A Comarca

Farmácias lidam com a falta de diversos medicamentos

Um fenômeno global, que tem relação, em parte, com os efeitos da pandemia de Covid-19, já preocupa autoridades da área da Saúde. Em um movimento que se intensificou a partir do início deste ano, a indústria farmacêutica tem enfrentado dificuldades para abastecer o mercado nacional com uma ampla linha de medicamentos.

Os problemas vão desde a fabricação (a China é o maior fornecedor e somente agora o país começa a sair de um rigoroso lockdown causado por mais um surto de Covid), passando pela logística e até pela falta de embalagens.

O problema reflete também em Mogi Mirim, afetando de forma quase generalizada as farmácias da cidade. “Está difícil trabalhar. Às vezes, penso até em fechar as portas”, desabafou a comerciante Gislaine Merante, proprietária da Drogaria da Gi, que funciona há muitos anos no Jardim do Lago, zona Leste da cidade.

Gislaine relata a falta de algumas linhas de antibióticos e medicamentos líquidos, muitos dos quais, segundo ela, não têm sido repostos pelos distribuidores. “A pessoa chega com uma lista de medicamentos na farmácia e se não encontra um item diz que vai procurar em outro estabelecimento. Aí eu perco toda a venda”, apontou.

A situação afeta também as grandes redes que atuam na cidade, como é o caso da rede de drogarias BigFort e Ultra Popular, presente em diversas cidades da região e com forte presença em Mogi Mirim, onde mantém cinco lojas.

Fábio Magalhães, gerente geral da rede, confirmou que existem problemas no fornecimento de determinadas linhas de medicamentos. Destacou que, apesar de muitos serem considerados simples, acabam fazendo falta na rotina das pessoas. “Temos encontrado dificuldades para adquirir medicamentos como dipirona, cetoprofeno, antibióticos, xaropes, expectorantes e até soro fisiológico”, enumerou.

Magalhães explicou que a situação de momento é tão delicada que há casos de médicos que chegam a internar pacientes de maior risco, para que eles sejam medicados com remédios que não são mais facilmente encontrados em drogarias.

“Temos encontrado dificuldades para adquirir medicamentos como dipirona, cetoprofeno, antibióticos, xaropes, expectorantes e até soro fisiológico”, enumerou Magalhães (Foto: A COMARCA)

CUSTO
O gerente afirmou que tal situação acaba refletindo nas vendas e que, em decorrência da falta de determinados produtos, se torna inevitável o aumento de preços, o que interfere na estratégia de conceder descontos em algumas linhas de medicamentos. “Somos obrigados a diminuir a margem de desconto para não operar no vermelho”, explica.

Segundo Fábio, para contornar a situação, a direção da rede tem monitorado de perto a situação junto aos fornecedores. “Estamos sempre atentos ao mercado, acionando nossos parceiros e fornecedores para que nos seja garantida a entrega de toda linha de medicamentos com as quais trabalhamos dentro de uma situação mais próxima àquela de normalidade”, explicou.

“Sempre que possível, mantemos canais com os profissionais da área médica para que eles possam substituir determinado medicamento que está em falta por outro cuja oferta ainda não foi comprometida”, afirmou ainda.

OTIMISMO
O comerciante Marcos Bento Alves de Godoy, proprietário da Farmácia do Marquinhos, demonstrou uma visão mais otimista do quadro atual. Ele acredita que a situação deverá se regularizar em breve. “Em meu estabelecimento, tive apenas problemas pontuais com relação a alguns medicamentos, mas no geral a oferta continua elevada”, ponderou.

Em sua avaliação, além dos problemas na fabricação de determinados medicamentos, o consumo cresceu bastante. “A indústria tem tido dificuldade para atender à demanda criada. Com certeza, todas elas estão trabalhando para recolocar sua produção dentro de um grau de normalidade”, completou.

“A indústria tem tido dificuldade para atender à demanda criada. Com certeza, todas elas estão trabalhando para recolocar sua produção dentro de um grau de normalidade”, ponderou Marquinhos (Foto: A COMARCA)
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