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Associação Fonte Viva recebe área para construir sede própria

Fernando Gasparini

Na semana em que se comemora o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo, celebrado neste sábado, dia 2 de abril, a Associação de Pais e Amigos do Autista da Baixa Mogiana – Fonte Viva ganhou seu maior presente em quase 20 anos de atuação no acolhimento de pessoas portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Foi aprovado por unanimidade na sessão de Câmara da última segunda-feira, 28, o projeto de lei enviado pelo prefeito Paulo Silva (PDT) que formaliza a cessão por comodato por 30 anos de uma área de aproximadamente 3.000 m² localizada em um ponto privilegiado na zona Norte da cidade, que permitirá que a Associação Fonte Viva possa, enfim, ter sua própria sede.

Algumas coincidências não passaram despercebidas pela aposentada Arlete de Lima Michelon, de 75 anos, dirigente e co-fundadora da Fonte Viva. Além da cessão da área ter ocorrido na semana em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo, a referida área já havia sido destinada anteriormente, em 2003, quando o prefeito era também Paulo Silva.

O então projeto de cessão da área com suas exigências e obrigações, apesar de ter sido aprovado pela Câmara Municipal à época, acabou sendo esquecido em alguma gaveta. Naquela época, conforme explicou Arlete, a criação de uma unidade de atendimento para pessoas com TEA, supervisionada pela Associação Fonte Viva, havia sido costurada pelos prefeitos de Mogi Mirim, Mogi Guaçu e Estiva Gerbi, com a destinação de um imóvel na região central de Mogi Guaçu, onde os trabalhos foram desenvolvidos de forma satisfatória até meados de 2014.

Durante a gestão do ex-prefeito Gustavo Stupp (2013-2016), foi decidido que os pacientes de Mogi Mirim seriam trazidos para a esfera da Secretaria de Promoção Social, experiência que acabou sendo, segundo depoimento de Arlete, extremamente negativa, obrigando a Fonte Viva a se reinventar. Foi desta forma que a associação foi parar nas atuais instalações, um amplo imóvel alugado nas Chácaras São Marcelo.

O processo de reestruturação fez com que os dirigentes da Associação Fonte Viva vissem com bons olhos a perspectiva da entidade ter sua própria sede. Tratativas neste sentido foram encaminhadas junto ao sucessor de Stupp, o ex-prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB). Já na segunda metade de seu terceiro mandato (2017-2020) foi oferecida uma área no Jardim Patrícia, que seria compartilhada com a Associação da Pesssoa com Deficiência de Mogi Mirim (APD).

Foi quando o então vereador Gerson Rossi Júnior, ao realizar uma pesquisa de áreas públicas disponíveis, se deparou nos arquivos da Câmara Municipal com detalhes do projeto que havia sido aprovado em 2003, trazendo à tona o local que inicialmente havia sido destinado para abrigar a Fonte Viva. “Não sei se foi um lance de sorte. Prefiro acreditar na providência divina. Mas fato é que a perspectiva de termos nossa própria sede adquiriu um impulso decisivo com a cessão desta mesma área”, comentou Arlete.

Arlete, Paulo, colaboradores da Fonte Viva e famílias atendidas pela associação no terreno cedido pela Prefeitura para a construção da nova sede (Foto: A COMARCA)

COMUNIDADE
Superada a etapa da cessão do terreno, Arlete e os demais dirigentes têm exata noção que terão que correr para viabilizar a construção da futura sede, que já tem até projeto elaborado. Ela conta que os recursos necessários para a edificação terão que ser encontrados na comunidade local. “Vamos fazer aquilo que sempre realizamos para a manutenção dos nossos trabalhos, bater de porta em porta e realizar ações diversas para angariar fundos, contando sempre com a generosidade do povo mogimiriano”, afirmou.

A Associação Fonte Viva acolhe atualmente 26 pessoas com TEA, com idade a partir de 4 anos. Conta com uma equipe multidisciplinar que é composta por pedagogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Via de regra, segundo a dirigente, é necessário em média um colaborador por pessoa acolhida.

SINTOMAS
Arlete, que desde que descobriu, há quase 30 anos, que o filho Gabriel era portador do transtorno, acabou se tornando, ao lado do marido Paulo Roberto Michelon, uma profunda conhecedora do assunto, e deu algumas dicas sobre os principais sintomas que acometem uma pessoa com TEA. “A pessoa nunca olha nos olhos do interlocutor; não atende chamadas, principalmente se está de costas, e quando bebê, nunca fica no colo de uma pessoa diferente daquela da qual está habituada”.

Para ter uma criança acolhida, a direção da Associação Fonte Viva recomenda que primeiramente seja feita uma avaliação diagnóstica. Não havendo esta avaliação, é recomendado buscar atendimento na UBS do bairro e solicitar a avaliação pelo Consórcio 8 de abril, para que a criança seja encaminhada pelo profissional da UBS para a Secretaria de Saúde. Após o diagnóstico de TEA, se a criança estiver matriculada na rede municipal de ensino, é importante procurar a Secretaria Municipal de Educação para mais esclarecimentos de como providenciar o ingresso na associação. Havendo o diagnóstico e, desde que a criança seja matriculada na rede municipal, procurar diretamente a Secretaria de Educação para orientação quanto às vagas disponíveis.

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