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Inflação assusta e é sentida por consumidores nos supermercados

Fernando Gasparini

Os mais jovens provavelmente nem tenham noção, mas uma cena era comum nos supermercados brasileiros no final dos anos 80 e começo dos anos 90: de posse de um equipamento que gerava etiquetas instantaneamente, um funcionário cuidava de remarcar os preços dos produtos nas gôndolas, numa época onde a inflação era calculada diariamente.

Há quem imagine que o país está em vias de repetir essa experiência traumática, especialmente para a população mais pobre, que não tinha instrumentos para se defender da desvalorização da moeda. “Dificilmente passa um dia sem que eu receba comunicado dos fornecedores de que algum produto teve preço aumentado”, queixa-se a empresária Adriana Zeferino Gotti, proprietária do Restaurante e Marmitaria Buteco da Vila, na região Leste da cidade.

No ramo há sete anos, Adriana diz que, às vezes, fica imaginando se vale a pena continuar com as portas abertas. “Nunca vi um período de tantas dificuldades. Tudo aumenta. Alguns produtos mais do que dobraram de preço em menos de um ano”, ponderou. A proprietária afirma que tem segurado ao máximo o repasse dos custos no preço final das marmitas. O resultado, segundo ela, tem sido o achatamento da sua margem de lucro. “Está muito difícil trabalhar desse jeito”, reforça.

A aposentada Márcia Aparecida Benedito, moradora do Mogi Mirim II, disse que tem notado com muita preocupação o fato de que cada visita que faz aos supermercados resulta em uma quantidade menor de produtos que leva para casa “Hoje em dia a gente deixa R$ 100 no supermercado e volta para casa com quatro sacolas na mão. Isso nos obriga a sermos mais seletivos. Tenho comprado mais aqueles produtos que estão em oferta”, relatou.

Consumidores têm dado preferência a produtos colocados em promoção (Foto: A COMARCA)

O fotógrafo Paris Paliatsas disse que suas visitas aos supermercados têm sido mais criteriosas. “Tenho substituído marcas, dado preferência para os produtos em promoção e restringido a compra de alguns itens que hoje em dia, diante da escalada dos preços, a gente pode considerar supérfluos”, contou. O aposentado Luiz Carlos Barbosa disse que segue a mesma receita. Ele afirmou que fica atento aos folhetos dos supermercados para fazer comparação de preços.

“Não tem como. Tem que andar um pouco mais e procurar economizar naquilo que for possível”, declarou. Barbosa disse ainda que teme pelo descontrole total, como ocorreu a partir de meados da década de 1980. “Eu vivi aquele período. Sei muito bem como era”, completou.

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