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Seguranças da gestão Luiz Oliveira expulsam atletas do Mogi durante a madrugada

Diego Ortiz

Seguranças contratados pela administração do presidente do Mogi Mirim Esporte Clube, Luiz Henrique de Oliveira, retiraram jogadores da gestão da WKM do Estádio Vail Chaves na madrugada desta terça-feira, 12.

A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada e a ocorrência foi inicialmente para o plantão policial em Mogi Guaçu, devido ao horário, e depois retornou a Mogi Mirim, indo parar na Central de Polícia Judiciária (CPJ) ainda pela manhã.

Como havia jogadores menores de idade, o Conselho Tutelar também esteve presente. O gestor da WKM, Wilson Matos, revelou terem sido acionados o Consulado e a Embaixada dos Estados Unidos devido a também terem sido expulsos do estádio quatro jogadores norte-americanos, menores de idade, que estão em intercâmbio. “Eles acharam que era terrorismo, que era sequestro, que eles iam morrer”, conta Wilson.

Na quinta-feira, alegando ter rompido o contrato de gestão do futebol das categorias sub-20 e sub-23 por irregularidades da WKM, Luiz havia dito ter notificado a parceira para desocupação do estádio em 48 horas. A WKM, porém, entende estar o contrato válido e não haver legitimidade para rescisão, seguindo, portanto, os trabalhos normalmente.

Mesmo sem obter uma decisão judicial para garantir a desocupação e comprovar o alegado descumprimento de contrato com a WKM para justificar a rescisão, a gestão Luiz decidiu retirar os atletas do estádio. Nesta terça-feira, os jogadores estavam dormindo quando foram retirados, sem acesso aos seus pertences.

Ocorrência na madrugada desta terça-feira no Vail Chaves foi parar, pela manhã, na Central de Polícia Judiciária, onde estiveram presentes jogadores retirados do estádio, além do gestor da WKM, Wilson Matos (Foto: Diego Ortiz/A COMARCA)

“Eu tava dormindo, aí os caras chegaram lá, mandaram um jogador me chamar e eu não abri a porta, porque eu tava dormindo. Depois, eu vesti a roupa, falaram novamente, os seguranças: ‘abre a porta’. ‘Não vou abrir’. Estouraram a porta, pegaram a chave que estava comigo, entreguei a chave pra eles e fomos pra rua”, relatou o funcionário Nielsen, em entrevista à reportagem de A COMARCA.

“No nosso quarto, eles entraram, meteram a luz na nossa cara, acorda, acorda, acorda, vamos pro pátio que a gente quer conversar, apavorando todo mundo. Eles estavam em seis, sete. Tinha dois armados, um com gás de pimenta no peito, assim que a polícia chegou, eles se mandaram lá pra baixo. A gente foi pro pátio, eles começaram a falar: agora é do jeito deles”, contou o goleiro Victor, da categoria sub-23, para a reportagem.

O goleiro explicou que, primeiro foram retirados funcionários do clube, deixando apenas os atletas, também expulsos posteriormente.

“Isso que foi feito é caso de cadeia, os meninos não têm os documentos, foram sacados no meio da madrugada, no terror, com ameaça de morte, estão sem documento, sem roupa, sem dignidade. Estão na rua”, colocou Wilson Matos.

OUTRO LADO
Questionado por A COMARCA, Luiz Oliveira minimizou o episódio e justificou estar sendo reforçada a segurança do estádio, pois alega que a diretoria vem sofrendo ameaças. “Na verdade, ninguém entrou lá, a gente vem reforçando a segurança devido às ameaças que a gente vem sofrendo no clube, a gente simplesmente vem aumentando o controle do acesso dos portões, porque tem membros da torcida infiltrados lá dentro”, declarou.

Luiz Oliveira esteve presente na manhã desta terça-feira na Central de Polícia Judiciária, onde foi ouvido por uma conselheira tutelar devido a haver atletas menores e foi alvo de manifestação de torcedores (Foto: Diego Ortiz/A COMARCA)

Na semana passada, Luiz já havia justificado como um dos motivos para rescisão do contrato a presença no clube de torcedores organizados realizando ameaças. “Como a gente sabe que eles estão ameaçando a gente e o Wilson tem usado os atletas que estão sem contrato, estão de forma clandestina no clube, junto com membros da torcida organizada para nos ameaçar, simplesmente a gente começou a controlar os portões do clube com medo de entrar mais membros da torcida”, disse Oliveira, nesta terça-feira.

Luiz alegou como gota d´água para a rescisão do contrato o episódio de quinta-feira, quando a Guarda Civil Municipal e a Polícia Civil estiveram no estádio e uma foice, que estava com o presidente da Mancha Vermelha, Renê Couto, foi apreendida. Couto explicou à reportagem que a foice é do clube e é uma ferramenta de trabalho para cortar grama.

O presidente da Mancha Vermelha relatou à reportagem de A COMARCA, na semana passada, ter passado a trabalhar para a WKM no estádio, assim como cerca de 30 torcedores, para colaborar com serviços gerais do clube. Como Luiz não aceita os torcedores, a solução encontrada para poder ajudar o clube foi trabalharem para a WKM. As ameaças, porém, foram negadas e Couto disse sofrer perseguição por ser contrário à gestão Luiz.

Já Wilson Matos garantiu que todos os jogadores têm contrato com a WKM, pois não pode registrá-los pelo Mogi Mirim por depender da assinatura de Luiz.

A movimentação na CPJ nesta terça-feira foi acompanhada por torcedores, que aproveitaram para se manifestar contra Luiz.

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