúde e a Vigilância Epidemiológica recomendam que ao utilizar espaços como gramados, verifique se há a presença de carrapato na pele. Há também a orientação de que seja suspensa temporariamente a atividade de pesca no Lago do Lavapés.

No Brasil, os principais vetores e reservatórios são os carrapatos do gênero conhecido como carrapato-estrela. Entretanto, potencialmente, qualquer espécie de carrapato pode ser reservatório da bactéria causadora da febre maculosa, como por exemplo, o carrapato do cachorro.

A maior parte dos casos de febre maculosa ocorre na região Sudeste e os animais que geralmente são hospedeiros desse tipo de carrapato são a capivara e o cavalo. Ao atravessar a barreira da pele, a bactéria causadora da febre maculosa chega ao cérebro, pulmões, coração, fígado, baço, pâncreas e tubo digestivo, e por isso é importante saber identificar e tratar essa doença o quanto antes para evitar maiores complicações e até mesmo a morte.

No Brasil, os principais vetores e reservatórios são os carrapatos do gênero conhecido como carrapato-estrela (Foto: Divulgação)

1 comentários:

  1. Se o local oferece tantos riscos, o correto seria interditar toda a área do complexo Lavapés até que este processo de solução que se diz lento seja concluído.

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