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Juliano, neto de Henrique Lanhelas, assina com o Grêmio

Diego Ortiz

Ídolo do Mogi Mirim, o volante de qualidade técnica refinada da conquista do primeiro acesso do Sapo à elite paulista, em 1985, Henrique Lanhelas deixou um herdeiro no mundo da bola, o neto Juliano Lanhelas Bernardes. Três dias depois de completar 16 anos, em março, o atacante mogimiriano Juliano assinou seu primeiro contrato profissional com o Grêmio-RS, válido até fevereiro de 2025.

Há três anos no clube gaúcho, Juliano está bem adaptado ao Rio Grande do Sul, onde reside no alojamento em Eldorado do Sul, treina pela manhã e estuda à tarde. Admite ter saudades de Mogi
Mirim, para onde vem apenas no final do ano, mas está em contato constante com o avô.

“Todo dia eu falo com ele”, conta Juliano. Além de incentivador, Henrique, avô de Juliano por parte de mãe, foi a maior inspiração de Juliano na carreira, embora o pai, Alexandre Bernardes, o Alexandre Matão, também tenha uma trajetória profissional, como atacante.

Natural de Matão, o pai, porém, tem uma convivência pequena com Juliano. “Ele (avô) já mostrou um monte de jornal dele pra mim da época que jogava, as pessoas comentam dele (Henrique) pra mim. Meu avô me treinou, todos os clubes que eu fui, ele ia comigo, é meu avô minha inspiração”, confirma Juliano.

As primeiras batidas na bola foram ao lado do avô. Ao contrário de muitos garotos com o sonho desde cedo em se tornar profissional, com Juliano foi diferente. Tudo aconteceu naturalmente, pois até certa idade, nem se interessava pela bola.

Quando tinha entre seis e sete anos, durante uma viagem a Belém, onde Henrique nasceu e defendeu o Tuna Luso, Juliano se interessou ao ver garotos brincando na rua e quis jogar. “Foi meio estranho. Eu não gostava muito de bola, aí joguei com os moleques, comecei a gostar”, rememora.

O avô recorda com detalhes da cena, na rua na frente da casa da sogra de Henrique. Jogavam garotos mais velhos e altos, enquanto Juliano era muito menor. Pelo sotaque paulista, era zombado pelos meninos e não queriam deixá-lo jogar por ser muito pequeno, mas acabou os convencendo.

Enquanto esperava, Henrique se lembra até dos mosquitos incomodando o neto. “Ele queria jogar de qualquer jeito. E ele tava cheio de carapanã, ficava se batendo para matar. Ele não jogava bola em lugar nenhum. Quando botaram ele, ele não sabia que time ele era, ele já foi chutando pro gol, já entrou, fez logo um gol, mas contra, que nem o avô dele já fez”, diverte-se Henrique.

A maré começou a mudar quando Juliano foi colocado na escolinha de futebol, em Mogi Mirim, do São Paulo, seu clube do coração, aos oito anos, e, desde então, vive uma ascensão. Mas demorou para ter o interesse despertado em seguir mesmo uma carreira. “Foi acontecendo, depois que fui perceber que isso aí tava dando certo, que era bom pra mim, quando eu já tava com uns 12 anos”, pontua.

“Ele já mostrou um monte de jornal pra mim da época que jogava, as pessoas comentam dele pra mim. Meu avô me treinou, todos os clubes que fui, ele ia comigo, é minha inspiração”, destaca Juliano, sobre Henrique (Foto: Arquivo Pessoal)

TRAJETÓRIA
Na escolinha do São Paulo, Juliano ficou justamente até os 12 anos. Chegou a ser monitorado, indo treinar uma semana a cada dois meses no CT de Cotia, porém, nunca se tornou atleta do São Paulo. Apenas disputava campeonatos pela escolinha.

Com o time da unidade de Mogi Mirim, se destacou. Foi campeão de duas competições internas de escolinhas do Tricolor, em Cotia, em 2016, pela categoria sub-11 e, em 2018, em São Bento do Sapucaí, do sub-13, quando foi artilheiro, com seis gols.

Na Copa Maravilha, em Santa Catarina, em janeiro, despertou a atenção dos olheiros da Chapecoense-SC e foi convidado para testes. Em fevereiro, passou no teste e mudou para Santa Catarina, quando estava próximo de completar 13 anos.

Pela Chapecoense, ficou seis meses e disputou competições da categoria sub-13, o Catarinense e o Sul-Brasileiro, da BG Prime. A oportunidade foi uma transformação. “Nunca tinha morado fora, longe da família, nunca tinha jogado numa base, contra times de Série A, eu só jogava escolinha contra escolinha, não tinha essa experiência”, explica.

Em um dos jogos do Sul-Brasileiro, encarou o Grêmio, que terminou como campeão, e foi observado pelo time gaúcho. Em agosto de 2019, assinou contrato com o empresário Jorge Machado, que intermediou sua chegada ao Grêmio. “Ele acabou me trazendo, o Grêmio já tinha gostado de mim quando eu joguei contra eles, aí fechei com o Grêmio”, recorda.

Aos 14 anos, assinou um contrato de formação com o Grêmio. Destro, chegou ao clube como ponta esquerda com o estilo de cortar para dentro e finalizar, mas, recentemente, tornou-se centroavante.

Depois de passar pelo sub-13, quando vivenciou a experiência de um Grenal, e sub-15, Juliano está em seu primeiro ano na categoria sub-17 e tem a motivação de estar em um clube acostumado a revelar atacantes para o futebol brasileiro e internacional.

Embora o São Paulo seja o time do coração, não pensa mais em defender o Tricolor Paulista. O foco é em outro clube de três cores, pelo qual se apaixonou. “É o maior do Sul, não tem jeito, Grêmio, Tricolor”, vibra Juliano, que sonha jogar na Europa e oferecer o melhor para a família.

Artilheiro e campeão em competições de escolinhas do São Paulo, pela unidade de Mogi, Juliano chegou à Chapecoense aos 12 anos e despertou a atenção gremista em um jogo contra o Grêmio, onde está desde os 13 (Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio)
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