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Situação do setor de hemodiálise da Santa Casa é alvo de denúncia

Diego Ortiz

A situação do setor de hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim foi alvo de denúncia pelo técnico mecânico e aposentado, Sauro Rodrigues, de 59 anos, de Mogi Guaçu, que enviou arquivos de vídeo, documentos e um texto para a Diretoria Regional de Saúde, de São João da Boa Vista, e ao Ministério Público.

Entre os documentos está um manifesto/abaixo-assinado elaborado por pacientes, manifestando à coordenação do hospital a insatisfação em relação às poltronas do serviço de hemodiálise. “Há tempo, estamos solicitando a troca das poltronas que estão em péssimo estado de uso. Os encostos de costa e braço não possuem mais regulagem, sendo necessários bancos e cadeiras para sustentar as poltronas, que ficam frequentemente apoiados nos canos de água”, aponta trecho do abaixo-assinado.

O manifesto ainda coloca que, além das poltronas estarem quebradas, apresentam rasgos que, mesmo remendados com fitas de curativo e luvas, deixam à mostra o estofado, muitas vezes sujos de sangue, que adere nas espumas dos apoios de braços.

“As condições deploráveis das poltronas tornam o tratamento de hemodiálise cansativo e também doloroso, dado que muitos de nós possuem problemas de coluna e essas poltronas aumentam a dor e prejudicam cada vez mais. Afirmamos que as poltronas não estão em condição de uso e que é insensível impor a utilização das mesmas por horas, durante três vezes por semana”, diz trecho do texto.

O abaixo-assinado, com 88 assinaturas, lembra que os pacientes renais crônicos dependem das sessões de hemodiálise para sobreviver. “…em razão do grave problema exposto, estamos solicitando que a diretoria do hospital realize as trocas das poltronas do setor de hemodiálise”, clamam os pacientes.

Na denúncia enviada à DRS e Ministério Público, Rodrigues também aborda inúmeros problemas vivenciados pelo hospital e implora por uma solução.

Em contato com a reportagem de A COMARCA, Sauro Rodrigues destacou ter um grande carinho pela Santa Casa e não gostaria de expor a situação do hospital, mas explicou não ter encontrado mais outra saída diante das atuais condições. Explicou a necessidade de chamar a atenção das autoridades para prestarem atenção na situação do hospital, mas sem buscar guerra ou politicagem, mas apenas justiça.

QUALIDADE
Para A COMARCA, Sauro também lamentou a qualidade dos insumos. “Quando não falta medicamento para as pessoas mais idosas que precisam de vitaminas, os insumos são de péssima qualidade, as agulhas que eles estão usando não furam, não cortam, elas estouram a pele da gente, a veia, tá triste, os esparadrapos, vamos dizer assim, que são fitas, são de péssima qualidade, uma não cola, outra quando cola, arranca a pele dos pacientes, nós estamos passando por uma situação muito triste”, lamentou. Depois de Sauro ter enviado a denúncia para a Ouvidoria do Ministério Público de São Paulo, o caso foi encaminhado para a Promotoria de Justiça de Mogi Mirim.

“As condições deploráveis das poltronas tornam o tratamento de hemodiálise cansativo e também doloroso”, diz Sauro Rodrigues, autor da denúncia (Foto: Sonia Modena)

OUTRO LADO
A interventora da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim e atual secretária municipal de Saúde, Clara Carvalho, falou com A COMARCA sobre a queixa de usuários do serviço de hemodiálise. Clara disse que já tinha conhecimento do problema e garante que juntamente com sua equipe, vem agindo para tentar resolvê-lo.

Segundo ela, todos os problemas da Santa Casa atualmente esbarram na difícil situação econômica do hospital, que resultou no processo de intervenção. “A questão da hemodiálise é apenas um entre diversos problemas urgentes que temos que dar solução”, ponderou.

A falta de recursos impede que o hospital cuide ele próprio da aquisição de mobília e equipamentos novos. Diante disso, a Secretaria de Saúde, realiza, conforme revelou, um terceiro processo licitatório para aquisição de cadeiras novas, que serão destinadas ao setor de hemodiálise mediante uma “cessão de uso”.

“Na primeira licitação, a empresa vencedora ofereceu um equipamento que não iria durar uma semana. Retomamos a licitação e, concluído esse novo processo, a empresa vencedora apresentou um preço impraticável para fornecer as cadeiras. Estamos agora finalizando um terceiro para resolver essa questão”.

A atual interventora menciona ainda que a unidade de Mogi Mirim atende 30 pacientes por turno (manhã, tarde e noite), demonstrando as dificuldades encontradas para colocar um mínimo de razoabilidade no atendimento destes pacientes.

Clara ainda fez questão de destacar que, apesar da situação de momento estar longe do ideal, os procedimentos realizados não colocam em risco a segurança dos pacientes, atribuindo aos profissionais da área médica a decisão de interromper o atendimento se entenderem que isso seja necessário.

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