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Material de construção reciclado ganha espaço no mercado

Um dos muitos passivos ambientais que o país ainda teima em dar uma resposta correta é a destinação dos resíduos de construção civil. Com enorme potencial poluente, este material pode ocasionar danos irreparáveis ao meio ambiente se despejado em locais inadequados.

Nos países desenvolvidos, esse problema é resolvido com a reciclagem do material de construção civil. No Brasil, esse tipo de solução apenas engatinha. Em Mogi Mirim, há seis anos opera uma empresa recicladora, a Paulo Terraplanagem e Reciclagem, única em funcionamento em toda a região e que tem atendido a uma demanda crescente, segundo seu idealizador.

O empresário Paulo Aparecido Rodrigues, responsável pelo empreendimento, deu início às atividades em 2016, após pesquisar o funcionamento deste mercado. Foi desta forma que adquiriu maquinário e expertise para colocar em funcionamento sua usina localizada no bairro rural Lagoa dos Patos, cujo acesso se dá pela Estrada da Cloroetil.

Decorridos seis anos de funcionamento, Rodrigues começa a colher os resultados de um investimento estimado por ele em torno de R$ 2 milhões. A etapa mais difícil, segundo o empreendedor, foi o convencimento de que os subprodutos decorrentes da atividade têm eficiência em aplicações bastante específicas, tais como emprego na conservação de estradas rurais, areia para assentamento de tijolos, aplicação no trato do piso durante construção de barracões industriais e aterramento de terrenos voltados para construção de imóveis. Outro fator de atração, evidentemente, é o custo do material, muito mais barato.

O empresário Paulo Rodrigues começa a colher os resultados do investimento realizado (Foto: A COMARCA)

LEGISLAÇÃO
Além do convencimento do mercado com relação à viabilidade dos produtos que passou a comercializar, o empreendimento tem na legislação ambiental um poderoso aliado. A usina de reciclagem é procurada por empresas diversas que entregam seus resíduos de construção civil de olho na certificação emitida junto com a nota fiscal pelo serviço prestado.

Outro atrativo é o fato da empresa ser associada à Associação Brasileira de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), que reforça sua importância como certificadora de boas práticas ambientais. “O empresariado, em sua maioria, tem consciência de que precisa demonstrar que se utiliza de boas práticas ambientais. Trata-se de algo que passou a ser essencial para muitos setores de atividade”, pondera o empreendedor.

Paulo Rodrigues disse que sua recicladora é aberta para quem quiser levar material para ser processado, inclusive, para as outras empresas do comércio de locação de caçambas, do qual ele mesmo é um dos prestadores de serviço na cidade. Rodrigues estima que se a própria indústria da construção civil privilegiasse a utilização dos produtos reciclados a partir dos resíduos que gera, a maior parte de suas necessidades seria atendida.

No Brasil, esse tipo de solução ainda engatinha, mas Mogi Mirim conta, há seis anos, com uma empresa recicladora (Foto: A COMARCA)

EDUCAÇÃO
Alegou que o maior desafio continua sendo fazer com que as pessoas aprendam a separar o material, via de regra, colocado todo ele em uma única caçamba que acaba recebendo, além do entulho da construção, madeira, plástico, papelão e metal. Ele avalia que esse é um processo contínuo que vai avançar somente com educação ambiental.

Rodrigues acredita que a conscientização ambiental é um caminho sem volta. Dirigiu ainda uma cobrança às autoridades do município, para que seja acelerado o processo de adaptação necessário para que a Lei dos Resíduos Sólidos (nº 12.305/10) seja plenamente implantada no município com a criação da legislação complementar. “Apesar de já termos caminhado bastante, ainda temos muito por fazer. Importante envolver a comunidade nesse tipo de discussão”, defendeu.

Outras informações sobre a atividade podem ser obtidas pelos telefones 3806-5728 e 3805-4853

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