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Na superação, Clube Mogiano é bronze no Circuito Brasileiro de Handebol de Praia

Diego Ortiz

Com uma superação impressionante de problemas de saúde de cinco de dez jogadoras do elenco que passaram mal na madrugada dos jogos decisivos, o Clube Mogiano conquistou medalha de bronze na etapa final do Circuito Brasileiro de Handebol de Praia 2021/2022, no último final de semana, em Guarapuava, no Paraná.

No último dia 6, um domingo, na disputa da medalha de bronze, o Clube Mogiano, mesmo com metade do time combalido, venceu o Cesp, do Rio de Janeiro, por 2 sets a 0. No mesmo dia, nas semifinais, o Recanto havia perdido por 2 a 1 para o APCEF, da Paraíba, comandado pela técnica Rossana Marques, ex-treinadora da seleção brasileira, que acabou como vice-campeã. Com um set vencido por cada um, a decisão foi para o shoot-out, o set de desempate em formato de uma espécie de pênalti em movimento com cinco arremessos para cada time.

Entre a noite de sábado e madrugada de domingo, a auxiliar-técnica Deyse Kelly e cinco jogadoras passaram mal, com sintomas como diarreia, vômitos e febre em uma suspeita de virose. A pior situação foi da defensora Letícia Costa, que precisou ser levada ao hospital para tomar soro pela manhã e chegou 15 minutos antes do jogo com alta médica e desejo de jogar. O técnico Bruno Camargo cogitou desistir dos jogos e abordou o tema com as jogadoras, que decidiram jogar.

Embora reconheça o abalo psicológico e debilitação física, Bruno não coloca esses fatores como responsáveis pela eliminação na semifinal, pois observa que, apesar de todas as dificuldades, o Clube teve chances de vencer. Durante a decisão do shoot-out, Letícia desmaiou na quadra e foi atendida pela ambulância do evento. A jogadora foi eleita a melhor defensora, mas Bruno explicou que a definição foi feita antes das semifinais.

Depois das semifinais, as atletas ficaram ainda piores até pela exposição ao sol e quiseram continuar para disputa do bronze, sendo hidratadas e alimentadas entre uma partida e outra. Com a desidratação, três ficaram deitadas na sombra e nem atuaram. Faltando quatro segundos para o final do jogo, o Clube fez um gol e garantiu a vitória. Depois do jogo, as jogadoras debilitadas foram tomar soro.

O esforço foi reconhecido em postagem da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb). “Parabenizamos o espírito de luta dessas guerreiras, que lutaram e buscaram forças extra-humanas para participar dos jogos. O esporte nos ensina a superar muitos desafios, mas é de arrepiar uma equipe unida, lutando contra adversidades por amor ao esporte. O Brasil tem orgulho de vocês. Se houvesse um troféu de raça, vossa equipe seria a vencedora”, reverenciou a CBHb.

Campanha
A estreia foi no dia 4, sexta-feira retrasada, com derrota para o Instituto LGC/CESP por 2 sets a 1. Em seguida, o Recanto venceu o AGH/Guarapuava-PR, por 2 a 0. No sábado, pelo último jogo da fase preliminar, venceu o adversário depois enfrentado na semifinal, o APCEF, por 2 sets a 1.

O Recanto se classificou como segundo colocado do Grupo A da fase preliminar, que teve dois grupos de quatro times. Todos avançaram para a fase principal. Divididos novamente em duas chaves, os times voltaram a jogar entre si, nos novos grupos. As equipes que já haviam se enfrentado na fase preliminar, além de não se confrontarem novamente, carregaram o resultado do jogo específico da fase anterior. O Clube Mogiano caiu no mesmo grupo do APCEF, da Paraíba, levando a pontuação desta vitória para a segunda fase.

Em seguida, o Clube venceu dois jogos no shoot-out, com 2 a 1 diante do Niterói Rugby-RJ e do Idec-RJ, time que havia vencido o Recanto na final da Copa do Brasil, a primeira etapa do Circuito, em João Pessoa-PB. Com o resultado, o Clube avançou às semifinais como líder de seu grupo. O Idec terminou como campeão, vencendo o APCEF na final. Em 2017 e 2018, o Recanto foi bicampeão brasileiro na categoria cadete.

Melhores
O Clube teve duas jogadoras eleitas para seleção da etapa final. Letícia foi a melhor defensora. Aos 14 anos, Malu Dovigo foi eleita a melhor lateral-esquerda da categoria juvenil, que permitiu atletas até 19 anos. Malu já havia sido a melhor lateral-esquerda na primeira etapa da competição, válida como Copa do Brasil, em João Pessoa, onde o Clube Mogiano havia sido o vice-campeão. Na ocasião, Lívia Mussato foi eleita a melhor lateral-direita.

Mesmo com abalo emocional e físico, garotas do Clube Mogiano conseguiram superar as adversidades e conquistar o bronze no Paraná; “O Brasil tem orgulho de vocês”, elogiou a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) (Foto: Divulgação/Clube Mogiano)
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