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Mogimiriano, Betão é campeão do CBLOL com a Red Canids

Diego Ortiz

Defendendo a Red Canids, o pro player mogimiriano Norberto Henrique Motta de Oliveira, o Betão, de 21 anos, sagrou-se campeão da Primeira Etapa do CBLOL 2022, o Campeonato Brasileiro de League of Legends. Na final, em 23 de abril, a Red venceu a série melhor de cinco contra a paiN Gaming por 3 a 2, no estúdio da Riot Games, desenvolvedora do jogo, em São Paulo, com presença de público.

Em 2021, defendendo o Fúria, Betão havia sido vice-campeão nacional na primeira etapa do CBLOL Academy, o Campeonato Brasileiro de base, com derrota na final para o Flamengo. Na segunda etapa do ano, ficou em terceiro lugar com o Fúria.

Embora não tenha sido campeão, Betão se destacou individualmente no ano passado. Foi indicado para duas premiações: como jogador revelação no Prêmio eSports Brasil, considerado a maior premiação de esportes eletrônicos da América Latina, e como melhor jogador do CBLOL Academy no Prêmio CBLOL 2021, da Riot Games.

Em alta e com o contrato encerrado com o Fúria, ficou livre no mercado. Sem necessidade de multa para contratá-lo, cinco times o procuraram, mas optou pela Red pela estrutura do clube, que na época também era o atual campeão, de 2021.

Em princípio, foi contratado pela Red para disputar o CBLOL Academy, mas acabou subindo para a fase eliminatória do Brasileiro principal. No CBLOL, cada time atua com cinco jogadores, mas a Red inovou com a utilização de reservas. Betão atuou diante do KaBuM!.

Com a conquista de campeão, a Red Canids se garantiu como representante brasileiro no Mid Season Invitational (MSI), torneio internacional de meio de temporada do LoL, na Coreia do Sul. Porém, como Betão entrou somente na fase eliminatória, não houve tempo hábil para retirar o visto trabalhista para poder jogar na Coreia. Agora, Betão espera poder disputar o Worlds, o Mundial nos Estados Unidos, no segundo semestre, em que a Red conquistará vaga se vencer a segunda etapa do CBLOL, que começa em junho.

Norberto Motta, o Betão (2º, a partir da direita), de 21 anos, integrou a Red Canids na conquista do CBLOL, o Campeonato Brasileiro de League of Legends; celebração do título no estúdio da Riot Games, em São Paulo (Foto: Divulgação/Riot Games)

INÍCIO
O início de Betão no LoL, o badalado jogo de estratégias em que duas equipes com cinco jogadores cada se enfrentam para destruir a base uma da outra, foi por diversão. “Eu jogava só para passar o tempo, sem nenhuma pretensão. Aí conforme fui ficando melhor, fui progredindo nos rankings”, recorda.

Betão já havia chegado a altos postos em rankings, mas não conseguia oportunidade em algum clube para realizar o sonho de se tornar profissional. Decidiu se dedicar ao curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Faculdade de Tecnologia (Fatec) Arthur
de Azevedo e ao estágio na Baumer.

No segundo semestre de 2020, recebeu uma inesperada ligação de um amigo que estava no Fúria revelando a realização de uma peneira para a função de Betão, de top laner. Após ter seu nome inscrito, foi chamado para a peneira e deixou o trabalho mais cedo. “Fui correndo para fazer a peneira, deu certo, graças a Deus. Larguei tudo e fui correr atrás do sonho. Hoje eu tô all-in (termo do pôquer para designar ‘apostar todas as fichas no jogo’, o ‘tudo ou nada’), não tem mais como voltar atrás, tem que fazer dar certo”, frisa.

Embora feliz por ter realizado o sonho de disputar e ganhar um CBLOL, Betão sonha conquistar a competição como titular. Outros sonhos também são nutridos. “O Brasil no LoL vai sempre muito mal, não consegue nem sair da fase de grupos, meu principal sonho é poder representar o Brasil bem lá fora e quem sabe jogar em outra Liga, dos Estados Unidos, na da Europa”, revela.

Betão contra o KaBuM!; top laner treina com a Red Canids das 14h às 20h30 e faz mais 6 horas de treino por conta própria; hobby também é jogar: “Às vezes, jogo com um boneco que me divirto mais ou escutando música” (Foto: Bruno Alvares/Riot Games)

ROTINA
Betão treina diariamente com o Red Canids, em São Paulo, das 14h às 20h30 e ainda realiza mais seis horas de treino por conta própria, não obrigatórios, mas realizados visando evoluir.

Entre os desafios da carreira está saber trabalhar em equipe e manter um bom psicológico para sempre estar animado para se dedicar 12 horas por dia ao jogo. Para Betão a tarefa é até fácil se considerar que seu hobby é o jogo. Para se ter uma ideia, quando fazia faculdade e trabalhava em outra área, vivia aguardando a chegada em casa para espairecer a mente.

“Foi um choque de realidade. Antes, eu queria que chegasse o fim de semana para eu esquecer os compromissos e hoje gosto para caramba do dia a dia, de treinar, inclusive, até nas minhas folgas, às vezes, fico jogando. Nem vejo o tempo passar, eu gosto do processo, de ficar melhor. Quando eu estou relaxado, eu fico jogando, às vezes jogo com um boneco que me divirto mais, ou escutando alguma  música”, conta.

A cada jogo, Betão escolhe um personagem de acordo com a estratégia. Mas revela um carinho especial pela Fiora, usada quando se destacou em um jogo contra o Flamengo. Além de pro player, Betão realiza lives e planeja para o futuro promover cursos para quem sonha ser profissional.

Com espírito competitivo, Betão já havia disputado campeonatos de futsal e xadrez, além de ter jogado tênis e jogos on-line de cartas ou de celulares como Clash Royale. Na quase totalidade das épocas, sempre conciliando com a prática do LoL, sua paixão que se tornou profissão.

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