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Professores têm visão crítica sobre aprovação do homeschooling

Em meados do mês passado, a Câmara dos Deputados aprovou as diretrizes que buscam permitir a introdução em todo o Brasil da Educação Básica Familiar (homeschooling), medida também defendida pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro.

Em linhas gerais, a nova lei possibilita aos pais ou responsáveis que a Educação Básica (Ensino Infantil, Fundamental e Médio) possa ser transmitida em casa, obedecendo algumas regras bem definidas, como por exemplo a exigência de que o estudante deve ser matriculado anualmente com o registro da opção por esta nova modalidade junto a uma instituição de ensino credenciada pelos órgãos competentes do sistema de ensino, as quais, terão responsabilidade em gerir o processo.

Ainda de acordo com o texto aprovado, para o exercício do homeschooling é necessário que seja feita a comprovação de escolaridade de nível superior ou em educação profissional tecnológica, em curso reconhecido, por pelo menos um dos pais ou responsáveis legais pelo estudante. Será exigida a apresentação de certidões criminais da Justiça Federal e Estadual dos pais ou responsáveis e os estudantes deverão necessariamente ter acesso aos conteúdos curriculares referentes ao ano escolar de acordo com a Base Nacional Comum Curricular.

Apesar das diversas exigências, o assunto não foi bem recebido pela categoria dos professores. A COMARCA ouviu a opinião de três deles, que estão saindo de cena por conta da aposentadoria, no exato momento em que o tema se transforma em realidade. Antônio Sebastião Bordignon, 73, professor de Matemática, Roberto José de Fátima Magalhães, 68, que leciona Biologia, e Hirlei Felicidade Assunção Magalhães, 65, professora de Língua Portuguesa, expuseram uma visão crítica da nova modalidade.

“O relacionamento interpessoal é essencial. O que estão fazendo é a transformação de um relacionamento caloroso baseado no coletivo para um outro mais frio, pautado no isolamento e no distanciamento. A sociedade deve estar atenta e exigir que esse tipo de contato, esse calor humano que só a escola oferece, não desapareça”, pontuou a professora Hirlei.

Magalhães entende que os problemas decorrentes da paralisação das atividades durante a pandemia, em que as escolas foram duramente afetadas, dão uma dimensão do equívoco de se imaginar que o ensino feito somente em casa seja uma receita de sucesso. “Se fosse tão bom assim, durante a pandemia não surgiriam tantas dificuldades apresentadas nesse processo de tentar ensinar em casa aquilo que não era possível ser executado naquele momento nas escolas. Foi, ao meu ver, a prova cabal de que a escola é insubstituível”, conjecturou.

Finalizando, Bordignon, do alto da experiência de meio século frequentando as salas de aula como professor, arrematou o assunto reforçando a importância do relacionamento interpessoal para a formação dos futuros cidadãos, mas acrescentando também que é preciso esperar mais um pouco para emitir uma opinião mais embasada. “É preciso esperar pela regulamentação”, ponderou.

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