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Prefeitura investe em medidas para evitar esgotamento do cemitério

A Administração Municipal está investindo em alternativas no Cemitério Municipal da Saudade para impedir um “apagão” relacionado ao risco da falta de vagas para sepultamentos, dada a ocupação da quase totalidade da área disponível.

Ao receber a Prefeitura, em janeiro de 2021, o prefeito Paulo Silva encontrou uma situação na qual a disponibilidade de espaço para novos sepultamentos estava à beira da exaustão. A primeira medida tomada para evitar problemas a curto prazo foi reservar uma área 2.681 m², remanescente de uma outra de 4.800 m² que já havia sido destinada pelo ex-prefeito Carlos Nelson Bueno por volta de 2017.

A área total do cemitério atinge quase 88 mil m². A construção de muro delimitando a nova área vem sendo realizada com a utilização de recursos de uma Parceria Público Privada (PPP)  viabilizada a partir de uma contrapartida de um empreendimento no município e tem custo estimado em torno de R$ 300 mil.

Outra medida diz respeito à adoção de um sistema de sepultamento conhecido como “verticalização”, que contrapõe o modelo tradicional de abertura de covas e se dá com a colocação do caixão em gavetas dispostas verticalmente.

O engenheiro Paulo Roberto Tristão, secretário de Obras, Habitação Popular e Mobilidade Urbana, lembra que, no segundo mandato de Paulo Silva como prefeito (2001-2004), uma área dentro do cemitério foi reservada para a edificação de um conjunto destas gavetas dispostas em três níveis e que nunca foram utilizadas devido a problemas enfrentados à época, entre eles, a incompreensão do sistema.

No Cemitério Municipal da Saudade, já existe uma estrutura preparada para a introdução do novo sistema de ‘verticalização’ (Foto: A COMARCA)

NECESSIDADE
O gerente da Secretaria de Serviços Municipais, Antônio Carlos Siqueira, o Toninho, que participou da conversa com a reportagem de A COMARCA, defendeu o novo modelo, argumentando que se trata de uma necessidade.

Ele conjecturou que mesmo com a incorporação do terreno, sem adoção de outros procedimentos, dentro de mais dois anos a ameaça da falta de área para sepultamento iria persistir. A adoção do novo método, segundo Toninho, vai permitir que o problema seja solucionado por pelo menos mais uma década. Tristão acredita que a elasticidade do prazo seja ainda maior.

MEDIDAS
Isso porque a introdução das gavetas verticais vem precedida de outras medidas visando dar maior previsibilidade na vida útil do Campo Santo, como, por exemplo, a requisição de terrenos adquiridos por famílias que não cumpriram requisitos de manutenção adequada.

Toninho informou que somente nestes quatro primeiros meses do ano, 47 desses terrenos foram reincorporados. A adoção do modelo vertical não acaba, pelo menos por hora, com o sepultamento tradicional, devido à utilização de túmulos adquiridos anteriormente e que continuam sendo utilizados.

Muitos destes espaços contemplam o sepultamento de mais de uma pessoa, além da possibilidade de se depositar no referido espaço dentro de uma embalagem apropriada restos mortais da pessoa falecida, abrindo espaço para a colocação de mais uma urna funerária.

No sistema vertical, a urna funerária com os restos mortais permanece por quatro anos ocupando o espaço contratado. A partir daí, seriam oferecidas duas opções para quem adquiriu o espaço dar destinação aos restos mortais do familiar.

A primeira prevê o acondicionamento em uma espécie de sacola própria para este tipo de transporte, que seria depois levada para um espaço reservado para esta finalidade. “Tudo devidamente lacrado e com identificação”, conforme mencionou Toninho. A outra possibilidade é a de que familiares encontrem dentro do próprio cemitério um túmulo onde os restos mortais possam ser depositados.

Vida útil do cemitério local poderá ser ampliada em mais uma década (Foto: Arquivo/Divulgação)

VANTAGENS
Toninho Siqueira afirma que a verticalização tem sido a solução encontrada por muitas prefeituras para dar solução à falta de espaço em cemitérios, observando que a legislação ambiental torna “praticamente impossível”, diante das atuais exigências, encontrar uma nova área adequada.

Segundo o gerente, a equipe de gestão da Secretaria de Serviços Municipais visitou algumas cidades que adotaram esta alternativa, citando Amparo como aquela que causou a melhor impressão, pelo fato, segundo Toninho, de apresentar as mesmas características do problema enfrentado por Mogi Mirim.

Ele listou ainda uma série de vantagens, as quais, conforme destacou, tornam o modelo mais atraente, como o fato de permitir lidar melhor com a questão dos elementos relacionados à decomposição (ambientalmente corretos), resolve questões de insalubridade de funcionários; melhor acessibilidade, além é claro, de resolver a questão da falta de espaço.

MODERNIZAÇÃO
Tanto Tristão quanto Siqueira enfatizaram o esforço da atual gestão para modernizar e tornar mais eficiente o atendimento ao público, destacando a terceirização dos serviços dentro do cemitério e a construção de mais três salas no velório municipal, duas destinadas para velório propriamente dito, e uma sala administrativa, também resultado de contrapartida com a iniciativa privada.

Tristão afirmou que a ampliação se trata de um imperativo. No ano passado, marcado pelo agravamento da pandemia do novo coronavírus, o município registrou 952 sepultamentos.

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