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Novo gestor assume futebol do MMEC, promete ingresso gratuito e fala em caldeirão no Vail Chaves

Diego Ortiz

Proprietário da WKM Solutions, empresa responsável por consultorias e realização de obras públicas nos Estados Unidos, o engenheiro Wilson Keller de Matos, de 43 anos, que foi candidato a prefeito em Campinas nas últimas eleições pelo Patriota, assumiu a gestão do futebol do Mogi Mirim no dia 24 de novembro. Recentemente, concedeu entrevista à reportagem de A COMARCA no Estádio Vail Chaves, antes de viajar aos Estados Unidos em sua primeira viagem como manager do clube. 

Segundo revelou, o contrato tem validade de um ano, prevendo a gestão das categorias profissional e sub-20. Há previsão de prorrogação por mais uma temporada e possibilidade de extensão da terceirização para as categorias sub-15 e sub-17. Matos disse que o contrato foi oficializado entre o Mogi e sua empresa WKM, tendo ele assinado como representante. 

O empresário, que vive entre o Brasil e os Estados Unidos, contou que a ideia de assumir o Mogi partiu do intuito de gerir um clube brasileiro por ter sido esse um pedido do Cincinnati, clube da MLS, a liga norte-americana, onde atua o atacante Brenner, ex-São Paulo, para fechamento de uma parceria. “Pintou a oportunidade, por que não fazer uma parceria como o Red Bull faz com os Red Bulls no mundo, uma equipe da MLS que esteja no campeonato estadual que é uma vitrine no Brasil, me pediram uma parceria (o Cincinnati)”, contou Matos, garantindo, porém, que, diferente do Red Bull Bragantino, por exemplo, não haverá alteração do nome do Mogi Mirim Esporte Clube, sendo apenas uma comparação do modelo de gestão. “Imagina. Mogi Mirim é Mogi Mirim. Administrativamente, o clube é o Mogi”, frisou.

Questionado se o Mogi se tornaria uma espécie de filial do Cincinnati, respondeu: “São fases, a gente está em um processo de namoro, se conhecendo, primeiro passo era pegar a gestão de um clube no Brasil, que a gente conseguiu. Agora vamos começar a estruturar o clube”. 

A parceria visa o intercâmbio de jogadores e obter recursos com negociação de atletas. Além do Cincinnati, que aponta ser o seu maior parceiro, conta ter abertura no Los Angeles Galaxy, Colorado Rapids e DC United. “Esses quatro clubes têm interesse em ter a matéria-prima. Vamos levar um sub-20 pros Estados Unidos, a gente faz um tour na MLS, tentar fazer um caixa com esses meninos que a gente levar”, explica. 

O gestor disse pretender, caso consiga acertar os trâmites burocráticos relacionados a fatores como providência de passaportes de jogadores, colocar o Mogi Mirim na disputa do Dallas Cup em março de 2022 com a equipe sub-20.

Matos conta ter o objetivo de oferecer uma matéria-prima não apenas de talento, mas jogadores com preparo psicológico para atuar no exterior, o que diz ser uma carência atual. Frisa planejar algo inovador. Planeja preparar os jogadores psicologicamente e ter uma estrutura com alojamento com ventilação adequada, boa alimentação e projetos culturais e de idiomas. 

“Essa é a conversa minha com o CEO do Cincinnati: por que gastar 13 milhões com o Grêmio com (um jogador de 20 anos) se a gente pode desenvolver um menino aqui no Mogi Mirim e gastar 1 talvez. É a matemática, é a comercialização do futebol. Hoje com o dólar a R$ 5,50, pro americano, Brasil, Argentina e México são o mercado a ser explorado”, declara.   

Matos pretende conversar com seu corpo jurídico sobre a ideia de utilizar o CT de Mogi Guaçu, mas se não for possível, pretende alugar um campo visando preservar o gramado do Vail. Hoje, revelou estar trabalhando na obtenção dos laudos do estádio. Uma ideia é conversar com um historiador da cidade, pois planeja fazer um museu do clube. 

A escolha pelo Mogi Mirim ocorreu com uma seleção realizada com a ajuda da Federação Paulista de Futebol, em que Matos analisou cerca de 20 clubes da Bezinha e com carências de planejamento e optou pelo Sapo, onde já tinha uma relação iniciada com um patrocínio durante a Segunda Divisão do Campeonato Paulista. 

HISTÓRICO
Matos conta ter vindo de uma família carente e, por intermédio de uma bolsa de estudos, foi para os Estados Unidos como jogador aos 17 anos. A atuação com o esporte no Brasil começou há cerca de seis anos com o futsal fazendo intercâmbio de jogadores de sua equipe norte-americana, o Hyper, com o Pulo do Gato, de Campinas. Depois da experiência no futsal, iniciou uma história na Major League Soccer (MLS), onde foi treinador da base do DC United. 

Explica que, como jogadores do Pulo do Gato atuam na base de Guarani e Ponte, acabou procurado pelos clubes e se tornou patrocinador de ambos. Em função de patrocinar os clubes de Campinas, acabou procurado pelo presidente do Mogi, Luiz Oliveira, em 2021, para patrocinar o time na Bezinha. “Ajudei com um auxílio mínimo, em algumas reformas, pintei a parede, arrumei algumas coisas no alojamento, a relação começou dessa ajuda. Patrocínio que eu dava era uma ajuda de custo”, observou.

Wilson Matos garantiu não ter a intenção de mudar o nome do Mogi Mirim e disse pretender colocar o clube na disputa da Dallas Cup em março, com uma equipe sub-20, se conseguir viabilizar trâmites burocráticos a tempo (Diego Ortiz/A COMARCA)


Gestor promete ingresso gratuito e fala em caldeirão no Estádio Vail Chaves

Ao abordar a cultura norte-americana, Wilson Matos destacou as experiências da NBA e NFL, as ligas de basquete e futebol americano, e observou ter o desejo de ver o esporte no Estádio Vail Chaves vivenciado pelas famílias como um lazer. E anunciou que os jogos do Mogi Mirim durante sua gestão não terão a cobrança de ingressos. 

“Eu não pretendo cobrar ingresso. Quero que a cidade encha esse estádio, quero fazer disso aqui um caldeirão”, afirmou, antes de ser questionado se essa é uma decisão concreta ou em estudos. “É fato, não vai ter cobrança de ingresso. Eu vou pagar, na Federação, na Bezinha, você só paga o impresso, vou pagar esse impresso e dar”, avisou.

Um dia depois da entrevista para A COMARCA, Matos postou vídeos com a camisa do Mogi Mirim em jogo da NBA na Capital One Arena, em Washington, onde o Washington Wizards venceu o Timberwolves. Em todos os jogos do Wizards em casa, Matos revelou que sua empresa tem um espaço na área vip, com alimentação e bebida à vontade. 

Matos diz não querer gestão longa e se desvincula de Luiz Henrique

Ao ser questionado sobre a ideia de se consolidar à frente do Mogi Mirim, Wilson Matos garantiu não ter pretensões políticas no clube de se tornar presidente e nem mesmo de permanecer como gestor ou no comando do clube por muitos anos. Com contrato inicial de um ano e previsão de prorrogação por mais um, sinalizou que o projeto é de no máximo cinco anos por ser esse um prazo para recolocar o time na Série A-1 do Campeonato Paulista. Porém, só garante a sua continuidade por até dois anos. 

“O projeto é desenhado para cinco anos, porque é onde a gente vai chegar na A1. Mas se vou tocar o terceiro ano em diante não quero ter esse comprometimento agora. Se quiserem continuar tocando, perfeito, não acredito nessa questão de alguém sentar no poder por muito tempo. Talvez daqui a dois anos, eu entro em outro projeto, não gosto de comprometimento longo, faço o planejamento, me comprometo por 2 anos”, frisa, observando que o foco de seu grupo é a questão de gestão e intercâmbio, com o projeto dos acessos em paralelo. 

O empresário também garantiu ser independente do presidente Luiz Oliveira e que sua atuação permanecerá se a oposição assumir o poder. “Vou te dar um exemplo. Sou um dos patrocinadores másters do Guarani e da Ponte. Ponte teve eleição agora, semana retrasada, tenho uma relação ótima com Sérgio e Tiãozinho, saíram, saíram. Novo presidente vamos conversar para continuar a parceria, não estou fazendo negócios com pessoas, (mas) com entidades”, afirma.

Segundo explicou, Luiz não irá participar de suas decisões e a função do presidente será limitada à representatividade do clube junto à Federação. Matos disse conhecer as dívidas trabalhistas do clube e frisa que não abraçaria o projeto se já não tivesse o recurso suficiente para montar times competitivos. “Se o Água Santa, que eu conheci a estrutura, diretoria, conseguiu o acesso 3 anos seguidos (Bezinha para a A-1), acho que sou profissional suficiente para conseguir aqui também. Futebol a gente sabe que é muito de recursos e eu tenho essa facilidade de captação especialmente fora do país com investidores americanos”, garantiu.  

VALORES
Questionado sobre os valores pagos ao clube para garantir a terceirização do futebol, disse que não teria problemas em revelar os detalhes, mas afirmou preferir que essa revelação seja feita por Luiz, que não atende a reportagem de A COMARCA. Mas observou que, como patrocinador, dava apenas uma ajuda de custo e agora os valores são muito maiores por se tratar de uma terceirização. 

A COMARCA também perguntou para qual conta iriam os recursos até considerando a questão de bloqueio de valores do clube para pagamento de dívidas trabalhistas e Matos disse que esses fatores seriam observados por seu corpo jurídico, com o advogado Cristiano Caús, que é membro da Comissão de Assuntos Jurídicos da Federação Paulista. “Nem com o Luiz eu tenho muita ligação, meu escritório de advocacia que vai estar lidando com ele essa parte”, respondeu. 

Em relação às negociações de jogadores, também preferiu deixar para Luiz revelar quais as divisões de porcentagens para o clube e WKM, mas disse ser algo justo dentro dos padrões do futebol. 

1 comentários:

  1. Sou o Luiz Antonio de Mococa SP, fico muito co tente com o retorno do Sapão.....espero um dia meu Radium de Mococa voltar também...boa sorte MMEC

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